Os anúncios em jornais, revistas e até outdoors espalhados pela cidade comprovam: os navegadores portáteis chegaram para ficar. Com uns dez anos de atraso em relação a Europa e EUA, é verdade, mas aí estão. Pelo menos meia dúzia deles invadiram o mercado nos últimos três meses.
Todos funcionam por GPS (sigla em inglês para sistema de posicionamento global) e trazem comandos de voz. Basta ligar, digitar no teclado da tela o endereço desejado e pronto! Com ordens do tipo “daqui a 200 metros, vire à direita” e “faça meia-volta”, ensinam o caminho para chegar ao destino.
 Quatro Rodas, Delphi e Marelli (coluna da esq.), Airis, Mobimax e Navisystem
Caso o motorista vacile, ele recalcula a rota em poucos segundos – alguns em minutos. Em tempo real aparece na tela o nome da rua em que se está (ótimo antídoto para placas “escondidas”) e em qual será preciso virar na próxima manobra.
É possível escolher dois tipos de caminho: pelas vias expressas (que nas grandes cidades não são tão expressas assim) ou pelo trajeto mais curto (prepare-se para pegar ruazinhas inimagináveis, mesmo em bairros conhecidos). Também é possível escolher entre mapa em 2D e 3D e visão diurna (mapa claro) e noturna (escuro).
 Trunfo do navegador do Guia Quatro Rodas é a base de dados da publicação
Não estranhe se, neste começo, o equipamento der algumas bolas fora – como mandar fazer uma conversão proibida ou mesmo impossível. Afinal as autoridades de trânsito podem ter mudado o sentido da rua ou mesmo colocado um bloqueio que antes não existia. Ou simplesmente o navegador pode estar errado.
Interpress Motor experimentou os seis principais navegadores do mercado: Guia Quatro Rodas, Delphi NAV200, Magneti Marelli EasyRoad, Airis T920A, Mobimax GPS A600 e Navisystem DOTB 300. Praticamente empatados na preferência da reportagem ficaram o do Guia Quatro Rodas e o da Delphi. O primeiro traz como trunfo a base de dados do consagrado guia, com restaurantes, bares, entre outras atrações. O segundo se mostrou extremamente preciso e útil – bastava pressionar o botão “I” para que o comando de voz repetisse a instrução.
 NAV200 da Delphi: empate em primeiro lugar com o do Guia Quatro Rodas
Praticamente equiparado aos dois primeiros, o da Magneti Marelli apresentou algumas falhas chatas, com demora excessiva para carregar os dados, o que se repetiu na hora de recalcular o caminho quando o motorista errava. O equipamento também chegou a dar algumas instruções absurdas, como converter à esquerda na rua Cônego Eugênio Leite, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), da avenida Rebouças sentido centro-bairro. Além de proibida, tal conversão é quase impossível.
Informada sobre o problema, a Marelli forneceu à reportagem um novo cartão (sim, as atualizações de todos poderão ser adquiridas ao longo dos anos e vêm em cartões de memória; quem comprar o da marca até o final do ano ganha a próxima de presente). Disse que o anterior era um protótipo Isso fez com que a precisão melhorasse, mas um problema continuou crônico: a demora para tomar decisões (ao que parece, é melhor instalar um processador mais rápido). Há um diferencial do EasyRoad, que é exibir pictogramas (flechinhas para não desviar a atenção do motorista).
 Easyroad, da Magneti Marelli: produto é bom, mas precisa ser mais rápido
Em um “segundo escalão” estão os navegadores Airis T920A, Mobimax GPS A600 e Navisystem DOTB 300. O da Airis, ao contrário dos outros, não traz funções como MP3 player e visualizador de fotos ou de filmes. Faz propaganda como sendo “o navegador utilizado pela empresa X, Y ou Z”. Será que isso é imprescindível na tomada de decisão? Outro inconveniente: não é só ligar e usar. Há um complicado processo de “desbloqueio” do equipamento, que deve ser feito pela internet digitando códigos ou por mensagem de texto no celular.
O Mobimax e o Navisystem são muito parecidos. Os dois trazem botões frontais, o que não parece muito “clean” (vai de gosto), sendo o forte do primeiro os mais de 8.000 pontos de interesse. O Navisystem tem design do mapa igual ao do navegador do Guia Quatro Rodas, mas é preciso tomar cuidado. A reportagem constatou que nem todas as ruas das 480 cidades que ela diz ter integralmente mapeadas de fato aparecem. Esse problema pode ocorrer sobretudo em cidades interioranas.
Aliás, especialistas afirmam que, dos navegadores que estão hoje no mercado, nenhum tem completamente mapeadas mais do que 70 cidades, embora alguns falem de quase 500! Antes de comprar um, verifique esse pormenor para não passar o apuro que a reportagem de Interpress Motor passou ao só ter a rua principal de uma cidade no navegador e não conseguir encontrar o endereço procurado. Para ter essa novidade, o investimento ainda é relativamente alto – cerca de R$ 2.000. Mas é de enorme valia, sobretudo para quem é consideravelmente perdido no trânsito.
Um último lembrete: os kits dos navegadores vêm com suporte de fixação no veículo, carregador de força para a tomada de casa e para o acendedor de cigarros (ou tomada de 12 volts do veículo). Convém ter sempre esta última no carro, pois a autonomia dos equipamentos dificilmente é superior a três horas.
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