
Ninguém coloca em dúvida a importância da reciclagem como atividade racional, de retorno econômico e de proteção ao meio ambiente. Especificamente a operação de desmontagem ao fim da vida útil dos veículos aponta para o enorme potencial em um país cuja frota real é de cerca de 27 milhões de unidades, mais 8 milhões de motocicletas. O Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) registra o total em torno dos 50 milhões de veículos de todos os tipos por não haver controle sobre o que sai de circulação. Este número exótico distorce as estatísticas de segurança viária e dificulta o planejamento logístico em todos os níveis de governo.
Há pouco o Certa (Centro de Referência Técnica Automotiva) organizou um seminário em São Paulo sobre os benefícios sociais, econômicos e ambientais da reciclagem de veículos. As experiências em outros países sempre deram certo, em especial na União Europeia. Na Espanha, conforme o palestrante Ignacio Perez, a atividade já se consolidou e houve uma redução drástica de dois terços no número de CAT (Centros Autorizados de Tratamento) – evolução onírica dos nossos conhecidos desmanches ou ferros-velhos – que tiveram de se enquadrar em diretrizes rigorosas.
Na Argentina o programa de reciclagem começou como reação ao espantoso aumento de furtos e roubos de carros ocorrido durante a fase aguda da maior crise econômica do país vizinho, em 2002/2003. O objetivo principal dos ladrões era a venda das peças desmontadas no mercado criminoso de reposição, alimentado também pela real escassez de insumos e paralisia da produção industrial. A lei, criada em 2003, foi o complemento ao fechamento sumário de todos os desmanches. Isso viabilizou os primeiros CATs, entre eles o do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária), baseado na experiência da entidade congênere espanhola.
Segundo Fabio Pons, do Cesvi argentino, o primeiro centro de reciclagem começou em 2004 e atingiu os objetivos ao reduzir a poluição ambiental, aumentar empregos formais e criar um mercado oficial de peças reutilizáveis. No Brasil existem outras dificuldades, entre elas a obrigatoriedade de utilização apenas de peças originais novas na reparação de veículos sinistrados cobertos por seguro. Uma lei estadual em São Paulo, de maio deste ano, tornou obrigatório a gravação dos 17 caracteres do número do chassi em peças usadas ou recondicionadas colocadas à venda, o que inibe o crime, mas não resolve o alto custo das peças que tanto encarece o seguro.
A reciclagem de veículos, para se viabilizar aqui, precisa de mudanças na legislação específica e até a criação de certificados de destruição, quando não é possível, do ponto de visto técnico, qualquer tentativa de conserto. Hoje continua a prática lamentável de utilização de documentos de veículos irrecuperáveis para "esquentar" o produto de roubos e furtos.
O arcabouço jurídico já existente na Argentina pode ser o ponto de partida e está à mão. E com a criatividade brasileira, introduzir novos conceitos, como seguro popular (utilizando na reparação peças usadas sem função estrutural ou de segurança) e apólice verde (para quem valoriza componentes reciclados). Sem essas ajudas, fica difícil levar adiante a solução óbvia da reciclagem.
Roda Viva
ENTRE as conversas aparentemente descartadas sobre consolidação das marcas europeias está a especulada aliança ou mesmo fusão entre BMW e PSA Peugeot Citroën. O imbróglio do futuro da Opel, subsidiária alemã da GM, ainda pode passar pela oferta recente em dinheiro da chinesa Beijing Automotive. Magna, no entanto, está mais forte no páreo. A Fiat continua só vendo...
STRADA Adventure cabine dupla tem entre os destaques, além da solução como produto original de fábrica, o trabalho correto no acerto das suspensões e a solução estética das janelas laterais traseiras. Visão de ¾ de traseira não ficou tão equilibrada pela caçamba curta demais para o comprimento total sem alteração. Ainda assim volume para bagagem é 120 litros superior à Palio Weekend.
SISTEMA de bloqueio mecânico do diferencial, de série em toda a linha Adventure, agora é opcional (R$ 1.300,00) na nova Strada, precificando algo que poucos usam na prática. Fiat afirma que o banco traseiro acomoda bem duas pessoas de até 1,75 m, porém traz desconforto para quem se enquadra nesse biótipo. Atrás, só em rápidos deslocamentos urbanos.
APESAR de a Hyundai classificar o câmbio do médio-compacto i30 como “multimarchas de trocas imperceptíveis”, trata-se de uma caixa de câmbio automática convencional de quatro marchas. Nem mesmo é o caso do tipo CVT (Transmissão Continuamente Variável, em inglês), em que o sistema de polias e correia substitui as engrenagens. O que, aliás, muita gente não gosta.
KIT da DSW para assistir TV digital no carro inclui monitor LCD por cerca de R$ 950,00. Monitor avulso sai por cerca de R$ 350,00, mas ambos devem permanecer no campo visual de quem senta na segunda e eventual terceira fileira de bancos.
Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.
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