Com a globalização dos processos de produção (o que inclui uma qualidade similar em qualquer fábrica da mesma marca no mundo), essa pecha argentina ficou no passado – o que não significa que um ou outro veículo não enfrente lá seus problemas de acabamento, sobretudo quando há modelos e plantas novas.
Resolvemos então testar dois sedãs médios: o Citroën C4 Pallas fabricado em El Palomar, na Grande Buenos Aires (Argentina), e o Honda Civic feito em Sumaré, região de Campinas (SP). Na prática, trata-se de dois dos modelos mais sofisticados já produzidos em cada um dos países (há quem defenda que o novo Focus Sedan argentino também mereça ser assim classificado).

 O argentino Citroën C4 Pallas (esq.) e o brasileiro Honda Civic (dir.)
Embora pertençam ao mesmo segmento, as semelhanças parecem terminar aí, na carroceria. Normalmente, nas avaliações, começamos a falar sobre o design externo. Peço licença, no entanto, para discorrer um pouco sobre o habitáculo, que é o que de início diferencia os dois modelos.
Quem procura um automóvel para relaxar ao dirigir, que ofereça conforto, com uma suspensão mais "mole", sem abrir mão da boa absorção das irregularidades do piso, deve ir de C4 Pallas. Ao tomar assento no Civic, por sua vez, o condutor se encaixa no banco de uma forma que anatomicamente o convida a uma experiência mais esportiva – sim, dá vontade de acelerar.
No volante dos dois carros há inúmeros comandos, sempre lembrando que no C4 Pallas o miolo central é fixo, com direito a botões do rádio, do toca-CDs, do controlador de velocidade e de funções dos displays, que são dois, um bem acima do volante e o outro no centro do painel, na cor âmbar. O Civic também é adepto de dois displays, mas eles na verdade têm dois andares, ambos posicionados à frente do motorista, com um bonito fundo azul.

 C4 Pallas tem sensor traseiro e porta-malas maior que o do Civic
Essa sensação de que o Pallas é mais confortável, e o Civic, mais esportivo, se reflete no comportamento dinâmico de cada um. Em test-drives realizados tanto na cidade quanto em estradas, algumas de curvas bem sinuosas, o Civic mostrou que "gruda" mais no chão, enquanto o Pallas passa uma sensação mais zen, mais tranquila, sem abrir mão da estabilidade.
Quem tem família e vai optar por um dos modelos é bom tomar cuidado com alguns detalhes: enquanto o sedã da Citroën muitas vezes apresenta porte de carro maior, incluindo um dos maiores porta-malas do segmento (o divulgado pela Citroën é 580 litros), o Civic tem, assumidamente, um dos menores (340 litros), perdendo até para veículos de segmentos inferiores, caso de Renault Symbol e Fiat Siena (500 litros cada um).
Desde dezembro de 2006, o Civic já integra o time dos flex, com a inovadora solução do subtanque de gasolina de 700 mililitros sob o para-lama dianteiro direito (segundo a marca, é mais seguro assim, longe do compartimento do motor). Já o Pallas virou bicombustível só em outubro do ano passado, mais "na miúda" – a inscrição "Flex" aparece pequena, em um adesivo posicionado junto ao vidro lateral direito.

 Civic é convida mais à condução esportiva do que o C4 Pallas
Embora tenha menos vocação esportiva, o Pallas é mais potente do que o Civic – são 143 cv (cavalos) com gasolina, chegando a 151 cv com álcool, contra 138 cv (gasolina) a 140 cv (álcool) do rival.
As duas versões confrontadas foram as top de linha, 2.0 Exclusive automática, no caso do Pallas, que custa a partir de R$ 71.490 (chega a R$ 79.377 com pintura metálica e Pack Tecnologique, que inclui faróis de xenônio, airbags frontais, de tórax e cortina e bancos de couro com regulagem elétrica), e EXS automática, no caso do Civic, que sai por R$ 83.810 (e já vem com bancos de couro, freios ABS com EBD e controle de estabilidade VSA).
Um diferencial importante do C4 Pallas em relação ao Civic é a presença de sensor de estacionamento traseiro, bastante importante, sobretudo em tempos de escassez de vagas para estacionar. Mas o equipamento também pode ser considerado um item de segurança, na medida em que alerta sobre a presença de alguém (sobretudo crianças) atrás, quando se vai manobrar.
 Painel do C4 Pallas, com volante de comandos centrais fixos
Como brasileiro, posso falar pelo Civic. O carro recebeu, no início do ano, modificações (sutis, mas que proporcionaram sensação de um veículo mais sofisticado) nos para-choques, que ganharam entradas de ar nas extremidades, além de grade central cromada reestilizada, com direito a desenho tipo colmeia.
Agora o controlador de velocidade está disponível em todas as versões. Traz ainda conexão USB (ainda não disponível no Pallas) no console central. Desde seu lançamento, há três anos, o modelo se transformou em sinônimo de inovação no mercado nacional. É um dos melhores carros já fabricados por aqui.
Acerca do Pallas, com a palavra o argentino Carlos Cristófalo, jornalista especializado e editor do "Argentina Auto Blog". "Com o lançamento do C4 Sedán [no Brasil, C4 Pallas], em 2007, a Citroën conseguiu, pela primeira vez, que o argentino tivesse a marca francesa em conta na hora de comprar um automóvel do segmento. Ela alcançou esse feito por vários motivos. Para começar, foi o primeiro Citroën de passageiros fabricado na Argentina em muitos anos. Foi lançado com uma forte campanha publicitária em que se recorreu a personalidades como Diego Maradona e a modelo Araceli González para que se tivesse a ideia de que o carro era motivo de 'orgulho argentino'", diz Cristófalo.
 Interior do Civic, mais claro, com mostradores de dois andares
Diante dessa estratégia, que junto a uma política de preços que fez do Pallas a melhor relação custo-benefício do segmento, as ruas logo foram tomadas pelo C4 Sedán, que logo em seguida chegou ao Brasil, com direito a campanha publicitária protagonizada por Kiefer Sutherland, o Jack Bauer da série "24 Horas".
No Brasil, o Civic continua líder do segmento, com 17.626 unidades emplacadas de janeiro a abril, contra 4.084 do C4 Pallas. Os dois seguem sendo rivais. Mas, em suas principais qualidades, quase incomparáveis, dadas as personalidades completamente díspares.
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Citroën C4 Pallas 2.0 Exclusive automático |
Honda Civic EXS automático |
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Potência |
143 cv (g) a 151 cv (a) |
138 cv (g) a 140 cv (a) |
|
Torque |
20,41 kgfm (g) a 21,63 (a) a 4.000 rpm |
17,5 kgfm (g) a 17,7 kgfm (a) a 6.200 rpm |
|
Comprimento |
4,77 m |
4,49 m |
|
Altura |
1,51 m |
1,45 m |
|
Largura |
1,77 m |
1,75 m |
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Entreeixos |
2,71 m |
2,70 m |
|
Porta-malas |
580 litros |
340 litros |
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Tanque |
60 litros |
50 litros |
|
0 a 100 km/h |
Não divulgado |
Não divulgado |
|
Velocidade máxima |
Não divulgado |
Não divulgado |
|
Peso |
1.409 kg |
1.272 kg |
|
Preço |
R$ 71.490 |
R$ 83.810 |
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