Quem compra um carro e simplesmente não inclui o cálculo do seguro quase sempre está fazendo uma grande bobagem. Não são poucos os esforços das seguradoras para personalizar ao máximo o valor a ser pago – a idéia é que cada um arque proporcionalmente com o risco que corre. Nos automóveis de passeio, em determinados casos, o preço para garantir o veículo chega a 30% do valor total.
Alguns detalhes são considerados pecados capitais na hora de preencher a proposta do seguro. Um deles é não guardar o modelo na garagem. Outro “deslize” que faz o preço do prêmio saltar é utilizar o automóvel para trabalhar. Leia-se, nesse caso, usar o veículo para carregar carga ou levar passageiros.
 Sem "antecedentes", Peugeot 206 SW é um dos modelos com seguro barato
Após escapar destes dois pecados, o usuário tem de buscar outras formas para amortizar o valor. Automóveis com rastreadores, alarmes, travas elétricas e peças com marcação no chassi conseguem cerca de 10% a 20% de desconto. As seguradoras também ficam de olho no perfil do usuário, detalhe que pode elevar e muito o valor do pacote (a cerca de um terço do valor do veículo).
A Bradesco Seguros, por exemplo, não faz seguro para motoristas com menos de 21 anos. Essa faixa etária é considerada de risco para as empresas que garantem o sono tranqüilo dos proprietários de automóveis. Em determinados casos é necessário que algum maior de idade se responsabilize por utilizar o carro para diminuir o valor.
Carros esportivos também elevam o valor do seguro. No entendimento das seguradoras, os modelos que levam emblemas do tipo “Sport”, “SS” ou até mesmo “Turbo” são potenciais protagonistas de acidentes por serem "nascidos para correr".
 VW Golf GTI: carros da marca e versões esportivas são das que mais sofrem
Modelos com alto índice de furto apresentam números salgados para a garantia do bem. Automóveis da Volkswagen apresentam esse percalço. Um exemplo é o Golf e o Gol, que chegam à barreira dos 20% do valor do carro. O seguro de uma Parati de R$ 35 mil, por exemplo, chega a custar R$ 16 mil. No ano passado, a montadora alemã chegou a oferecer rastreadores de série para o Golf com o objetivo de favorecer a aceitação do automóvel, que estava com os números de vendas sufocados pelo preço do seguro. Carros com 20 anos de uso também têm o preço do seguro elevado. Em determinados casos, o valor para garantir um “velhinho” chega a custar a mais do que seu próprio valor de mercado.
Pior de tudo é pagar o seguro e, na hora do sinistro, perceber que você não tem direito à indenização. Por isso mentir para as seguradoras não é nem um pouco aconselhável. As companhias também repelem (leia-se não indenizam) automóveis transformados, mesmo com a onda do tuning em alta. Uma simples “mexida” no motor ou na suspensão pode pôr tudo a perder. Outro sinistro que não é aceito é no caso dos veículos que utilizam sistema bicombustível não-original. Ou seja, aqueles kits flex que são comercializados em auto-elétricos. As seguradoras consideram isso uma alteração que pode influenciar no funcionamento do automóvel.
Quando se fala nos modelos mais vendidos, os compactos, a diferença é considerável (cerca de 20%) de um Renault Clio ou um Peugeot 206 em relação aos modelos mais vendidos, como Chevrolet Celta, Fiat Palio, Volkswagen Gol e Fiat Mille. Explica-se: automóveis com mais tempo de mercado e “família constituída” têm maior procura de peça. Logo, o índice de furtos e roubos é maior.
Há ainda a tabela de reparabilidade, que inclui, emprestando um jargão alimentar, uma cesta básica de peças que sempre são atingidas no caso de uma batida e a mão-de-obra de um mecânico para consertar o automóvel. Quem avalia esse pacote é o Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) Brasil. Tudo isso é levado em conta na hora de fazer o cálculo do seguro.
Por isso vale a pena procurar alguns corretores para fazer diferentes cotações – e não levar um susto na hora de tirar seu carro novo da concessionária. |