Mas foi a deixa que precisávamos para solicitar à Fiat um exemplar para avaliação. Já sabia que essa análise dificilmente seria desprovida de uma bela dose de carga emocional. O Uno (que depois virou Mille, por ganhar motor "mil", em 1993) foi meu primeiro carro, uma versão CS 1986 comprada usada, em 1992. No ano seguinte o Mille propriamente dito foi meu primeiro zero-quilômetro.

 O Mille mantém o mesmo design de quando foi lançado, em 1984
Conhecido pelo apelido de "botinha ortopédica", era um sonho de consumo no final dos anos 80, início dos anos 90, quando o país ainda não havia sido invadido pelos importados ou mesmo pelo então revolucionário "Kinder Ovo" Chevrolet Corsa.
Apesar dos contatos que tive com o modelo nos últimos anos – nos eventos de lançamento das duas últimas reestilizações, em fevereiro de 2004 e em agosto de 2008 –, é diferente dirigi-lo à vontade por uma semana na cidade, nas estradas e sair para passear com a família no fim de semana. Se bem que nem precisou de muitos quilômetros para perceber por que ele ainda é um dos três carros mais vendidos do país. Bastaram alguns metros a partir do escritório da Fiat, no bairro do Paraíso (região central de São Paulo).

 Novo logo vermelho na dianteira e na traseira, sem maçaneta
Seu design externo não é nada inovador, como há quase duas décadas. Mas o prazer de dirigi-lo continua o mesmo. Embora não tenha regulagem de altura nem para o banco dianteiro (é um dos poucos carros em que se enxerga a ponta do capô) nem para o cinto de segurança, conduzir o Mille é uma espécie de ode à praticidade da vida. Ou, diriam alguns, um belo exemplo de prática ao desapego.
Esperávamos um modelo rústico, cheio de rebarbas e problemas de acabamento, com ruído excessivo do motor invadindo a cabine. Não encontramos nada disso. O acabamento melhorou horrores desde a última vez em que tive contato com o modelo, e o isolamento acústico, pelo jeito, vem sendo aperfeiçoado com um trabalho em silêncio, mineiro, como a fábrica da Fiat em Betim. Pena que ele não possa ser equipado com airbag e ABS.

