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COMBUSTÍVEIS
Após três anos no mercado, flex ainda causam discussões
Esclareça aqui o que é mito e o que é verdade sobre os automóveis bicombustíveis
por CARINA MAZZA BASSO

Quando os primeiros modelos “flex fuel” surgiram, três anos atrás, chegaram a ser desacreditados. Alguns cogitaram que se tratava de um modismo. Outros achavam que era apenas mais uma opção de mercado. Ledo engano.

Há um ano os bicombustíveis ultrapassavam a marca da metade dos automóveis novos licenciados. Em maio eram 76,3%. No mês passado foram emplacados 118.701 veículos flex, mais que o dobro registrado em maio de 2005 (55.633).

Primeira montadora a lançar a opção, com o Gol 1.6 Total Flex, a Volkswagen hoje só fabrica modelos flex no país. Segunda a trazer a opção, a General Motors (com o Corsa FlexPower 1.8) lançou em seguida o Astra Sedan Multipower – equipado ainda com kit GNV (gás natural veicular).

Divulgação
Volkswagen Gol Total Flex 1.6: o primeiro bicombustível, lançado há três anos

Daí vêm suas variáveis, como o Fiat Siena 1.4 Tetra Fuel, a ser lançado pela montadora neste fim de semana, que pode rodar com álcool, gasolina com álcool, gás ou gasolina pura (esta não disponível no país).

Problema é que ainda há muitos desencontros sobre a melhor forma de abastecer o automóvel bicombustível. Muito do que se diz é puro mito, baseado em tecnologias antigas – algumas pré-injeção eletrônica, que já está entre nós desde o início dos anos 90. Confira a seguir o que é mito e o que é verdade.


> Soube que meu automóvel bicombustível deve ser abastecido só com gasolina ou só com álcool. Caso contrário, o motor vai falhar.
MITO. O sistema é projetado para funcionar com os dois combustíveis. As falhas que podem ocorrer não são em razão do uso desse ou daquele combustível, mas da má qualidade (excesso de água no álcool ou de álcool na gasolina). Convém sempre abastecer em postos de confiança e, na dúvida, pedir o teste de qualidade ao frentista (o posto é obrigado a fazê-lo).

> Logo que saio com o carro da concessionária, devo abastecer primeiro com gasolina. Caso contrário, terei problemas na partida a frio.
MITO. Desde o início de sua vida útil, o motor é projetado para funcionar tanto com gasolina quanto com álcool. Inclusive as montadoras fazem o primeiro abastecimento com álcool, pelo fato de ser o combustível mais barato.

Divulgação
Chevrolet Corsa: segundo flex a chegar ao mercado, equipado com motor 1.8

> Terei problemas se instalar um kit de gás natural veicular (GNV) e transformar meu modelo em tricombustível.
VERDADE. Muito provavelmente você terá problemas, pois a maioria dos kits não é homologada pelas montadoras e altera a originalidade do projeto, causando a perda da garantia. A instalação de um kit de gás em um bicombustível pode provocar ainda um desvio no reconhecimento do combustível, o que ocasiona falhas. Mas informe-se na concessionária. Há kits homologados, que contornam todos esses problemas.

> Carros bicombustíveis requerem que se use sempre gasolina aditivada.
MITO. Na maioria dos carros nacionais, a gasolina comum pode ser usada normalmente, embora seja preferível optar pela aditivada, por razões que independem do fato de ser um bicombustível: ela evita a carbonização de partes internas do motor por apresentar aditivos que exercem duas funções: livrar o sistema de impurezas e manter limpos os locais por onde circula o combustível (tanque, sistema de alimentação e válvulas).

> Quando eu quiser substituir álcool por gasolina e vice-versa no tanque, devo fazê-lo gradativamente.
MITO. O motor tem um gerenciamento eletrônico que reconhece instantaneamente o tipo de combustível. Portanto você pode abastecer com álcool, ou gasolina ou com os dois juntos a qualquer momento.

> Se só abastecer com álcool, terei problemas de partida nos dias frios.
MITO. Os bicombustíveis têm um reservatório de gasolina justamente para auxiliar nas partidas a frio. Não esqueça, portanto, de sempre abastecer esse reservatório e de trocar seu filtro de gasolina.

Divulgação
Fiat Siena Tetra Fuel: lançado neste fim de semana, vem com motor 1.4

> Misturar os dois combustíveis permite obter o melhor de cada um deles: a autonomia propiciada pela gasolina e a potência maior do álcool.
VERDADE. Mais barato, o álcool é queimado mais rapidamente do que a gasolina, mas os modelos em geral ficam mais potentes (exceção feita a recém-lançados bicombustíveis 1.0). A gasolina, por sua vez, leva mais tempo para ser consumida, proporcionando maior autonomia.

> Comparado à gasolina, o álcool é mais corrosivo.
VERDADE. Mas isso não significa que o motor terá vida útil mais curta, pois todos os componentes que têm contato com o álcool receberam proteção anticorrosão.

> Carro bicombustível existe para abastecer sempre a álcool, que é mais barato.
MITO. Isso foi uma verdade antes das altas no preço do álcool no início deste ano. Hoje é mais recomendável ficar de olho nos preços e fazer as contas.

Saiba como calcular que
combustível vale a pena

 

Divida o preço do álcool pelo da gasolina e multiplique o resultado por 100. Se for maior do que 70, é melhor abastecer com gasolina. Se for menor, prefira abastecer com álcool.

 

Exemplo com o litro da gasolina a
R$ 2,30 e o do álcool a R$ 1,15: dividindo 1,15 por 2,30, chega-se
a 0,50. Multiplicado por 100, obtém-se
o número 50. Ou seja, nesse caso,
o melhor mesmo é o álcool.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 è Você tem alguma dúvida sobre carros flex? Conte para a gente aqui.

Publicado em 15/06/2006

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