Seja pela relação custo-benefício, seja pelos equipamentos raros encontrados a bordo. Pouco lembrado – talvez pelo infundado preconceito que muitos ainda têm em relação a automóveis coreanos –, o sedã em que rodamos tem motor 3.8 V6 (seis cilindros em "V") de 267 cv (cavalos) de potência, transmissão automática de cinco velocidades, a um preço sugerido de R$ 129.900.
Só para ficar em duas marcas, pode-se citar o Chevrolet Omega (254 cv, R$ 147.500) e o Hyundai Azera (245 cv, R$ 93.900) como dois de seus concorrentes diretos. Os dois são menos potentes, sendo que o importado da Austrália pela GM é mais caro.
Para quem tem receio acerca da confiabilidade do modelo, a Kia oferece no Brasil garantia de cinco anos sem limite de quilometragem e de dez anos contra perfuração de chapa. Nenhum concorrente tem proteção similar. Mas é o rodar do Opirus (sim, nome esquisito...) que realmente chama a atenção. Comento com o profissional de vendas da Kia Motors que me acompanha durante o teste que o baixíssimo (para não dizer praticamente imperceptível) nível de ruído impressiona.
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É a deixa para que ele conte uma história que parece piada – mas não é. Certa vez o carro que havia acabado de chegar de um test-drive com um candidato a comprador foi estacionado no showroom da marca em Itu (cidade paulista onde fica a sede da empresa no Brasil), que fica em um edifício todo envidraçado, mas quase nada ruidoso. Pois o modelo ficou cerca de duas horas ligado, por esquecimento, sem que ninguém desse conta de que o motor estava acionado.
De acordo com a Kia, seu público-alvo são executivos bem-sucedidos, casados, com idade superior a 40 anos, que se preocupam com requinte, qualidade, sofisticação e desempenho. De fato, em nenhum desses quesitos ele decepciona. Feito o test-drive, o cliente pode muito bem balançar pelo veículo, que também disputa mercado com BMW 320i, Citroën C5, Honda Accord, Mercedes-Benz Classe C, Peugeot 407, Toyota Camry, e Volvo S40.
Além do silêncio, sua agilidade e estabilidade são dignos de nota. O modelo responde muito bem quando se exige uma velocidade mais alta. Nosso teste incluiu bons aclives e declives, com muitas curvas, atestando que o carrão permanece à mão do motorista e sempre com boa aderência, proporcionando boa segurança ao condutor. Sua suspensão independente, com barra estabilizadora na frente e sistema multilink na traseira, torna o rodar extremamente macio.
Ame-o ou deixe-o
Por fora, o design é imponente. Há quem acredite que suas linhas são do tipo ame-o ou deixe-o (note os formatos inusitados de faróis e lanternas, por exemplo). Outros apontam semelhanças com gerações anteriores da Mercedes-Benz, a começar pelos grandes faróis arredondados. Pode até ser. Mas, por mais subjetivo que pareça, é de gosto menos duvidoso do que muitos sedãs de luxo de marcas concorrentes dele próprio que por aí estão.
É no interior, no entanto, que o modelo de fato conquista. Nada de imitação de madeira clara. Tanto as linhas quanto os materiais primam pela elegância. Mistura de tons escuros, preto e cinza claro formam um conjunto extremamente harmônico. Os controles são bem ergonômicos, a começar pelo comando elétricos dos bancos, esses sim claramente inspirados em modelos da Mercedes (com o desenho de encosto e assento posicionados na porta).
O console central é largo e traz o acabamento com aparência de madeira, com os botões de ajuste de áudio e ar-condicionado. Todos os controles são de tipo botão, para facilitar o uso, e facilmente identificados para aumentar sua visualização. O freio de estacionamento é operado pelo pé esquerdo, liberando espaço entre os bancos do motorista e do passageiro.
O Opirus faz com que os passageiros do banco de trás viajem de classe executiva. Mas não aquela executiva meio gambiarra. É uma executiva de boa companhia aérea. Caso esteja sentado do lado direito do automóvel, tem no encosto do banco do passageiro da frente botões para regular o espaço que deseja para as pernas...
Passageiros têm vez
Sim, quem senta atrás deixa de ficar à mercê de quem senta na frente e passa a comandar. O descansa-braço também traz quatro botões embutidos. Dois para mover os assentos do banco de trás (isso mesmo, eles também deslizam) e os da frente. A não ser, é claro, o do motorista com o carro em movimento, o que compromete a segurança.
Por falar nisso, o banco do motorista tem a possibilidade de ajuste elétrico em até oito posições. Um botão separado no lado do assento controla o apoio lombar, também eletronicamente. O resultado é uma posição de assento configurado precisamente que assegura o máximo de conforto, ao gosto do condutor.
Para motoristas e passageiros que não se entendem quanto à temperatura, vale lembrar que o controle é automático e de duas zonas. O sistema permite ainda ao motorista selecionar uma temperatura para o interior e, quando ela é atingida, ele trata de mantê-la estável. Manejá-lo é fácil. Apesar dos 5 metros de comprimento, seu diâmetro de giro é de 5,83 m, com sistema de direção hidráulica controlado eletronicamente.
A segurança é garantida pelos sistemas ABS (antitravamento), EBD (distribuição eletrônica da frenagem) e TCS (controle de tração) de série, traz também um sistema ESP (controle de estabilidade) para corrgir eventuais barbeiragens do motorista. A transmissão permite ainda trocas seqüenciais, para quem prefere ter o carro mais à mão.
Por falar em mão, os mãos-leves não têm acesso ao porta-luvas, fechado por chave. O compartimento é iluminado e tem refrigeração ou aquecimento. O Opirus também traz um sistema de áudio de luxo projetado para oferecer um som refinado que pudemos conferir. Com oito alto-falantes, é equipado com 270 watts de potência.
Para aumentar a segurança a bordo, o veículo traz de série oito airbags, um duplo para o motorista e passageiro da frente, além dos laterais e de cortina. Há cintos de segurança de três pontos nos bancos da frente e em todos os bancos traseiros, incluindo o assento central. Os cintos de segurança dianteiros têm altura ajustável para maior segurança e um ajuste mais confortável. Também contam com o sistema de pré-tensionadores, limitadores de carga e sensores na fivela para determinar se o cinto está sendo utilizado.
Com alguma dose de subjetividade – o que definitivamente não é recomendável do ponto de vista jornalístico –, pode-se criticar o design do Opirus. Mas a tecnologia e o conforto embarcados, bem como a certeza de que se trata de uma excepcional opção dentro de seu segmento, são inegáveis.
FICHA TÉCNICA
Kia Opirus Motor: dianteiro, longitudinal, V6 (seis cilindros em "V"), a gasolina, 24 válvulas, 3.778 cm³ de cilindrada
Potência: 267 cv a 6.000 rpm Torque: 36 kgfm a 4.500 rpm Câmbio: automático de cinco velocidades, com opção de trocas seqüenciais
Suspensão: dianteira independente, com barra estabilizadora; traseira independente, multilink, com barra estabilizadora
Freios: a disco nas quatro rodas, com sistemas ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da frenagem)
Dimensões: 5,00 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,49 m de altura e 2,80 m de entreeixos
Peso: 1.725 kg
Tanque: 70 litros
Porta-malas: 450 litros
Preço: R$ 129.900
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