 Versão top de linha do Renault Mégane tem motor 2.0 16V de 138 cavalos
Se existiu um segmento em alta no ano que passou, foi o dos sedãs. Interpress Motor já avaliou vários representantes dessa classe, inclusive o próprio Renault Mégane na versão 1.6 16V, a primeira a ser lançada. Agora tratamos de sair às ruas – e às estradas, em uma viagem de 800 quilômetros pelo interior de São Paulo – com a cereja do bolo da linha, que é a versão top de linha Dynamique com motor 2.0 de 138 cv (cavalos) equipada com câmbio automático.
Em primeiro lugar, é importante lembrar que esse Mégane, lançado há um ano, é um outro carro, completamente diferente em relação ao anterior, que os brasileiros conheciam. O design é moderno e muito bem resolvido, dando ao modelo linhas discretas e elegantes, capazes de chamar a atenção até mesmo de consumidores mais jovens, teoricamente interessados em veículos mais esportivos.
 Versão Dynamique com câmbio automático tem preço a partir de R$ 65.990
Aliás, a mudança foi tão grande que alguns especialistas dizem que até o nome deveria ter sido substituído. Para eles, esse detalhe pode ter contribuído para que as vendas do modelo não atingissem ainda um patamar à altura da evolução. Outra explicação pode estar relacionada com a estratégia. Esta versão mais potente chegou ao mercado apenas no segundo semestre. Isso pode ter frustrado algumas expectativas de consumidores mais exigentes.
Mas falemos da vida a bordo. O conforto oferecido pelo Mégane é total. O banco do motorista, com ajustes de altura e profundidade, junto com apoios laterais, não exigem muito preparo físico para viagens longas. Detalhe importante, ainda mais em tempos de apagão aéreo, quando muita gente opta por utilizar o carro nas férias.
Completam a boa ergonomia as regulagens de altura e profundidade do volante. Isso resultou em pouca fadiga durante a viagem. O espaço interno também é generoso, o que conta pontos, sobretudo quando se fica muito tempo dentro do veículo.
 Traseira do modelo, que é fabricado na planta de São José dos Pinhais (PR)
Seu painel de instrumentos tem a mesma modernidade de design. É completo, permite fácil localização dos instrumentos e a leitura, além de deixar os comandos “na mão”. Quando há dúvidas em relação a funcionamento ou regulagem de algum dos equipamentos, o manual é claro e preciso nas orientações.
O computador de bordo também traz vantagens importantes. Ele fala português e seus dados são informados na forma como estamos acostumados no Brasil (km/l, km/h) e não com metodologias utilizadas em outros países, que requerem cálculos de conversões para obter os resultados. Com isso, os motoristas podem controlar o consumo e entender o regime de rotações, “aprendendo” a dirigir com economia.
O cartão que substitui a chave de ignição – tidos por “especialistas” de plantão como mais um item que causa estranheza ao consumidor brasileiro médio – também não requer grandes aprendizados de utilização. É simples e prático para guardar no bolso. Rapidamente o motorista novato se adapta não só a ele, mas ao formato todo peculiar (lembra instrumentos de um avião) do freio de mão.
 Em vez de chave, há um cartão, que é prático de usar e guardar no bolso
Durante a viagem por algumas que são consideradas as melhores estradas do Brasil, duas situações merecem destaque – as duas na Washington Luís. Primeira: no sentido do interior, passamos por sete praças de pedágio, nas quais deixamos R$ 36,70. Em uma delas, na cidade de Araraquara, foram cobrados R$ 9. Tudo bem se o asfalto fosse “um tapete”. Sem nenhum disfarce (remendo), poucos metros após a cabine e durante quase 10 quilômetros, o piso está todo esburacado, o que revolta quem pagou a taxa absurda. Nem a concessionária faz a manutenção como deveria, nem o governo fiscaliza. Alguma semelhança com o acidente do Metrô? Mera coincidência?
Valeu, no entanto, para testar a suspensão, que absorveu bem as muitas irregularidades do piso. Foi possível usar bastante a direção hidráulica para desviar dos buracos maiores. Segunda: no percurso de volta, “coincidentemente” no mesmo trecho da mesma rodovia entre as cidades de Matão e Araraquara, no interior de São Paulo, mais algumas surpresas ocorreram. Um forte temporal durante a noite nos obrigou a reduzir a velocidade para aproximadamente 60 km/h em alguns pontos, tamanha a quantidade de água que ficava empoçada nas muitas irregularidades do asfalto. Outro descaso inaceitável e nova cobrança de R$ 9. Pode?!
Dessa vez o teste avaliou os freios com sistema ABS, que também cumpriram bem seu papel, evitando travamento das rodas e aquaplanagem. Outro recurso muito utilizado foi o limpador de pára-brisa com temporizador de quatro velocidades. As diferentes intensidades de chuva ao longo do percurso mostraram ser esse um item de muita utilidade. Na volta à capital paulista, passamos novamente por sete praças de pedágio, “contribuindo” com um pouquinho mais: R$ 40,50.
 Console central inclui controles do ar, do toca-CDs e alavanca de câmbio
Se existiu algo com que não foi preciso se preocupar, foi o carro, que até no consumo fez bonito. Da distância percorrida, 90% foi em estradas, com uma média de consumo (gasolina) de 12,4 km/l (picos de até 16,2 km/l, segundo indicações do computador de bordo). Todo o percurso foi feito dentro dos limites de velocidade, que variaram de 100 km/h a 120 km/h, dependendo da rodovia.
Em caso de ultrapassagem, o motor respondia de forma rápida a leves toques no acelerador, deixando à disposição do motorista todo o torque (força) sem muito esforço. Foi possível rodar a maior parte do tempo em baixas rotações (cerca de 3.000 rpm), exceto em ultrapassagens ou aclives.
Por tudo isso, o Mégane é de fato um veículo muito interessante. Resta torcer para que neste ano ele tenha esse mérito enfim reconhecido, o que não ocorreu em 2006, quando foram emplacadas 6.047 unidades do Mégane, contra 35.336 do Toyota Corolla, 31.357 do Chevrolet Vectra e 29.131 do Honda Civic.
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FICHA TÉCNICA
Renault Mégane 2.0 16V Dynamique automático Motor: dianteiro, transversal,
quatro cilindros em linha, a gasolina,
16 válvulas, 1.998 cm³ de cilindrada Potência: 138 cv a 5.500 rpm
Torque: 19,2 kgfm a 3.750 rpm Câmbio: automático, de quatro velocidades
Suspensão: dianteira independente tipo McPherson, com estabilizador; traseira com eixo de torção
Freios: a disco nas quatro rodas, com sistema ABS (antitravamento) Dimensões: 4,50 m de comprimento; 1,78 m de largura; 1,46 m de altura; 2,69 m de entreeixos
Tanque: 60 litros Porta-malas: 520 litros
Preço: R$ 65.990 |
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