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| 20/10/2009 - 15h40 |
| Alta Roda |
| Melhor do que a encomenda |
| Seminário deu uma ideia do panorama para 2010 |
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| por FERNANDO CALMON |
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 O ano de 2009, em termos de vendas de automóveis ao mercado interno, vai sair melhor do que a encomenda. Serão mais de 3 milhões de unidades, incluindo veículos comerciais. Cerca de 7% de crescimento.
O Brasil passou por teste de fogo ao suportar a crise internacional com apenas dois trimestres de recessão. O terrível passado inflacionário deixou um legado muito ruim que, curiosamente, criou possibilidades de manobra. Assim o país pôde cortar juros, depósitos compulsórios e impostos com melhores resultados do que outros, que já tinham histórico desses indicadores em nível saudável. Para estimular o mercado automobilístico, nada mais eficiente.
Nem tudo correu bem. As exportações em 2009 pela primeira vez podem ser inferiores às importações. Forçou um recuo da produção e de empregos no setor. Porém a maior parte das importações vem da Argentina, com grande conteúdo de componentes brasileiros.
Mas o que esperar do próximo ano? No seminário Autodata Perspectivas 2010, realizado na semana passada, em São Paulo, prevaleceu o otimismo. A maioria dos executivos palestrantes aposta em crescimento de 5% a 6%, em relação ao recorde de vendas internas de 2009. Algo bastante positivo, pois o estímulo de redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) acaba em 1º de janeiro.
Por outro lado, a inadimplência já começou a encolher, o que estimula a diminuição das taxas de juros dos financiamentos. O maior suporte em 2010, no entanto, virá do crescimento da economia em torno dos 5%. Só os dois primeiros meses do ano serão difíceis, pelo movimento de antecipação de compras para aproveitar o desconto no imposto ao longo de 2009.
Persistirão as dificuldades de exportar. Jackson Schneider, da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), voltou a pedir a definição de um modelo industrial que "privilegie a produção nacional e não nos leve a ser apenas compradores de veículos importados". Entre outros desafios, Rogélio Golfarb, da Ford, lembrou a escalada de novas regulamentações de segurança e emissões nos próximos anos. "Haverá aumentos de custo e peso dos veículos", lembrou. Para 2010 espera avanço do mercado interno de 5%.
Jaime Ardila, presidente da GMB, preferiu a cautela. Apesar de reconhecer que a confiança do consumidor está em alta e a economia em expansão, acha que as vendas de 2010 estarão no mesmo nível de 2009. A Fiat prevê evolução entre 1% e 5% no próximo ano. Seu diretor comercial, Lélio Ramos, está otimista para os anos seguintes: "Investimentos em transporte de massa, como os previstos nas grandes cidades, também impulsionam a venda de carros. O trânsito melhora e estimula o uso racional pelos motoristas".
O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, acredita no crescimento do mercado total, em 2010, de 3% a 6%. Foi incisivo sobre o futuro: "Até 2014 o Brasil pode chegar a comprar 4,2 milhões de veículos/ano, incluindo os comerciais, algo como 40% sobre 2009. E seremos muito fortes em carros pequenos e biocombustíveis". Na realidade criou o clima para os novos investimentos da empresa que seriam anunciados já esta semana.
A partir dessa escala produtiva, o consumidor brasileiro teria condições de adquirir modelos mais atuais, a bom preço e capazes de competir no exterior.
Roda viva
NOVA picape Chevrolet S10 terá chassi baseado na Isuzu D-Max, ainda refletindo antigas ligações societárias entre a GM e o fabricante japonês. Com o fim da parceria e as dificuldades financeiras da "velha" GM, a filial brasileira assumiu mais responsabilidades no projeto. Assim o Blazer, SUV derivado da S10, será de inteira responsabilidade do Brasil. Lançamentos em 2011.
ASSOCIAÇÃO de importadores independentes (Abeiva) reestimou para cima – 40 mil unidades – as vendas deste ano. Por enquanto são 16 as marcas vinculadas à entidade, todas sem fábricas no Brasil. E mais três devem se associar até o fim do ano: Lamborghini, Mini e Volvo. Rumores dão conta que a Audi também poderá integrar os quadros da entidade.
VERSÃO do Polo com câmbio manual automatizado – a I-Motion – cumpre bem o papel no dia a dia de trânsito pesado. Trocas de marchas são menos suaves e mais lentas do que em um automático convencional. VW acertou ao reduzir as relações de segunda, terceira e quarta marchas para atenuar certo desconforto observado em outros carros com a mesma solução.
FABRICANTES de películas escurecedoras, que formam lobby poderoso no Congresso, sofreram outro, entre vários reveses. Em audiência na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, o Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) reafirmou os riscos das películas nos vidros dianteiros quanto à visibilidade noturna. Estão proibidas, mas a fiscalização não começou.
COMO marco do cinquentenário de fundação nos EUA, o Instituto das Seguradoras para Segurança Rodoviária executou teste de colisão entre os Chevrolets Belair 1959 e Malibu 2009. O boneco no carro de meio século atrás sofreu ferimentos fatais. Imagens impressionantes podem ser vistas na internet em www.iihs.org/50th/default.html.
Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.
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