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| Forte
São João é o primeiro monumento de Bertioga O mais antigo forte do Brasil e o melhor preservado entre todos os que
foram tombados pelo Governo do Estado, também é o primeiro de
arquitetura militar construído no País. Esse patrimônio nacional,
revitalizado pelo prefeito de Bertioga, Lairton Gomes Goulart, também é
apontado como referência no livro Arquitetura Militar - um panorama histórico
a partir do Porto de Santos, que será lançado no próximo dia 22, a
partir das 14 horas, na Fortaleza de Itaipu, no Canto do Forte, em Praia
Grande. De acordo com o autor do livro, o arquiteto Victor Hugo Mori, do
Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (Iphan), a
Baixada Santista conta com o primeiro e também o último monumento de
arquitetura militar erguido no Brasil, que é o Forte dos Andradas, em
Guarujá, uma vez que a 2ª Guerra Mundial marcou o fim das fortificações
militares na costa brasileira. Editada pela Imprensa Oficial do Estado e Fundação Cultural Exército
Brasileiro, a publicação traz informações importantes sobre a preservação
do patrimônio cultural nacional e também um panorama mundial dos mais
expressivos monumentos e edifícios militares mostrando como as guerras
eram travadas desde o fim da Idade Média. Foram 10 anos de estudos
compilando dados que resultaram em pesquisas e
revelações que ajudam a entender a história. "As fortificações
acompanharam a artilharia e as táticas de guerra. Elas se transformaram,
no tempo e no espaço, adaptando-se às necessidades de cada época",
explica Mori. Para elaborar o livro, ele contou com a colaboração do
historiador Adler Homero Fonseca de Castro e do professor Carlos A.
Cerqueira Lemos, estudioso da arquitetura militar. Já a arte gráfica
ficou a cargo de Guen Yokoyama. Segundo Victor Hugo, o estudo teve como ponto de partida o Porto de
Santos porque ele "permite que se tenha uma linha do tempo contando a
história da arquitetura militar de 1550 até a 2ª Guerra Mundial".
O arquiteto explica que é muito mais fácil manter um monumento de
arquitetura militar do que um civil, pois a construção é concebida para
resistir a ataques e, portanto, mais duradoura. No entanto, no caso de Bertioga, o trabalho realizado pelo prefeito
Lairton Goulart tem sido fundamental para dar vida ao monumento e
contribuir para sua manutenção. Totalmente restaurado, ele conta com
salas temáticas que retratam parte da história da colonização
brasileira e valorizam a cultura indígena, o que tem atraído visitantes
de todos os cantos do País e do exterior. Na opinião do arquiteto, para ser preservado, o monumento deve ser
usado. "Um monumento sem uso se destrói tanto pelo vandalismo quanto
pelo próprio abandono". Por esse motivo, ele também elogia a
iniciativa do prefeito que desapropriou todas as construções edificadas
na área originalmente pertencente ao forte criando o Parque dos
Tupiniquins, de caráter histórico, turísticoe
cultural. Essa medida possibitou que fosse recriado o mesmo
ambiente natural que emoldurava o monumento na época de sua construção. De acordo com Victor Hugo Mori, a primeira fortaleza real e que contou
com projeto de Portugal é hoje a mais bem-conservada da Baixada Santista.
De todos os fortes tombados no Estado de São Paulo, o Forte São João é
o que tem melhor manutenção e, portanto, o que melhor atende a população".
Isso, sem contar a vantagem de que a paisagem onde ele está isnerido
ainda se mantém quase inalterada há quase cinco séculos. Segundo o
arquiteto, a impressão que se tem ao entrar pelo canal de Bertioga é a
mesma que teve, por exemplo, Fernão Cardim que a descreveu em 1555. Edificação começa em 1532 Com a denominação de Forte São Tiago, o monumento foi erguido em paliçada
de madeira em 1532, época em que foi ponto de partida para a esquadra de
Martim Afonso de Sá fundar a Vila de São Vicente, em 22 de janeiro do
mesmo ano. Construída em ponto estratégico para defesa de ataques de índios,
piratas e inimigos às vilas de São Vicente, Santos e São Paulo de
Piratininga, foi dessa mesma fortaleza que a esquadra de Estácio de Sá
partiu para fundar a cidade do Rio de Janeiro, em 1565. A primeira grande reforma no monumento aconteceu em 1547 após o ataque
vitorioso dos Tupinambás que incendiaram o forte e destruíram o povoado
da então Buriquioca (Morada dos Macacos) como era chamada Bertioga em
tupi-guarani Em 1699, a fortaleza ganhava as características atuais sendo
rebatizada como Forte São João, em 1765, devido à restauração da
capela erguida em louvor ao santo. Cerimônia
