 A fisioterapeuta Gabriela Correia posa no teto solar do Volkswagen New Beetle
Tão logo avista o New Beetle vermelho, a fisioterapeuta Gabriela Correia, 23 anos, arregala os olhos e abre um sorriso. “Nossa, é muito lindo!”, afirma, enquanto dá uma volta ao redor desse carrinho que a Volkswagen desenvolveu inspirada no antigo Fusca. Assim como acontece à maioria dos brasileiros, o velho besouro também faz parte da memória afetiva de Gabriela.
“Passei a infância no Fusca branco da minha tia. Era tão pequena que cabia naquele buraco atrás do banco do passageiro”, lembra ela, que nesta semana realizou o sonho de dirigir o Beetle porque escreveu para a seção “Test-dream”, de Interpress Motor. “Minha tia enchia o carro de crianças. Eram três no banco de trás e duas no famoso buraco”, conta a fisioterapeuta.
 Dentro do carro, ela se sente à vontade e elogia os vários porta-objetos
“De longe é meu automóvel dos sonhos. Até agora, só o havia visto em fotos. A partir de amanhã, vou começar a fazer uma poupança para comprar um igualzinho a este”, afirmou, enquanto começava as voltas pela zona sul de São Paulo. Ao fazer uma curva, vê o motorista de um sedã da Mercedes-Benz fazer contorcionismos para admirar o carro. “Olha só: um tiozinho de Mercedes louco pelo Beetle.”
 O Beetle vendido no Brasil vem bem equipado e traz motor 2.0 de 116 cv
Até então, era de imaginar que o motorista estivesse admirando Gabriela, que para a ocasião havia preparado uma de suas melhores roupas, um vestidinho azul que proporcionava um belo contraste com a carroceria “vermelho Salsa” do Beetle. Só que a tese caía por terra quando se passava pelas mulheres, que também não escondiam os olhares de admiração. O que não falta pelo trajeto são Fuscas. Só que dos antigos, daqueles que, calcula-se ainda uma frota de 2 milhões de unidades.
Gabriela então erra o caminho. “Ih, juro que não é para ficar mais tempo com o carro”, desculpa-se. Difícil de acreditar, mas tudo bem. É que a fisioterapeuta parece não querer mesmo desgrudar do carrinho. “Este modelo muda completamente o conceito que eu tinha da Volkswagen. Achei que ela não fosse capaz de fazer tão bem um automóvel para mulheres. Não que o Beetle seja para mulheres, mas ele tem um monte de detalhes, a começar pelos porta-objetos, que a gente adora.”
 Gabriela mostra detalhes nostálgicos: a luz interna e a alça de segurança
Fabricado em Puebla, no México, o New Beetle é raro por aqui. Ainda mais vermelho. A versão dirigida por Gabriela, que inclui câmbio automático, custa US$ 26.480 (cerca de R$ 60 mil) e vem superequipada, inclusive com os opcionais banco de couro e teto solar elétrico. “Pensei que fosse mais caro. Agora é que vou ter um mesmo”, afirma.
Traz também rodas de liga leve aro 16, ar-condicionado, direção hidráulica, coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, toca-CDs com função MP3, freios com sistema ABS (antitravamento), seis airbags (frontais, laterais e de cabeça), controlador de velocidade, retrovisores externos com pisca lateral incorporado (“Muito lindo!”, exclama Gabriela), faróis de milha e lanterna traseira de neblina, brake-light, trio elétrico e descansa-braço central dianteiro com porta-objetos. Ela adorou também o aquecimento de bancos, disponível para motorista e passageiro. “Ainda mais para mim, que sou friorenta”.
 Fabricada no México, versão com câmbio automático custa cerca de R$ 60 mil
Desenhado nos estúdios da Volkswagen da Califórnia (EUA) e apresentado pela primeira vez como carro-conceito no Salão de Detroit de 1994, o Beetle – que chega ao Brasil com motor 2.0 a gasolina capaz de desenvolver 116 cv (cavalos) de potência – revela em alguns detalhes curiosos o parentesco com seu antepassado. Um deles é a alça interna em que as pessoas se seguram (aqui apelidada de um nome que mais é uma interjeição). Outra é a luz interna, bem parecida com a do original. O Fusca moderno, no entanto, tem motor na dianteira e porta-malas na traseira.
Gabriela enfim chega ao destino, no bairro do Morumbi, tecendo os últimos elogios à suspensão (“Senti muito menos os buracos.”) e ao silêncio do motor. “A gente quase não ouve. Às vezes dá a impressão de que o carro morreu.” Só impressão. E também com a sensação de, por alguns instantes, ter sido o centro das atenções. “É um carro perfeito para quem gosta de aparecer.”
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