Embora bem mais baixo do que o registrado no ano anterior (19,9%), o resultado estava dentro das perspectivas pessimistas da associação. "Ainda é cedo para afirmar que teremos uma mudança de cenário nos primeiros meses de 2012, de modo que as projeções para o ano mantêm-se, por enquanto, no patamar de 8% a 10% de crescimento", afirma Décio Carbonari de Almeida, presidente da Anef.
Do saldo total registrado em 2011, R$ 172,9 bilhões correspondem à carteira de CDC (crédito direto ao consumidor), que registrou crescimento de 23,2% sobre 2010 (R$ 140,3 bilhões). O leasing (arrendamento com opção de compra) fechou o ano em queda de 39,3%, passando de R$ 45,6 bilhões em dezembro de 2010 para R$ 27,7 bilhões em dezembro de 2011.
Como se compra carro
As vendas à vista representaram 38% do total de veículos leves e comerciais leves. A opção pelo CDC foi a preferência de 50% dos compradores, enquanto o consórcio representou 7% das escolhas. O leasing, em queda acentuada, foi a modalidade de menor adesão com apenas 5%.
Nas vendas de veículos comerciais (ônibus e caminhões), o Finame lidera com 70% da preferência, seguido do CDC (13%), vendas à vista (12%), leasing (3%) e consórcio (2%). Na aquisição de motocicletas, as modalidades mantiveram praticamente os mesmos índices de 2010.
O financiamento lidera as preferências do consumidor com 52%, enquanto o consórcio ficou com 27%. Vendas à vista de motocicletas representaram 21% das opções. O leasing ficou abaixo de 1% neste segmento.
Destaque negativo de 2011, o saldo de inadimplência acima de 90 dias no CDC para pessoa física chegou à marca de 5% do saldo da carteira, um aumento de 2,5 pontos percentuais na comparação com 2010. Para a Anef, esse cenário está acima das expectativas, mas, ainda assim, sob controle. A inadimplência no financiamento de veículos segue abaixo do índice de atraso total de empréstimos para pessoas físicas, que é de 7,1%.
"O consumidor nem sempre está suficientemente bem informado antes de assumir um financiamento, esquecendo-se de que o veículo acarreta outras despesas além da prestação mensal, tais como IPVA, combustível, pedágio e custos com manutenção periódica", diz Carbonari. O executivo ressalta que as instituições financeiras cumprem um papel importante de esclarecer o consumidor e somente conceder crédito a pessoas que realmente têm condições de assumi-lo.
"É importante ressaltar que, sob o aspecto financeiro, não é interessante para os bancos reaverem os bens por conta de inadimplência", afirma o presidente, lembrando que na maior parte dos casos os veículos retomados chegam depreciados, desgastados e com débitos de IPVA e multas.
Nos contratos firmados em 2011, a média dos planos de financiamento foi de 41 meses. Em 2010 essa média foi 44 meses. O plano máximo oferecido pelas instituições permaneceu em 60 meses.
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