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OPINIÃO
15/09/2009 - 16h58
Alta Roda
Negligência na manutenção
São 5 milhões de carros de mais de 100 mil km circulando sem cuidados
por FERNANDO CALMON

Fernando Calmon - foto Divulgação

A tendência de negligenciar na manutenção do carro à medida que fica mais velho é bastante conhecida no Brasil. Além de fatores econômicos, pois diminui o poder aquisitivo dos proprietários de unidades mais antigas, há ainda influências culturais. Nem todos percebem o risco para a segurança – própria e de terceiros –, o grau de perturbação no fluxo de trânsito causado por pane evitável e muito menos as vantagens de fazer manutenção preventiva (revisão, troca de óleo filtros, etc) sobre a manutenção corretiva (específica para um conserto).

Existe também certo viés de preguiça envolvido. Em parte porque o tempo livre anda tão escasso que as pessoas vão adiando o momento de ir à oficina. Nem sempre o automóvel dá sinal evidente sobre problema iminente, porém mesmo quando ocorre, o proprietário às vezes prefere apostar na sorte e rodar mais um pouco. A insistência costuma não dar certo.

No entanto, uma pequena melhora nesse quadro vem sendo observada pela empresa internacional Gipa (Grupo Interprofissional de Produtos e Serviços do Automóvel). Tomando 2008 contra 2007, as visitas ao reparador por motivos específicos (não revisão) aumentam 0,5% em relação ao ano passado, enquanto as preventivas cresceram 5,9%. E tem sido assim desde 2002, reflexo da recuperação do poder aquistivo.

Outros dados da pesquisa entre 4.000 proprietários: apenas um terço com carros de 20 anos de idade ou mais opta por revisões regulares; 42% dos donos de automóveis até dois anos frequentam oficinas de concessionárias (caem para 1%, de dez a 15 anos); além do preço do serviço, como critérios de escolha do local, nos últimos anos, vêm caindo confiança e atendimento e subindo proximidade e rapidez. Isso explica por que vários fabricantes, em conjunto com suas redes de concessionárias, iniciaram programas expressos de manutenção (com hora marcada e tempo fixo), acompanhados por tabelas atrativas de preços. Em razão do aumento de concorrência quem ganha é o consumidor.

O que mais preocupa o GMA (Grupo de Manutenção Automotiva, reúne do fornecedor de autopeças ao reparador) é que apenas 40% dos veículos entre dez e 15 anos de idade passam por revisões. São cerca de 5 milhões de carros com média acima de 100 mil quilômetros rodados, circulando sem cuidados devidos e mais sujeitos a panes e problemas de poluição.

Em 1º de janeiro de 2010, o Brasil inicia – com atraso de uma década em relação aos países centrais – a adoção do OBD (do inglês, diagnóstico a bordo): 40% da produção no primeiro ano e o restante em 2011. Por meio de duas sondas de oxigênio, antes e depois do catalisador, e a central eletrônica uma lâmpada no painel indicará se o motor está dentro dos padrões de emissões previstos pela legislação. Em teoria o sistema poderia ordenar até o corte gradual de potência do motor, estimulando o motorista a procurar manutenção. Por outro lado, as inspeções ambientais ficariam bastante simplificadas, menos sujeitas a fraudes e eventualmente mais baratas.

Indo a uma oficina de forma quase compulsória, supostamente o motorista cuidaria de outros itens de segurança e prevenção regular. Motivo de comemoração para todos.

Roda viva

NOVA
S10 roda em ritmo mais lento, para 2011/12. Brasil será o principal responsável pela nova picape média do Grupo GM. Nos EUA, a empresa vai decidir se produzirá lá, importará do Brasil ou desiste do segmento. Boa parte das picapes médias vem sendo trocada por automóveis, stations ou minivans. Ajuda a baixar o consumo médio de combustível, exigência do governo.

DEPRESSÃO do mercado americano está levando a uma situação inédita nas últimas décadas. Se confirmadas vendas de apenas 10 milhões de unidades em 2009, não dariam conta nem de substituir os 12 milhões de veículos sucateados todos os anos (cerca de 5% de uma frota mastodôntica de 250 milhões). Um recuo inédito de veículos em circulação.

PEUGEOT 207 Escapade traz preço atraente, embora tenha perdido os freios ABS de série. Evolução marcante no acerto das suspensões, pois mesmo ligeiramente elevadas transmitem segurança a quem dirige. Boa também a posição ao volante, mas o porta-malas de 313 litros é inadequado. Surpresa ao trocar gasolina por etanol: o motor se anima bem mais do que outros.

CADASTRO positivo, em fase final de aprovação pelo Congresso, trará queda de juros em médio e longo prazo. No financiamento de automóveis, o reflexo será menor. Isso porque o grau de informações sobre clientes do setor está mais consolidado, os riscos da operação são naturalmente menores e garantidos pelo bem. Mesmo assim, será muito bem-vindo.

TRABALHOS de conclusão de curso de alunos de Design e Mobilidade, da faculdade Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), de São Paulo, foram avaliados por profissionais dos centros de estilos brasileiros da Fiat, Ford, Renault e VW. Maioria dos projetos visava a modelos compactos, médios e esportivos com diferentes meios de propulsão. Criatividade em alta entre estudantes.

Fernando Calmon
é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista
aqui.

leia mais COLUNA ANTERIOR: A corrida pela inovação.

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