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CURIOSIDADE
Escolha de nome de carro entra na era da eleição direta
Internet e pesquisas de opinião são ferramentas importantes no batismo do automóvel
por LUÍS PEREZ

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Citroën C4 Pallas: mais de 1.500 sugestões, valendo uma viagem a Paris

Pesquisas e mais pesquisas de opinião, internet, intervenção mais direta de agências de publicidade e uma eleição tão direta quanto possível. Essa é a tendência, na era do computador, da rede mundial e da globalização, quando o assunto é a escolha do nome de um carro. Lá se foi o “brain storm” de gabinete ou a lista de meia dúzia de pessoas dando opinião sobre uma lista de uma dezena de nomes.

Se fossem questionados há aproximadamente uma década, os responsáveis pelo marketing das fábricas responderiam um velho clichê: o nome de um carro deve ser uma palavra curta, de fácil memorização, pronúncia clara em qualquer idioma e que não tenha conotação pejorativa. Tais regras seguem valendo, mas ganharam ingredientes tecno e mercadológicos que não impedem que os nomes de alguns veículos virem munição para chacota.

Alberto Polo Júnior
Picanto, o compacto da Kia, tem nome que remete a um "canto picante"

De conversas de bar até o alto escalão de uma empresa, não são poucos os que brincam com o duplo sentido de nomes como Picasso (no caso, o da minivan da Citroën, referência ao pintor espanhol Pablo Picasso), Picanto (o hatch compacto da Kia, que vem de “canto picante”) e Chana (minivan e picape de origem chinesa).

“Houve muitas conversas quando decidimos vender o carro aqui. Comentamos com a fábrica que o nome poderia ser alvo de brincadeiras, que não seria visto como algo normal. Quando explicamos o que queria dizer, ficaram constrangidos”, afirma José Manuel Rasak, diretor da Tricos, grupo responsável pela marca Chana no Brasil. Popularmente a palavra que dá nome à marca remete ao órgão sexual feminino.

Luís Perez
Chana: marca registrada e piada pronta desde que desembarcou no Brasil

Não havia como mudar, diz Rasak. “É uma trade mark registrada mundialmente, um nome que no português de Portugal, inclusive, não quer dizer nada. Aliás, quer dizer, sim. É a forma carinhosa como as pessoas tratam uma mulher que se chame Alexandra”, diz ele, que é português. “Decidimos, apesar das histórias que ouvíamos, que teríamos de correr esse risco.” Os veículos já circulam na China, em outros países da Ásia, na Rússia e na Colômbia.

Quando um automóvel vai ser lançado, outra alternativa é lançar mão de um programa de computador que embaralhe letras formando palavras de diferentes sonoridades e significados. Foi assim, por exemplo, com a multivan Renault Kangoo. Mas nem todos recorrem a esse método. “Na Ford não existe uma receita de bolo. Importante é que o consumidor se identifique com o nome”, explica Antonio Baltar, gerente-geral de marketing da Ford.

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Renault Kangoo: escolha feita por meio de combinações em computador


Se um determinado modelo da marca já existe em outro país com aquele nome, isso nem sempre é razão para vetar um homônimo em outro continente. Fusion, por exemplo, é o nome de uma perua do porte do Fiesta na Europa. “Como trouxemos o sedã Fusion do México, avaliamos que a interferência por aqui entre os dois seria mínima.” Baltar afirma que o nome que internamente é conhecido como projeto B402 (um carro compacto de entrada) ainda não foi decidido.

“Temos vários nomes na mão e vamos buscar outros novos. Hoje fazemos coletas de possíveis nomes, vamos buscar com a agência de propaganda outros e assim por diante. De 500 nomes, a gente chega a um grupo de 100, depois 10 e então ficamos entre três ou quatro. Aí é que a decisão é tomada.”

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Fiesta: concessionários questionaram a fábrica por uma mudança de nome

Ao que tudo indica, a decisão final tem sido cada vez mais “direta”, na medida do possível. Ou seja, para não estragar a surpresa, são realizadas pesquisas com consumidores – que acabam sendo fundamentais na decisão final. Quando iria lançar o novo Fiesta, no início dos anos 2000, distribuidores Ford questionaram a adoção do mesmo nome. Seu argumento era de que o modelo anterior não era um sucesso. “Foi um questionamento da rede. Mas o nome era adequado para o novo carro, e o fracasso de vendas do antigo não era decorrente o nome”, conta Baltar.

Outra demonstração de que as eleições têm sido cada vez mais “diretas” foi o processo de escolha do novo sedã baseado no C4, que será fabricado na Argentina e lançado no Brasil em julho. Seu nome será Pallas, uma homenagem a Pallas Atena, deusa da verdade e da sabedoria na mitologia grega. Quem deu a palavra final para a escolha do nome foram os concessionários – que trabalham diretamente com o consumidor. “Recebemos mais de 1.500 sugestões em um período de três meses”, diz a diretora da marketing da Citroën, Nívea Morato. O modelo já é fabricado na China, onde se chama Triomphe – que, pelo visto, não agradou aos revendedores da marca.

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Publicado em 11/06/2007

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