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-11h32
Mais um livro que retrata a restauração
ambiental da cidade é lançado
da Redação
Esqueça aquela idéia de que Cubatão é sinônimo de
poluição, isso é passado distante. É principalmente na recuperação da
qualidade do ar, na volta dos peixes aos rios e na completa recuperação
da Mata Atlântica que está a maior prova disso. O município, considerado
o mais poluído do mundo nos anos 80, hoje é símbolo de restauração da
flora e da fauna. Muito já se falou sobre isso, mas desta vez, uma
bióloga resolveu abrir ao público o resultado de todo esse trabalho:
Maria Cecília Furegato se concentra em mostrar a biodiversidade de
Cubatão. O lançamento do livro “Cubatão, as cores da vida” será nesta
quarta-feira (3/6), às 15 horas, no Bloco Cultural do Paço Municipal.
A autora traz toda a história ambiental da cidade. Reconta o
florescimento da biodiversidade desde antes do descobrimento da região,
quando os extintos “sambaquieiros” habitavam o lugar e construíam os
sambaquis, verdadeiras colinas formadas com as cascas dos moluscos que
comiam. Descreve, ainda, a fauna e a flora da região, como, por exemplo,
o guará-vermelho – ave símbolo do lugar – e as árvores do manguezal. As
144 páginas do livro incluem belas fotografias tiradas pela autora.
Na cuidadosa pesquisa que precedeu a publicação do livro, Maria Cecília
levantou toda a história da região. Ela descreve como os índios do
planalto desciam ao litoral na época da seca, em busca de peixes e
frutos do mar, e conta como essas trilhas pelas encostas foram
percorridas pelos portugueses, transformando-se em estradas que,
modernamente, tornaram possível o surto industrial ocorrido na região.
A autora não esconde o estrago feito pelo ser humano, a destruição da
vegetação dos mangues, cortada para fornecer tanino e anilinas às
indústrias, mas mostra a conscientização dos empresários, que
contribuíram com a recuperação da natureza, tanto que hoje São Paulo
detém a maior mancha contínua de Mata Atlântica preservada no Brasil,
incluída a área de Cubatão, na qual um censo da fauna revelou a
existência de 134 gêneros de aves, pertencentes a 28 famílias.
Há 13 espécies de beija-flor, que a autora retrata nos seus minúsculos
ninhos, construídos com líquens e teias de aranha; aves que ajudam a
estender a mata, como as duas espécies de tucano, que regurgitam as
sementes que colhem nas árvores; e nada menos que 24 espécies endêmicas,
isto é, que no mundo inteiro só existem naquela região. Há ainda 19
espécies ameaçadas de extinção.
A obra não se limita às aves, entretanto, apresentando cada um dos
caranguejos do mangue - o guaiamu, o caranguejo-marinheiro, o chama-maré
e o uca; ilustra com fotografias a estranha reprodução das árvores do
manguezal, nas quais as sementes permanecem na árvore-mãe, germinam
antes do fruto se desprender, e só após um ano, os embriões se
desprendem para, carregados pela água, serem levados até um local onde
possam se fixar e crescer.
Autora - Quando menina, criada em uma casa com quintal grande em São
Vicente, Maria Cecília Henrique Furegato deixava as bonecas de lado para
observar os pássaros. Por opção ou por amor, como assinala, escolheu a
carreira de bióloga, numa época em que a maioria das adolescentes
preferia Medicina. Dedicou a sua vida à Biologia e vive cercada de
flores e bichos no Orquidário Municipal de Santos e, aos sábados, na
Reserva Natural da Carbocloro, em Cubatão.
Serviço
Lançamento do livro “Cubatão, as cores da vida”
Tarde de autógrafos com a autora Maria Cecília Furegato
Data: Dia 3 de junho às 15 horas
Local: Bloco Cultural do Paço Municipal
Entrada gratuita

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