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OPINIÃO
25/08/2009 - 14h42
Alta Roda
Agilidade chinesa
Uma avaliação mais cuidadosa da jovem Chery no Brasil
por FERNANDO CALMON

Fernando Calmon - foto Divulgação

A chegada ao mercado brasileiro da primeira marca chinesa com pretensões de superar o papel de coadjuvante merece avaliação cuidadosa. A Chery é uma automobilística jovem (começou em 2000), a maior entre as de capital 100% chinês. Atua tanto no mercado interno, como externo. Em pouco tempo construiu 11 instalações industriais em dez países, exporta para mais de 70, porém para nenhum do chamado Primeiro Mundo. Isso não a impediu de negociar com a velha Chrysler para produzir um modelo na China e exportá-lo aos EUA. O projeto foi cancelado.

Instalada no Uruguai em sociedade com o grupo argentino Macri, começa a vender agora o utilitário esporte compacto Tiggo. Embora se caracterize a operação de simples montagem, as regras do Mercosul permitem a exportação ao Brasil sem o pagamento do pesado imposto de importação de 35%. Explica o preço muito bom de R$ 50 mil para um modelo completo, motor de 2 litros/135 cv, airbags duplos frontais, freios ABS, coluna de direção regulável, trio elétrico e vários outros itens. O EcoSport equivalente é cerca de 30% mais caro. Terá também versão 4x4 e câmbio automático.

Segundo o importador, Grupo JLJ, de Salto (SP), virá outro modelo do Uruguai, o monovolume Face por R$ 30 mil, em outubro. Da China, pagando imposto de 35%, chegarão o subcompacto QQ, por R$ 23 mil, e um médio compacto (sedã e hatch), por R$ 43 mil, nome ainda a definir. Em 2010, pretende dispor de uma rede de mais de 70 concessionárias e vender, no total, 10.000 unidades, ou 0,5% do mercado de automóveis, stations, minivans e SUVs. Números bem acima de outras três marcas chinesas operando aqui.

A Chery buscou tecnologia de chassi com a inglesa Lotus e de motor, com a austríaca Acteco. Em rápida avaliação, o Tiggo mostrou um conjunto razoável: suspensões aparentemente robustas (algo ruidosas) e um motor sem grande brilho, apenas suficiente. O rodar é aceitável, câmbio tem bons engates, mas o interior emite muito ruído de plástico. Há menos falhas de acabamento do que se poderia supor. Parafusos aparentes e aspecto de fragilidade de alguns componentes merecem críticas. O encosto bipartido do banco traseiro pode se inclinar em quatro posições.

Intenções da Chery, no Brasil, medem-se pela possibilidade de construir uma fábrica. Luís Curi, executivo da JLJ, ressalva que a decisão ainda depende de estudos, porém rumores indicam que está confirmada. A empresa ressalta que o Tiggo e outros modelos foram aprovados em testes de colisão contra barreira no programa chinês de segurança. Não se submeteram, ainda, aos testes da Europa e EUA e isso explica, em parte, seu preço baixo. Modificações técnicas no produto, melhoria na qualidade e o inexorável aumento futuro no custo da mão-de-obra vão pesar na previsão de que chineses alcançarão o topo mais rápido do que japoneses e coreanos.

Parecem, no entanto, mais ágeis que estes. Garantem que antes do final do ano oferecerão os primeiros motores flex, desenvolvidos por fornecedor brasileiro. Trata-se de um pormenor, talvez nem alcancem o ajuste fino, mas se movimentaram com desenvoltura frente a rivais orientais e até alguns ocidentais de longa tradição.

Roda viva

COMEÇAM nesta semana, finalmente, as obras da nova fábrica da Toyota, em Sorocaba (SP). Dessa segunda unidade brasileira sairá o primeiro compacto nacional da marca japonesa. O projeto atrasou e só será concluído em 2011. Trata-se de um carro todo novo, de custo inferior ao Yaris, produzido na França.

GM descarta fabricar aqui um subcompacto, como Kia Picanto ou Chery QQ. Spark, produzido pela subsidiária Daewoo, na Coreia do Sul, alcançaria preço alto para importação. Também nenhum modelo de custo ultrabaixo, como o Tata Nano, está nos planos. Indianos continuam incentivando a Fiat a importar o pequeno carro, mas Betim ainda resiste ao canto de sereia.

NOVO Cerato mostra evolução acima do esperado em relação à geração anterior. Oferecido pela Kia a partir de R$ 50 mil, mira preferencialmente Civic e Corolla. Motor de 1,6 l/126 cv o deixa em desvantagem frente aos japoneses, longe, porém, de parecer lento. Pontos altos: estilo frontal, volume/acesso ao porta-malas e espaço interno. Suspensões e câmbio, na medida certa.

MINISTÉRIO do Meio Ambiente deve anunciar em outubro o programa de inspeção ambiental para as grandes regiões metropolitanas. Inspirado na experiência da cidade de São Paulo, espera-se que o governo federal não cometa o erro de exigir que carros com menos de três anos de uso sejam inspecionados sem a menor necessidade. Perda de tempo e de dinheiro inadmissíveis.

DENTRO de um a dois meses a Philips oferecerá nas lojas lanternas diurnas de LED (diodos de luz) que passarão a ser obrigatórias na Europa a partir de 2011. É um acessório útil para a segurança do trânsito. O par dessas peças importadas deve custar em torno de R$ 300. Bem mais barato que o kit de faróis de xenônio e sem as controvertidas adaptações.

Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.

leia mais COLUNA ANTERIOR: Autopeças fora do controle.

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