Avaliamos duas unidades equipadas com motor 1.4 flex (no caso da Meriva, com o propulsor denominado Econo.Flex...), que costumam ser os veículos escolhidos por quem pretende entrar nesse mundo de modelos "históricos". Mas por que históricos? Simples – e cada um por um motivo. Lançada em 2002, a Meriva foi um divisor de águas na engenharia da General Motors do Brasil.
No início dos anos 2000, era preciso encontrar um modelo para substituir a então combalida perua Corsa. "Se a GM no exterior não tivesse abraçado a causa, iríamos seguir sozinhos nesse projeto", disse certa vez a Interpress Motor o engenheiro Pedro Manuchakian, vice-presidente de engenharia da divisão LAAM da GM, que engloba as regiões de América Latina, África e Oriente Médio. No início do mês, ao comemorar os 35 anos do Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba (SP), ele voltou a tocar no assunto: "A Meriva significou a maturidade da nossa engenharia".
 Chevrolet Meriva (esq.) e Honda Fit: um familiar, outro esportivo
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Tudo bem, o projeto não está mais estalando de novo. O conceito de uma nova Meriva já foi apresentado na Europa e deve virar em breve realidade (apenas por lá), mas a "nossa" continua em plena atividade, ganhou a nova grade que incorpora a identidade Chevrolet no mundo todo (com a gravata dourada ao centro), lanternas de lentes escurecidas, barra cromada abaixo da tampa do porta-malas e perdeu o círculo em volta da gravata.
Por dentro recebeu novos tecidos, na cor cinza, feitos para proporcionar um quê de sofisticação, mostradores diferenciados, e vem com outros mimos, como o sistema Welcome Light (acendimento automático do painel no destravamento das portas) e o destravamento automático das portas ao retirar a chave do contato. Mas não há como negar: é um projeto antigo.
O Fit não. O Fit é um carro completamente novo – e o caráter "histórico", então, vem daí, pois o modelo fabricado em Sumaré (região de Campinas, interior de São Paulo) é exatamente o mesmo que em alguns países também é chamado de Jazz. Ou seja, é um produto igual se encontra na Europa, por exemplo, guardadas as devidas proporções em opções de motorização e versões de acabamento.
Para este confronto, a versão de acabamento escolhida do Fit foi a LXL manual (um degrau acima da LX, que é a de entrada), que custa R$ 54.635 e vem bem equipada, com direito a ar-condicionado, direção elétrica, CD player com função MP3 (a LX não tem), airbag para motorista e passageiro, freios com sistema ABS (a LX também não tem), entre outros itens.
 Traseiras demonstram bem a diferença de estilos dos modelos
Curioso é que a Meriva 1.4 Econo.Flex tem duas versões de acabamento, a de entrada Joy (preço básico de R$ 43.549) e a Maxx (R$ 45.438), um degrau acima. Nesta última, no entanto, não há disponíveis itens como ABS e airbag. Para aquiri-los, o consumidor precisa comprar a versão Joy e um pacote específico, que faz o preço subir para R$ 46.382 (com pintura metálica, por exemplo, sobe para R$ 47.277). No Fit, as pinturas estão incluídas, sem diferenciações.
Esse pacote da versão Joy traz entre os equipamentos itens como ar-condicionado, direção hidráulica, aviso sonoro de faróis ligados, iluminação no porta-luvas e no porta-malas, airbag para motorista e passageiro e freios com sistema ABS. A diferença de preço fica em R$ 7.358. É o preço de ter um carro mais moderno, mais bem equipado desde a origem, com um design mais arrojado e com menos fama de ser um dos preferidos dos taxistas (embora já seja possível ver novo Fit táxi por aí, obviamente bem menos do que Meriva).
Fit cresce, mas Meriva é maior
O Fit marca mais presença, por ser novo chama mais a atenção. Está maior do que o seu antecessor (o entreeixos, importante balizador de espaço interno, subiu de 2,45 metros para 2,50 m) e parece ter ficado até maior do que a Meriva. Só parece, com veremos adiante. O capô tem dois vincos, os faróis estão mais proeminentes e a grade dianteira é tipo colméia (uma tendência).
A traseira também tem um design bem interessante, integrando a lanterna com elementos translúcidos à tampa que vem com detalhe em preto, cheia de vínculos angulosos. À primeira vista, confunde-se com alguns modelos importados de marcas mais sofisticadas, como Mercedes-Benz. Outro detalhe diferente no exterior do Fit é a tampa do reservatório de partida a frio, localizado no para-lama direito – o da Meriva se esconde no compartimento do motor.
 Painel do Fit: volante lembra o do Civic; comandos são assimétricos
Em estilos de direção, os dois veículos estão em lados opostos. A Meriva você dirige como nas minivans, ou seja, sentado, com uma visão mais "do alto" de tudo o que acontece. O painel é funcional, mas já não empolga propriamente como uma obra-prima do design. O Fit é o contrário.