 No alto, silhueta "botinha"; acima, o Econômetro em ação
Seu comportamento dinâmico, competente em acelerações e retomadas, bem como nas curvas, não tem nenhuma relação com o do também "de entrada" Ford Ka, que mais se assemelha a um kart. A despeito de seus 25 anos de história só no Brasil, o Mille tem uma dirigibilidade extremamente contemporânea – ainda mais em tempos de crise, em que economia virou palavra de ordem. Lembra o "irmão mais novo" Palio. Só sofre um pouco nas subidas mais íngremes, mas ainda assim não faz feio.
Leitores mais atentos notarão, pelas fotos, que o desapego a que me refiro é relativo. Afinal a unidade cedida pela fabricante veio com todos os opcionais possíveis – pack Celebration, composto por ar-condicionado, direção hidráulica, kit Concept (vidro traseiro térmico, limpador/lavador do vidro traseiro, retrovisores externos com regulagem interna manual, porta-objetos nas portas dianteiras, apoio de cabeça posterior com regulagem de altura, vidros dianteiros elétricos, trava elétrica nas portas e a inscrição "Celebration"), pintura metálica, toca-MP3 e rodas de liga leve aro 13.
Recheado assim o carrinho, que acaba de ganhar o novo kit Top (leia aqui), passa dos R$ 23.367 sugeridos pela fábrica (R$ 21.754 se tivesse só duas portas) para R$ 29.757. Ou seja, quase R$ 30 mil por um Mille. Corre entre especialistas que há anos a Fiat lucra bastante com o Mille. Sim, embora os carros "populares" sejam os de menor margem, seu projeto e custos de produção já devem ter sido pago algumas centenas de vezes. De projeto aliás extremamente feliz, o modelo ganhou no ano passado um novo motor, o Fire Economy 1.0 Flex (65 cv com gasolina, 66 cv com álcool), com a missão de torná-lo 10% mais econômico.
 Vista geral do painel do modelo; unidade vinha com toca-MP3
Associado a outras medidas (novo óleo de baixo atrito no motor, quinta marcha mais longa, nova suspensão e pneus de baixa resistência ao rolamento, entre outras), o modelo ficou, segundo a Fiat, cerca de 10% mais econômico. Ganhou no painel, para orientação do motorista, o Econômetro, que procura auxiliar o condutor a dirigir da forma mais econômica possível.
Funciona assim: com o carro em marcha lenta, o ponteiro fica no branco. O Econômetro começa a atuar quando se pisa no acelerador, e começa a indicação com velocidade superior a 7 km/h, percorrendo a escala da faixa amarela (menos econômico) à verde (mais econômico). Ao tentar fazer o carro ficar mais tempo no verde, dependendo do trânsito, você corre o sério risco de ser tachado de domingueiro por outros motoristas. Melhor ter bom senso.
 A velha alavanca para reclinar o banco, que engancha no cinto
Também não é um bom conselho apelar para a "banguela" (deixar o carro se movimentar em ponto morto), pois, graças à injeção eletrônica, o carro vai consumir mais do que se estivesse com a marcha apropriada engatada. Isso além de ser perigoso e gastar mais o freio.
Dados da Fiat indicam que com gasolina o Mille roda 15,6 km/l na cidade e 22 km/l na estrada, número que com álcool cai para 11,1 km/l e 15,6 km/l, respectivamente. Sua aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 14,7 segundos (álcool) e 15,1 segundos (gasolina). A velocidade máxima é, respectivamente, de 153 km/h e 151 km/h.
Fica claro, até pela reação das outras pessoas nas ruas, que dirigir o Mille é uma viagem no tempo. Mas até a máquina do tempo merece receber alguns aperfeiçoamentos, não é mesmo?
Fiat Mille Fire Economy
Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 8V, flex, 999,1 cm³ de cilindrada Potência: 65 cv (gasolina) a 66 cv (álcool) a 6.000 rpm Torque: 9,1 kgfm (gasolina) a 9,2 kgfm (álcool) a 2.500 rpm Direção: mecânica Câmbio: manual de cinco velocidades
Suspensão: dianteira McPherson com rodas independentes e barra estabilizadora; traseira com rodas independentes e braços oscilantes inferiores Freios: a disco na dianteira e a tambor na traseira Dimensões: 3,69 m de comprimento; 1,55 m de largura; 1,45 m de altura; 2,36 m de entreeixos Peso: 830 kg
Tanque: 50 litros Porta-malas: 290 litros Preços: R$ 23.367 (quatro portas), R$ 29.757 (versão avaliada)
LEIA TAMBÉM: Avaliamos a minivan Nissan Livina.
Carros da Volvo têm bônus de até R$ 45 mil.
Hatchback Nissan Tiida vira flex.
Autogiro: mais uma lei que não vai pegar.
Avaliamos o Mini Cooper, carro "de cinema".
Mini chega ao país a partir de R$ 92.500.
Troller T4 bate recorde histórico de vendas.
Prata é a cor de um terço da frota brasileira.
Repórter realiza sonho ao dirigir smart fortwo.
smart fortwo chama a atenção nas ruas.
Chevrolet lança plano de recompra garantida.
Prestes a ter cabine dupla, Strada vai ao México.
Lançado informativo da imprensa automobilística.
Brasileiro é novo presidente da Audi no país.
Fiat lança versão EL do Siena, por R$ 28.900.
Novo Nissan Livina custa a partir de R$ 46.690.
Nacional, Mercedes CLC confirma vocação esportiva.
Robusto, mas bonito, Symbol parte de R$ 41.190.
Avaliação: como roda o Citroën C4 hatch.
Fiat Punto T-Jet de 152 cavalos chega por R$ 59.500.
Renovado, Vectra GT parte de R$ 56.034.
Honda Fit e Chevrolet Meriva em duelo de minivans "históricas".
Citroën C4 hatch começa a chegar às lojas.
Volkswagen New Beetle vira "cult do cult".
Tire dúvidas sobre o funcionamento do airbag.
Nos EUA airbags já salvaram a vida de 14 mil pessoas.
Volkswagen lança série Route da SpaceFox.
Dirigimos o conceito elétrico FCC II, da Fiat.
Vectra Next Edition 2.0 traz 12 cavalos a mais.
Eos já é vendido no site da Volkswagen.
Porsche mostra interior do cupê Panamera.
SsangYong ganha mais tempo para se reerguer.
Volvo tem novo presidente na América Latina.
Confira fotos de "A Renault de Doisneau".
Na Europa, Renault reestiliza o Clio.
Captiva Ecotec chega às lojas por R$ 86.990.
Confira a avaliação do Chevrolet Captiva Ecotec.
Focus é eleito "o" lançamento de 2009.
Leitor flagra picape Peugeot 207.
Mitsubishi realiza recall do utilitário Outlander.
Morre João Amaral Gurgel, aos 82 anos.
Fernando Calmon conta a trajetória da Gurgel.
Estilo jovial é marca da Citroën C4 Picasso.
Volvo XC60 traz dispositivo que evita colisão.
Avaliamos a Peugeot 207 Escapade.
Honda já vende Civic 2009, com mudanças.
InterBlog: Flagrado crossover Peugeot 3008.
Parar em vaga de idoso ou deficiente dá multa.
Jaguar lança motor diesel no luxuoso XF.
Confira galeria de fotos Mercedes-Benz SLK 200 Kompressor.
Avaliamos a van Transit, lançada pela Ford.
Vectra reestilizado é flagrado em SP.
Andamos no EcoSport 2.0 Flex.
Avaliamos o novo Troller T4 "by Ford".
Confira primeiras fotos do Porsche Panamera aqui.
Veja galeria de fotos do novo Ford Fusion aqui.
SW4 2009 custa a partir de R$ 154.100.
Tire suas dúvidas sobre blindagem de veículos.
Vendas de motos caem 9,4% em outubro.
Confira a avaliação do novo VW Gol.
Confira o Chevrolet Captiva na galeria de fotos.
Sonho de ter um Mercedes Classe C está mais perto.
Quer um carrão no seu micro? Clique aqui.
Seja parceiro comercial de Interpress Motor em 2009. Clique aqui e solicite sua proposta.
Fique por dentro dos últimos lançamentos clicando aqui.
Compare preços no Shopping Interpress Motor.
Quer receber o boletim de Interpress Motor? Cadastre-se
|