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OPINIÃO
03/11/2009 - 17h17
Alta Roda
Maturidade posta à prova
No caso do motor 1.0 da VW, o respeito ao consumidor prevaleceu
por FERNANDO CALMON

Fernando Calmon - foto Divulgação

A maturidade da indústria automobilística no Brasil foi posta à prova no lançamento do Fox reformulado, em Brasília (DF). Sem modificações importantes desde seu lançamento, em 2003, a Volkswagen preparou um evento de proporções até maiores do que a sua primeira apresentação, em Curitiba (PR). O carro sofreu alguns reveses técnicos e passou por convocações para reparos em itens de segurança. Um deles, envolvendo uma argola perigosa para os dedos ao rebater o banco traseiro em junho de 2008, foi mal conduzida em termos de comunicação. Ainda assim, o modelo – único exportado atualmente para a Europa – vinha se mantendo como quinto mais vendido no país, em árdua disputa com o Siena.

O que fazer frente à imprensa ávida por esclarecimentos quanto a problemas de ruídos e quebras em cerca de 300 unidades do motor VHT, de 1 litro, do Fox anterior e também do novo Gol e do Voyage? O economista Thomas Schmall, presidente da VW do Brasil, deu exemplo de transparência em meio à superapresentação. Pediu 24 horas para explicar as providências em andamento: era feriado em Brasília e deveria comunicar ao governo.

No dia seguinte, após a avaliação do novo Fox, informou-se aos jornalistas que a fábrica reconheceu falhas de lubrificação, trocaria especificações do óleo sintético (teoricamente o melhor) de cerca de 400 mil unidades dos três modelos, providenciaria extensão de garantia do motor de três para quatro anos e carro-reserva para os proprietários afetados.

Para quem cobre o setor há mais de 42 anos, foi uma situação jamais vista pela coincidência infeliz. O respeito ao consumidor prevaleceu. Resposta à altura não poderia ser diferente, embora no passado fabricantes agissem de outra forma.

Em relação ao produto em si, o novo Fox reúne tudo para uma trajetória ascendente. Introduz no Brasil a atraente nova linha de estilo frontal global da VW. Para-choques dianteiro e traseiro, bem como lanternas traseiras, receberam retoques. Ganhou presença e modernidade. Grande evolução ocorreu no interior graças aos novos quadro de instrumentos, painel e materiais superiores de acabamento. O volante de comandos integrados (opcional) é igual ao do Passat CC.

Chegam agora teto solar, sensores de estacionamento, chuva e faróis, computador de bordo, espelho interno fotocrômico e abertura elétrica porta-malas, entre outras opções. Foram adicionados porta-luvas e luzes de leitura traseiras individuais (versões superiores). Pneus 195/55 R15 e chave de ignição tipo canivete são de série em todos, diferenciando-se frente a rivais como Agile e Sandero. Os preços foram mantidos (R$ 30 mil a R$ 43 mil).

A caixa de câmbio automatizada por R$ 2.600, cerca de metade do valor de uma automática convencional, é boa escolha nesses tempos de trânsito difícil. Disponível apenas com o vigoroso motor 1.6 litro/104 cv, tem acerto próprio da marca. Trocas de marcha são melhores do que nos concorrentes, em especial no modo esporte. O motor de 1 litro, embora o de maior torque do mercado (10,6 kgfm) nessa cilindrada, sofre em razão dos 70 kg extras em relação ao Gol. Também demonstra uniformidade insossa ao subir rotações.

Roda viva

EMPRESÁRIO
Sérgio Habib, cuja rede de concessionárias responde por 50% das vendas da Citroën no Brasil, expandirá atividades de importador independente. Representante Jaguar, trará a também inglesa Aston Martin, celebrizada pelo agente 007, do cinema. Do jeito que fala sobre BYD, em conversa informal, esses carros chineses devem chegar já em 2010. Por suas mãos.

CARROS mais antigos podem receber menos estímulos para circular, se depender do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Com propriedade, assinalou que o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) regressivo segue na contramão do mundo. A coluna sugere: a partir de seis ou sete anos de uso o imposto pararia de cair, desde que agregado a financiamento para sucatear e modernizar a frota.

ESPAÇO interno limitado para o seu porte (em especial, atrás) e para-brisa que dificulta um pouco da visão vertical. Ainda assim, Ranger de cabine dupla ganhou fôlego em termos de estilo e equipamentos para suportar os dois anos até o novo modelo. Versão a gasolina (ideal seria flex), 2,3 l/150 cv não é lenta. Parte de R$ 55 mil, nível atrativo na faixa das picapes médias.

MATERIAIS alternativos continuam prioritários nas pesquisas da Plascar. Folhas de bananeira podem originar laterais de portas, elementos de painel interno e até para-choques; garrafas PET se transformariam em carpetes. Empresa tem avançado na proposta de rodas de plástico para automóveis. E, mais abrangente, sugere polímeros como material para rodas de motos.

LEITOR Rodrigo Souza contesta a real utilidade do extintor nos carros modernos. "Só serve para esquecer do prazo de validade, levar multa ou trocar periodicamente algo que nem sequer se sabe como utilizar". Ele tem razão. Nos países preocupados com segurança no trânsito não é obrigatório. Estorvo inútil.

Fernando Calmon
é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista
aqui.

leia mais COLUNA ANTERIOR: Uma marca genuinamente nacional.

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