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REPORTAGEM
COMPACTO
Injustiçado, Clio é equipado com um dos mais potentes 1.0
Uma geração atrasado em relação ao europeu, modelo é só o 21º mais vendido
por LUÍS PEREZ

Luís Perez
Renault Clio 1.0 16V versão Privilège: ótimo desempenho entre os flex "mil"

Na humilde opinião deste repórter, o Renault Clio é um automóvel injustiçado. Fabricado em São José dos Pinhais (PR) e lançado no Brasil em novembro de 1999, o carrinho tem ótimo acabamento e desempenho superior a veículos do seu porte. Por que então ele aparece apenas na 21ª colocação no ranking de licenciamento brasileiro, enquanto concorrentes diretos seus estão nas cinco primeiras posições?

De minha parte, existe uma certa memória afetiva para gostar do Clio. Primeiro que tive um – era cedido pela empresa em que trabalhava. Segundo que era interessante, nos idos de 2001, ver uma montadora recém-chegada mordiscar os calcanhares de uma aflita quarta colocada Ford, em uma era pré-EcoSport. Naquele mesmo ano o Clio era reestilizado na Europa, mudança que levou dois anos para chegar aqui. Mais dois anos se passaram e chegou a uma nova geração na França – o que não ocorreu no Brasil até hoje nem tem previsão para tal.

Luís Perez
Criatividade: tampa do porta-malas mais "limpa" na falta de nova versão

Esse baixo investimento, até compreensível pelo fato de o mercado latino-americano ser mesmo pobre, explica em grande parte o fato de um compacto como o Clio perder até para modelos bem mais caros, como Honda Civic e Fit, Toyota Corolla, Chevrolet Vectra, Peugeot 206, Fiat Idea, Citroën C3 e tantos outros.

Luís Perez
Acabamento interior esmerado sempre foi um dos pontos fortes do modelo

Vale lembrar que, nos primeiros tempos de Brasil, a Renault era a única a oferecer airbag duplo de série. Ou seja, absolutamente todos os carros que saíam de sua linha vinham bom a providencial bolsa inflável. Avaliado por Interpress Motor na última semana, o modelo mostrou que ainda tem fôlego para competir – afinal de contas, os projetos de Volkswagen Gol e Fiat Palio não são assim tão mais novos...

Prova maior de que o brasileiro tenta contornar situações difíceis com criatividade é o desenho marcante, sobretudo da tampa traseira, muito mais “limpa”, em que a parte central do logotipo da marca francesa faz as vezes de maçaneta de abertura. Essa é a maior mudança externa, que faz o pára-choque incorporar a fixação e a iluminação da placa traseira. Por falar em pára-choques, eles são novos na dianteira e na traseira, o que fez com que o modelo ficasse cerca de 4 cm mais comprido. Também são pintados na mesma cor da carroceria.

Luís Perez
Silhueta do Clio é a mesma desde que foi lançado aqui, em novembro de 1999

As boas surpresas, no entanto, ficam por conta do interior. Ponto forte da Renault desde sua chegada ao país é o ótimo acabamento interno. Não escapa nem a esmerada costura do volante – e olhe que estamos falando de um modelo “mil”. Velha reivindicação dos clientes, o acionamento dos vidros elétricos agora estão instalados nas portas, que também ganharam novos revestimentos internos.

Equipado com motor 1.0 16V Hi-Flex, segundo motor bicombustível produzido pela Renault do Brasil, desenvolve entre 76 cv (só com gasolina) a 77 cv (com álcool) de potência, o que o torna um dos mais rápidos do segmento (só perde para o Chevrolet Corsa, que desenvolve até 79 cv quando abastecido só com álcool). Não é mais do que se precisa para enfrentar o anda-e-pára do trânsito urbano, no qual o mais importante é o torque (força), que chega a 10,2 kgfm.

Luís Perez
Comando satélite: mudanças no rádio sem tirar as mãos do volante

Um detalhe interessante: o motor funciona com qualquer tipo de gasolina, independentemente da proporção de álcool adicionado – a gasolina brasileira tem 24% de álcool, enquanto os demais países do Mercosul usam gasolina sem álcool.

Em termos de mercado, não se deve tomar como parâmetro a versão desta avaliação, pois estamos falando de um carro 1.0 muitíssimo bem equipado – portanto com preço relativamente alto. É que a Renault cedeu a versão Privilège 1.0 16V Hi-Flex, que já vem de série com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricos, além de airbag e rodas de liga leve. Custa R$ 39.560 e só tem como opcional sistema ABS (antitravamento) de freios. As versões flex mais em conta do Clio, no entanto, começam na faixa dos R$ 27 mil. Ou seja, ainda não consegui entender muito bem a razão desse 21º lugar.

 

FICHA TÉCNICA

Renault Clio Privilège 1.0 16V Hi-Flex

Motor: dianteiro, transversal,

quatro cilindros em linha,

16 válvulas, 999 cm³ de cilindrada
Potência: 76 cv (gasolina) a

77 cv (álcool) a 6.000 rpm

Torque: 10 kgfm (gasolina) a

10,2 kgfm (álcool) a 4.250 rpm
Câmbio: manual, de cinco velocidades

Suspensão: dianteira McPherson, com estabilizador; traseira com rodas semi-independentes

Freios: a disco na dianteira e
a
tambor na traseira

Dimensões: 3,82 m de comprimento; 1,64 m de largura; 1,42 m de altura; 2,47 m de entreeixos

Tanque: 50 litros
Porta-malas: 255 litros

Preço: R$ 39.560

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Publicado em 15/06/2006

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