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OPINIÃO
28/07/2009 - 19h33
Alta Roda
Muito barulho por nada
Brasil se prepara para ampliar a utilização do GPS
por FERNANDO CALMON

Fernando Calmon - foto Divulgação

O Brasil se prepara para ampliar a utilização do GPS (Sistema de Posicionamento Global, em inglês) de forma acelerada. Em transportes terrestres, a sigla se tornou conhecida pelos navegadores, que logo se tornaram objetos de desejo, apesar do preço elevado. Modelos portáteis mais simples são vendidos, hoje, na faixa dos R$ 300, porém os mais sofisticados beiram os R$ 2.000. Falta um empurrão na demanda interna para que os aparelhos passem a ser fabricados aqui e caiam de preço.

O sistema GPS foi montado pelos EUA e inclui uma constelação de 24 a 32 satélites, com cobertura mundial. Recentemente surgiram notícias que o sistema estaria prejudicado, em breve, por falhas dos satélites mais antigos. Especialistas descartam a possibilidade ao considerar que há concorrência dos russos, além de europeus e chineses.

Outra sigla passará a ser citada com frequência. LBS (em inglês, serviços baseados em localização) fará parte do dia a dia dos motoristas em várias aplicações. O tema é tão amplo que levou a Reed-Alcântara a organizar, semana passada, em São Paulo, a 2ª EXPOGPS (Feira e Congresso Latino-Americano de Localização e Rastreamento).

Entre os palestrantes, Ricardo Takahira, da Magneti Marelli, ressaltou que "telemática e navegação permitem um roteiro tão rico em inovações que ideias e implementações já se confundem nos automóveis". Algumas citadas por ele: chamadas de emergência automáticas em acidentes, telediagnose mecânica e eletrônica, seguro pago pela distância real percorrida, sistemas de carona, serviços de pedágio, estacionamento e abastecimento automatizados.

As telas de navegadores com mapas eletrônicos tridimensionais também dão acesso completo à internet, navegação intercarros, auxílio às manobras, reconhecimento de sinais de trânsito, informações climáticas e de congestionamentos. É possível até calcular e sugerir a rota com menor consumo de combustível.

Na conferência de Antônio Calmon Leite, do Denatran, se anunciou o adiamento da inclusão em todos os veículos novos, nacionais e importados, do sistema de bloqueio e localização para os casos de furto e roubo. A polêmica Resolução 245, do Contran, começaria a valer em agosto e, agora, só em fevereiro de 2010. Nesses seis meses, entre 600 e 1.000 veículos de fabricantes e prestadores de serviços diretamente envolvidos vão testar, na vida real, a confiabilidade do sistema.

O imbróglio ainda persiste. A Justiça impediu, liminarmente, localização ou rastreamento por meio de dispositivos instalados de forma compulsória em carros, picapes, furgões, caminhões e motos. Porém, permitiu o bloqueio remoto. O Denatran alega que o GPS sai inibido de fábrica e cabe ao motorista contratar, se desejar, a ativação e o serviço. Especialista consultado pela coluna afirma que a localização pode ser feita, dado os controles fracos no Brasil.

Se o Contran perder no campo jurídico, de pouco valerá o bloqueio sem se localizar o veículo via GPS e rede telefônica celular. Terá havido muito barulho por nada. Nem o representante das seguradoras, Ademar Fujii, revelou entusiasmo pelo projeto. Apenas desejou que diminuam os mais de 360 mil casos de furto e roubo por ano.

Roda viva

VOLKSWAGEN
confirmou o plano de investir US$ 1 bilhão no México para ampliar a fábrica de Puebla e lançar um sedã médio-compacto para venda nas Américas. Deverá substituir o Bora que se baseia no Golf IV fabricado no Paraná. Fonte mexicana indica ser possível a nova versão Seat Toledo, mesmo sem atratividade da marca espanhola fora da Europa.

SERÁ bom observar as vendas do novo Kia Soul. Trata-se de hatch diferente, um crossover com traços de multivan e SUV. Possui um motor de 1,6 l/124 cv, de desempenho muito bom e direção elétrica firme em estrada e macia em uso urbano. Espaço para cabeça e pernas no banco traseiro surpreende. Reverbera ruídos internamente por ser um caixa de aço com chapas de grande superfície

PAJERO Dakar (nome só existe aqui) tailandesa compartilha chassi com a picape L200 Triton e tem 2 lugares a mais que a versão Pajero Sport produzida em Catalão. Vem recheada de equipamentos por até R$ 160.000,00. Bancos deslizantes também na fileira do meio, acabamento superior e vários porta-objetos são destaques. Muito bom o diâmetro de giro em curvas apertadas e manobras.

SUBSTITUIR lâmpada de farol de 50 W por outra de 100 W (proibida) não melhora a visibilidade e aumenta o ofuscamento de outros motoristas, explica a Faróis Nino. Importa para ver melhor o número de lumens da lâmpada, que não depende só de maior corrente elétrica. Há possibilidade de sobrecarga no sistema elétrico do carro e de tornar foscos os refletores.

BOA iniciativa da Castrol e do Senai-SP dentro do Projeto Jovem Trocador para estudantes da rede pública. Em três semanas capacita interessados em visão geral sobre mecânica e lubrificação automotiva. Além do certificado, os alunos ganham prioridade no banco de dados de mão de obra para a rede Auto Service da companhia.

Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.

leia mais COLUNA ANTERIOR: O que a história nos ensina.

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