O volante lembra o do Civic, os mostradores do painel têm uma cor vermelho alaranjada forte, os botões que comandam o ar-condicionado não são simétricos – têm três tamanhos diferentes, na parte central do painel, dividindo espaço com o rádio. Há porta-copos dos dois lados também integrados ao painel. Nos mostradores do Fit, há um indicador de consumo instantâneo, que faz o motorista saber em tempo real, em uma escala de 0 a 40 km/l, quanto o modelo está consumindo.
Desempenhos próximos
Em termos de desempenho, os dados são muito similares. O modelo mais potente é a Meriva, com 105 cv (cavalos) com álcool (com gasolina, são 99 cv), enquanto o Fit tem entre 100 cv (gasolina) e 101 cv (álcool). No torque (força) a Meriva também ganha no olho mecânico: 13,2 kgfm com gasolina e 13,4 kgfm com álcool (o Fit crava 13 kgfm com os dois combustíveis).
No duelo do estacionamento, o Fit tende a ser mais fácil de fazer baliza, pois mede 3,90 m de comprimento, contra 4,04 m da Meriva, que por sua vez também é mais alta (1,62 m, contra 1,54 do modelo de origem japonesa). Vai aqui uma bronca: bem que eles poderiam ter sensor de estacionamento. Em entreeixos o modelo da Chevrolet pode soltar rojão: é o maior do segmento, com 2,63 m, ante 2,50 m do Fit. O Fit não tarda a dar o troco, pois oferece mais espaço para bagagem (384 litros, versus 360 litros).
 Vista geral do painel da Meriva: poucas mudanças desde 2002
Quem não tem paciência na hora de abastecer, pode anotar: a Meriva em tese requer menos paradas no posto, pois tem um tanque maior – 52,5 litros, contra 42 litros do Fit. Dados de fábrica da General Motors indicam que a Meriva roda com álcool 8,2 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada, dado que com gasolina sobe para 11,9 km/l e 15,4 km/l, respectivamente. Sua aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 13,9 segundos com gasolina e em 13,1 segundos com álcool (velocidades máximas de 165 km/h e 173 km/h, respectivamente).
Infelizmente, como é praxe em empresas japonesas (e em algumas francesas), a Honda não divulga os dados de desempenho e consumo. No entanto, tanto pelas nossas impressões ao volante quanto pela relação peso-potência (o Fit pesa 1.083 kg, contra 1.225 kg da Meriva), o Fit é mais ágil e tende a ser mais econômico.
O comportamento dinâmico da Meriva é mais de minivan. As curvas não são feitas com tanta agressividade e desenvoltura como em um hatch (coisa que o Fit é...). Não há melhor ou pior, mas é uma característica inerente a cada tipo de carroceria. Do que mais os dois modelos ressentem é falta de fôlego em situações específicas, como em ladeiras mais íngremes e ultrapassagens mais complicadas em estradas. Nisso o Fit leva ligeira vantagem.
Fit vende mais; Meriva é 2º
Ao final do confronto, em que pese toda a história e ainda o prazer de dirigir que é uma Chevrolet Meriva, diria que o Honda Fit é o vencedor do comparativo. É o que pensa também o consumidor. De 1º de janeiro a 15 de fevereiro deste ano, foram vendidas 5.225 unidades do Fit, contra 3.712 da Meriva, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que os classifica como "monocabs", ao lado de Fiat Idea (1.287 unidades no período), Doblò (510) e Renault Kangoo (127), por exemplo.
Porém está em jogo um importante componente, que é a diferença de preço nada desprezível (sobretudo para o público de veículos 1.4) de mais de R$ 7.000. Se você tem R$ 47 mil contados no bolso, é o caso de parar e pensar: financiar a diferença (o que não é tão fácil em temos de crédito escasso) e ter um carro de projeto mais moderno e de design mais empolgante ou, se você gosta de minivans, comprar a Meriva, que não deixou de ser uma opção interessante. As cartas estão na mesa.
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Honda Fit LXL |
Chevrolet Meriva Joy |
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Potência |
100 cv (g) a 101 cv (a) |
99 cv (g) a 105 cv (a) |
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Torque |
13 kgfm a 4.800 rpm (a/g) |
13,3 kgfm (g) a 13,4 kgfm (a) a 2.800 rpm |
|
Comprimento |
3,90 m |
4,04 m |
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Altura |
1,54 m |
1,62 m |
|
Largura |
1,70 m |
1,69 m |
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Entreeixos |
2,50 m |
2,63 m |
|
Porta-malas |
384 litros |
360 litros |
|
Tanque |
42 litros |
52,5 litros |
|
0 a 100 km/h |
Não disponível |
13,9s (g) e 13,1s (a) |
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Velocidade máxima |
Não disponível |
165 km/h (g) e 173 km/h (a) |
|
Peso |
1.083 kg |
1.225 kg |
|
Preço |
R$ 54.635 |
R$ 47.227* |
* Versão equipada com airbag e ABS
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