 O sedã Mégane, fabricado pela Renault em São José dos Pinhais, no Paraná
Não importa o tipo de “orientador de motorista”, se amador (flanelinha) ou profissional (manobrista de estacionamento). O fato é que eles nunca estão satisfeitos com a forma como a gente pára o carro. Podemos fazê-lo do mesmíssimo jeito que o motorista anterior. É só tirar a chave que lá vem ele: “Ei, patrão, não pára assim, não...”. E começa a dar gesticular, dando verdadeiras aulas sobre como estacionar corretamente. Isso aconteceu comigo durante a avaliação do Renault Mégane 1.6 16V num estacionamento do tipo “leve a chave”.
Meio contrariado pela repreensão do manobrista, falei: “Então estacione você”. Estendi-lhe o cartão (sim, o Mégane não tem chave, tem cartão). “Mas cadê a chave?”, perguntou. “É esse cartão”, respondi. Não quis ajudá-lo. Afinal ele é um profissional da arte de estacionar. Ficou uns bons três minutos procurando onde girar o cartão até que abri a porta e mostrei o botão “Start/stop”. Pronto, carro ligado!
 Lanternas de formato triangular na traseira elevada; 520 litros de porta-malas
Na hora de tirar o sedã do lugar, instintivamente ele se virou bem com o freio de mão que se assemelha a um manete de avião. Alheio à necessidade de apertar de novo o botão para desligar o veículo, o manobrista então simplesmente tirou o cartão e me entregou (de novo, como se fosse a chave). Detalhe: não fosse eu ouvir o motor ainda funcionando, o carro ficaria ligado até eu voltar.
Fato é que o Mégane produzido em São José dos Pinhais (PR), que chegou no início do ano para ser um dos protagonistas do agitado mercado de sedãs médios, tem por enquanto decepcionantes números de venda. Em julho, por exemplo, foram emplacadas apenas 539 unidades, número bem inferior ao de rivais como Honda Civic (3.275), Toyota Corolla (2.946) e Chevrolet Vectra (2.276).
 Terror de manobristas inexperientes: em vez de chave, cartão e botão
Uma grande injustiça, pois, além de um design moderno, com capô inclinado e traseira curta e elevada com destaque para as lanternas triangulares, o modelo vai bem de motor. Mesmo na versão 1.6 16V Hi-Flex, a avaliada por Interpress Motor, que desenvolve até 115 cv (cavalos) de potência quando abastecida com álcool, o modelo vai muito bem nas acelerações e retomadas, o que é útil em especial no trânsito urbano – seu torque (força) chega a 16 kgfm já com o motor a 3.750 rpm.
Segundo dados da fábrica, o motor 1.6 faz o carro acelerar de 0 a 100 km/h em um tempo entre 12,5 segundos (abastecido com álcool) e 12,8 segundos (gasolina) e atinge velocidade máxima entre 182 km/h (gasolina) e 186 km/h (álcool). Na cidade o consumo é em média de 11,9 km/l (gasolina) e 8,6 km/l (álcool), enquanto em estrada ele pode alcançar de 11,3 km/l (álcool) e 16,1 km/l (gasolina).
 Freio de mão em forma de manete de avião: outra novidade do modelo
Por dentro o acabamento é esmerado como tem sido o padrão da Renault desde sua chegada ao Brasil, em 1998. O painel de mostradores bastante práticos traz dois tons de cor, e seu material é plástico com textura emborrachada. É curioso o comando circular de temperatura e ventilação – que “invade” as saídas de ar.
Graças ao bom desenho dos bancos, o motorista se encaixa perfeitamente. Seu câmbio oferece engates precisos, sem falar que o volante tem regulagem de altura e profundidade. É também mais um modelo a entrar na era da direção elétrica, que facilita muito na hora de manobrar. A versão avaliada era uma dessas com comando satélite do rádio (permite regular volume, estações ou faixas do CD sem tirar as mãos do volante). Há ainda computador de bordo com sete tipos de informação, incluindo a de quantos quilômetros faltam para a próxima revisão ou troca de óleo.
 Painel de instrumentos funcional: motorista tem todas as informações à mão
Seu porta-malas comporta 520 litros. Ganha de rivais como Honda Civic (340 litros), Fiat Marea (430 litros), Toyota Corolla (437 litros) e Peugeot 307 Sedan (506 litros), mas perde para modelos como Chevrolet Vectra (526 litros), Volkswagen Jetta (527 litros) e Ford Fusion (530 litros). Seu porta-luvas traz dutos de refrigeração e prateleira divisória para pequenos volumes.
São duas as versões de acabamento do Mégane 1.6 16V: a Expression, mais simples, e a Dynamique, mais completa. Já na versão básica o modelo vem com airbag para motorista e passageiro, freios com sistemas ABS (antitravamento) e EBV (distribuição eletrônica da frenagem), direção elétrica, coluna de direção com regulagem e ar-condicionado, entre outros itens. A Dynamique vem ainda com controlador e limitador de velocidade, rodas de liga leve de 16 polegadas e vidros traseiros elétricos.
 Mostradores na cor laranja, como a maioria dos automóveis franceses
Por todas as suas qualidades, fica difícil explicar por que o Mégane é o “lanterninha” dos sedãs. Não faltam teorias mirabolantes. “O carro ficou velho muito rápido”, disse outro dia o diretor de um fabricante concorrente. “Estava na cara que aquele design não iria agradar ao consumidor”, afirmou outro. Há ainda quem defenda que o brasileiro é conservador demais para tantas inovações. Sim, agora é fácil dizer “eu não falei?”. Mas à fria luz dos fatos, o Renault Mégane é um belo automóvel que tem tudo para recuperar o terreno perdido.
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FICHA TÉCNICA
Renault Mégane 1.6 16V Hi-flex Motor: dianteiro, transversal,
quatro cilindros em linha,
16 válvulas, 1.598 cm³ de cilindrada Potência: 110 cv (gasolina) a 115 cv (álcool) a 5.750 rpm
Torque: 15,2 kgfm (gasolina) a 16 kgfm (álcool) a 3.750 rpm Câmbio: manual, de cinco velocidades
Suspensão: dianteira independente tipo McPherson, com estabilizador; traseira com eixo de torção
Freios: a disco nas quatro rodas, com sistema ABS (antitravamento) e EBV (distribuição eletrônica da força de frenagem)
Dimensões: 4,50 m de comprimento; 1,78 m de largura; 1,46 m de altura; 2,69 m
de entreeixos
Peso: 1.200 kg
Tanque: 60 litros Porta-malas: 520 litros
Preços: R$ 54.990 (Expression) e R$ 60.490 (Dynamique) |
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