de reabertura do Maria Paula A reabertura do Forte São João foi o momento mais importante da programação dos 500 anos do Brasil em Bertioga. Momentos antes do pronunciamento das autoridades responsáveis, o prefeito Luiz Carlos Rachid hasteou a bandeira brasileira, enquanto o superintendente do IPHAN -Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Reinaldo Mora, e o vereador da Câmara Municipal de Bertioga, Sergio Pastori, hasteavam as bandeiras de São Paulo e Bertioga, ao som do Hino Nacional. A festa de reabertura contagiou o público presente com queima de fogos, balões e muito papel picado em verde e amarelo. O Forte São João estava fechado para restauração há mais de quatro anos e só agora foi reaberto para visitação. A obra de restauro ficou por conta do IPHAN e foi assinado pelo arquiteto Victor Hugo Mori, numa parceria com a Prefeitura Municipal de Bertioga. Na solenidade estiveram presentes várias autoridades do Município e representando o IPHAN e a pessoa do arquiteto Victor Hugo, estava o superintendente Reinaldo Mora. No pronunciamento, o superintendente ressaltou a importância do Forte, já que o mesmo foi construído em 1551, data em que o rei Dom João III autorizou sua edificação. A história mostra ainda que as Fortalezas São João e Barra Grande no Guarujá foram as primeiras a serem construídas no Brasil. “Bertioga está na história deste País e estas Fortalezas são monumentos quinhentistas. Os outros Fortes do Brasil não datam desta época, são posteriores, e a importância deste monumento é pelo tempo de existência e por ter sido mantido vivo”, explica o superintendente. Tombado pelo IPHAN, o Forte São João pertence ao Patrimônio Histórico de Bertioga. O IPHAN é o único órgão que detém todos os escritos e plantas originais do Forte. Reinaldo Mora não soube informar o valor total de custo da obra de restauro. Ex-caseira
fala da vida no Forte Maria Paula Depois de 15 anos sem comparecer ao Forte São João, Francelina Ana Barbosa, 65 anos, foi assistir a cerimônia de reabertura. Ela e a família residiram 25 anos naquele local, e como caseira recorda com felicidade do tempo, que ao lado do marido Antônio Barbosa, cuidavam daquele espaço. O falecido Antônio Barbosa era registrado como administrador da Fortaleza, pelo IHGGB- Instituto Histórico e Geográfico do Guarujá/ Bertioga, e trabalhou de 1960 a 1985. Francelina recorda os bons tempos, quando a própria família construiu uma casa de pau-a-pique junto ao Forte, e da criação de animais que ajudava a sustentar a família. “Nós criávamos galinha, pato, carneiro, marreco, enfim, o pequeno salário que meu marido ganhava era compensado pela liberdade de poder ter novas opções de sustento”. Ela relata ainda que a falta de energia elétrica e água tratada dificultava os trabalhos, já que tudo era manual. “Na época, a Fortaleza São João era tão limpa, que se perdesse uma agulha era possível achar. O meu marido trabalhava de sol a sol, por que aquilo estava abandonado”, ressalta. Com o passar dos anos, a relação de amizade entre a família Barbosa e a Presidente do IHGGB, Lúcia Falquembergue foi aumentado, até se tornarem comadres. Francelina relata que sem o conhecimento de ninguém daquela casa, chegou uma ordem de despejo, colocando todos para a rua sem aviso prévio. “Naquele dia, meu marido estava no hospital em Santos, e chegou um oficial de Justiça pedindo para que deixássemos a casa. Foi horrível, por que não tínhamos para onde ir, e eles não deixaram que retirássemos nada da casa. Até as nossas roupas tiveram que ficar lá. Fui para a casa de um amigo e só depois de seis meses deixaram a gente pegar nossas coisas”, reclama Francelina, que disse nunca ter ficado sabendo o por que de tal ocorrido. Atualmente ela e o filho Abelardo são caseiros de uma residência em Bertioga. Ela conta que depois do despejo, o marido recebeu apenas a metade dos 25 anos trabalhados no Forte, e hoje vive com apenas um salário mínimo de aposentadoria deixado pelo falecido. A ex-caseira e o filho Abelardo também falam do acervo que pertencia ao Forte São João. Segundo eles, a imagem de “Nosso Senhor dos Passos” e a garrucha datadas do século XVII, estão com ela, por que pertenciam ao marido. Entre os objetos do acervo, Abelardo recorda que existia uma espingarda, que segundo a história pertenceu a Dom Pedro III, a imagem de São Francisco, uma baioneta estripadeira, arco e flecha, balas de canhão, entre outros pequenos objetos, que sumiram depois que foram despejados. Oficial
da reserva recorda tempos Maria Paula Também estava presente na reabertura, o oficial da reserva, capitão Paulo Walter Siegl, que serviu em 1942 junto ao Forte de Bertioga. “Sempre que passo por aqui, vejo com saudade o Forte, que para mim foi um período difícil”, diz Siegl recordando que em setembro de 42, segunda guerra mundial, recebeu ordens para se deslocar para Santos em missão de vigilância. Em Santos, a 2ª Companhia se deslocou para o Guarujá e ocupou a colônia de férias da Associação dos funcionários do Banco do Estado. “Na época, eu era 2º tenente e fui o primeiro oficial a vir com a tropa para Bertioga. Nós tivemos a missão de constituir um destacamento que ocupou o Forte São João, outro na praia de Perequê, e outro em Juquehy, que ocupou o Posto do Telégrafo. Aqui mensalmente a tropa era revesada e ficávamos em missão de vigilância”. Siegl relembra do quarto que dormia dentro do Forte, o qual tinha característica de cadeia segundo ele. “Era um pouco diferente, houve algumas modificações, mas eu acredito que a atual estrutura conservou o que era original. Em 1942 a capela estava separada do Forte e muito abandonada, e os canhões já eram peças históricas”, recorda Seigl.
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