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30/09/08 - 17h39
Área da ilha Caraguatá é invadida por 50 famílias    
O local é de preservação ambiental prefeitura tenta acordo com invasores

da Redação  

Cerca de 50 famílias invadiram uma área de preservação ambiental na Ilha Caraguatá. Os moradores afirmam que a ocupação ocorreu há cinco dias. A Prefeitura, proprietária do terreno, discorda, e garante que a ocupação
começou na noite do último domingo.  

Ontem, representantes da Administração Municipal, acompanhados de
policiais militares, foram até o local, mas não houve acordo com os invasores, que, até ontem, continuavam a montar os barracos, localizado no final da Rua Ralce Pereira, à margem da Rodovia dos Imigrantes, em uma região
denominada Ilha Inhapium.  

Secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Silveira Bello informou que a Prefeitura oficiou à Polícia Militar solicitando a imediata desocupação do local. Mas, ainda segundo o secretário, a PM decidiu aguardar uma decisão judicial para agir. "Como havia mulheres e crianças no local, a PM disse que é melhor aguardar uma liminar de reintegração de posse". Todavia, o temor de Bello é
que a morosidade da ação faça com que a ocupação irregular aumente.  

Por volta das 19 horas de ontem, A Tribuna entrou em contato com o 21º Batalhão da Polícia Militar para obter informação sobre a decisão da PM de aguardar a decisão judicial para efetuar a desocupação, mas foi informada que
o expediente do setor de relações públicas da instituição já havia sido
encerrado.  

O pintor Igor José Santana Gonçalves, que se apresentou como porta-voz das famílias que invadiram o terreno, conta que a área já havia sido desmatada por uma empresa, cujo nome ele não soube informar. De acordo com o pintor, as famílias que começaram a montar os barracos na área invadida são, em sua maioria, moradoras da própria Ilha Caraguatá, que vivem de favor na casa de amigos ou parentes.

"Eu moro com os meus cinco filhos, de favor, na área de serviço de uma casa aqui na Ilha. Essa é oportunidade de eu ter um lar. Aqui só conseguimos alguma coisa se enfrentarmos os políticos, a polícia", disse uma diarista que se identificou apenas como Neu.  

A aposentada Neuza (não informou o sobrenome), de 66 anos, disse que
decidiu construir um barraco no terreno porque atualmente mora "em um
barraco com dez pessoas. Eu minhas filhas e seis netos. É possível viver
bem desse jeito?"  

Apesar da Prefeitura alegar que a Ilha Inhapium é área de preservação
ambiental e pertencente ao Município, o advogado Luiz Roberto Farias, que também se apresentou como representantes das famílias, contesta as informações. "Esse terreno pertence a uma empresa privada. E como isso é
área de preservação se já existe uma série de casas ao redor?", questionou apontando para outros barracos mais antigos.  

Hoje, de acordo com o secretário de Meio Ambiente, o setor jurídico da
Prefeitura estudará quais medidas legais tomará para reaver a área invadida.

Fonte: A Tribuna, Santos