Quando Interpress Motor publicou, no final de setembro, projeções segundo as quais o novo Siena ficaria com a frente diferente em relação à do novo Palio (leia aqui), muitos leitores escreveram duvidando. Nesta entrevista, concedida durante o lançamento do sedã compacto (leia avaliação aqui), o presidente da Fiat Automóveis, Cledorvino Belini, 58, explica por que essa diferenciação aconteceu. "A frente é parecida com a de uma Maserati, enquanto a traseira é com a de um Alfa Romeo", afirma. Perguntamos ainda sobre o Mille, o Linea e a estratégia contra o novo Volkswagen Gol, que chega em 2008.
Interpress Motor - Por que o Siena ficou diferente em relação ao Palio?
Cledorvino Belini – O design é definido a partir da expectativa do consumidor em função de segmento, posicionamento de mercado e de todas as pesquisas que fazemos, em termos quantitativos, incluindo até tendências antropológicas. Com essas pesquisas, a área de estilo desenvolve a feição do produto. Um hatch tem um comportamento diferente de um sedã em um determinado segmento. Se você olhar a frente [do novo Siena], verá que ela é parecida com a de uma Maserati, enquanto a traseira é com a de um Alfa Romeo. Havia esse desejo no mercado e nós o interpretamos. Nosso trabalho é interpretar sonhos e desejos. Foi o que fizemos ao desenvolver esse carro aqui.
IM - É verdade que o Mille está garantido até a Copa de 2014?
Belini - Exatamente. São perguntas básicas a que eu sempre respondo da seguinte forma: não vou fazer uma fábrica nova, e o Mille permanece até 2014, pelo menos. Não está prevista nenhuma reestilização do modelo, que é um sucesso de vendas, com 10 mil carros por mês.
IM - A Fiat confirmou o Linea para o próximo ano. Mas existe uma teoria no mercado segundo a qual a Fiat não é tão bem-sucedida com automóveis mais caros, acima de R$ 60 mil, por exemplo. O Linea vem para mudar esse paradigma?
Belini - Se você olhar todos os nossos lançamentos, a Fiat tem trabalhado em um conjunto de medidas, interpretando o que o consumidor deseja. Temos comprovado a nossa firmeza e a nossa consolidação em todos os segmentos. O Linea será consolidado no segmento D. É um produto inovador, que vai superar a expectativa dos consumidores.
IM - Está mais difícil vender carro hoje em dia com essa hiperconcorrência que não existia no passado?
Belini - Sem dúvida. Nós temos muito mais marcas no Brasil, e a Fiat, para manter a liderança, tem de ser inovadora a cada dia, a cada minuto. Todas as manhãs, quando acordamos, temos de pensar sobre o que vamos inovar hoje. O mercado é altamente competitivo e agora, com o real tão forte como está, temos ainda a concorrência estrangeira, que chega para vender seus produtos aqui no Brasil.
IM - Como a Fiat está se preparando para a chegada do novo Gol, no próximo ano?