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REPORTAGEM
AVALIAÇÃO
Mégane 2.0 passa com desenvoltura no teste da estrada
Sedã da Renault equipado com transmissão automática desenvolve 138 cavalos
por RICARDO MUZA

Luís Perez
Versão top de linha do Renault Mégane tem motor 2.0 16V de 138 cavalos

Se existiu um segmento em alta no ano que passou, foi o dos sedãs. Interpress Motor já avaliou vários representantes dessa classe, inclusive o próprio Renault Mégane na versão 1.6 16V, a primeira a ser lançada. Agora tratamos de sair às ruas – e às estradas, em uma viagem de 800 quilômetros pelo interior de São Paulo – com a cereja do bolo da linha, que é a versão top de linha Dynamique com motor 2.0 de 138 cv (cavalos) equipada com câmbio automático.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que esse Mégane, lançado há um ano, é um outro carro, completamente diferente em relação ao anterior, que os brasileiros conheciam. O design é moderno e muito bem resolvido, dando ao modelo linhas discretas e elegantes, capazes de chamar a atenção até mesmo de consumidores mais jovens, teoricamente interessados em veículos mais esportivos.
 
Luís Perez
Versão Dynamique com câmbio automático tem preço a partir de R$ 65.990

Aliás, a mudança foi tão grande que alguns especialistas dizem que até o nome deveria ter sido substituído. Para eles, esse detalhe pode ter contribuído para que as vendas do modelo não atingissem ainda um patamar à altura da evolução. Outra explicação pode estar relacionada com a estratégia. Esta versão mais potente chegou ao mercado apenas no segundo semestre. Isso pode ter frustrado algumas expectativas de consumidores mais exigentes.

Mas falemos da vida a bordo. O conforto oferecido pelo Mégane é total. O banco do motorista, com ajustes de altura e profundidade, junto com apoios laterais, não exigem muito preparo físico para viagens longas. Detalhe importante, ainda mais em tempos de apagão aéreo, quando muita gente opta por utilizar o carro nas férias.

Completam a boa ergonomia as regulagens de altura e profundidade do volante. Isso resultou em pouca fadiga durante a viagem. O espaço interno também é generoso, o que conta pontos, sobretudo quando se fica muito tempo dentro do veículo.

Luís Perez
Traseira do modelo, que é fabricado na planta de São José dos Pinhais (PR)

Seu painel de instrumentos tem a mesma modernidade de design. É completo, permite fácil localização dos instrumentos e a leitura, além de deixar os comandos “na mão”. Quando há dúvidas em relação a funcionamento ou regulagem de algum dos equipamentos, o manual é claro e preciso nas orientações.

O computador de bordo também traz vantagens importantes. Ele fala português e seus dados são informados na forma como estamos acostumados no Brasil (km/l, km/h) e não com metodologias utilizadas em outros países, que requerem cálculos de conversões para obter os resultados. Com isso, os motoristas podem controlar o consumo e entender o regime de rotações, “aprendendo” a dirigir com economia.

O cartão que substitui a chave de ignição – tidos por “especialistas” de plantão como mais um item que causa estranheza ao consumidor brasileiro médio – também não requer grandes aprendizados de utilização. É simples e prático para guardar no bolso. Rapidamente o motorista novato se adapta não só a ele, mas ao formato todo peculiar (lembra instrumentos de um avião) do freio de mão.

Luís Perez
Em vez de chave, há um cartão, que é prático de usar e guardar no bolso

Durante a viagem por algumas que são consideradas as melhores estradas do Brasil, duas situações merecem destaque – as duas na Washington Luís. Primeira: no sentido do interior, passamos por sete praças de pedágio, nas quais deixamos R$ 36,70. Em uma delas, na cidade de Araraquara, foram cobrados R$ 9. Tudo bem se o asfalto fosse “um tapete”. Sem nenhum disfarce (remendo), poucos metros após a cabine e durante quase 10 quilômetros, o piso está todo esburacado, o que revolta quem pagou a taxa absurda. Nem a concessionária faz a manutenção como deveria, nem o governo fiscaliza. Alguma semelhança com o acidente do Metrô? Mera coincidência? 

Valeu, no entanto, para testar a suspensão, que absorveu bem as muitas irregularidades do piso. Foi possível usar bastante a direção hidráulica para desviar dos buracos maiores. Segunda: no percurso de volta, “coincidentemente” no mesmo trecho da mesma rodovia entre as cidades de Matão e Araraquara, no interior de São Paulo, mais algumas surpresas ocorreram. Um forte temporal durante a noite nos obrigou a reduzir a velocidade para aproximadamente 60 km/h em alguns pontos, tamanha a quantidade de água que ficava empoçada nas muitas irregularidades do asfalto. Outro descaso inaceitável e nova cobrança de R$ 9. Pode?!

Dessa vez o teste avaliou os freios com sistema ABS, que também cumpriram bem seu papel, evitando travamento das rodas e aquaplanagem. Outro recurso muito utilizado foi o limpador de pára-brisa com temporizador de quatro velocidades. As diferentes intensidades de chuva ao longo do percurso mostraram ser esse um item de muita utilidade. Na volta à capital paulista, passamos novamente por sete praças de pedágio, “contribuindo” com um pouquinho mais: R$ 40,50.

Luís Perez
Console central inclui controles do ar, do toca-CDs e alavanca de câmbio

Se existiu algo com que não foi preciso se preocupar, foi o carro, que até no consumo fez bonito. Da distância percorrida, 90% foi em estradas, com uma média de consumo (gasolina) de 12,4 km/l (picos de até 16,2 km/l, segundo indicações do computador de bordo). Todo o percurso foi feito dentro dos limites de velocidade, que variaram de 100 km/h a 120 km/h, dependendo da rodovia.

Em caso de ultrapassagem, o motor respondia de forma rápida a leves toques no acelerador, deixando à disposição do motorista todo o torque (força) sem muito esforço. Foi possível rodar a maior parte do tempo em baixas rotações (cerca de 3.000 rpm), exceto em ultrapassagens ou aclives.

Por tudo isso, o Mégane é de fato um veículo muito interessante. Resta torcer para que neste ano ele tenha esse mérito enfim reconhecido, o que não ocorreu em 2006, quando foram emplacadas 6.047 unidades do Mégane, contra 35.336 do Toyota Corolla, 31.357 do Chevrolet Vectra e 29.131 do Honda Civic.


FICHA TÉCNICA

Renault Mégane 2.0 16V
Dynamique automático

Motor: dianteiro, transversal,

quatro cilindros em linha, a gasolina,

16 válvulas, 1.998 cm³ de cilindrada
Potência: 138 cv a 5.500 rpm

Torque: 19,2 kgfm a 3.750 rpm
Câmbio: automático, de quatro velocidades

Suspensão: dianteira independente tipo McPherson, com estabilizador; traseira com eixo de torção

Freios: a disco nas quatro rodas, com sistema ABS (antitravamento) Dimensões: 4,50 m de comprimento; 1,78 m de largura; 1,46 m de altura; 2,69 m de entreeixos

Tanque: 60 litros
Porta-malas: 520 litros

Preço: R$ 65.990

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

Publicado em 17/01/2007

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