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O INÍCIO

A história de uma Cidade que nasceu para ser amada

1532

A história de Bertioga começa oficialmente a partir de 1532, quando Martin Afonso de Souza, nomeado por Portugal, Governador Geral da Costa, aportou seus navios na entrada do Canal de Bertioga, palco de árduas lutas de portugueses e seus aliados tupiniquins contra os tupinambás. Ao chegar no Brasil, fundou a Capitania de São Vicente (a qual pertencia Bertioga), com sede onde hoje é a nova cidade de Santos. Sua missão na Capitania era defender as missões portuguesas dos ataques dos índios e colonizar a região. Naquela época introduziu a cana-de-açúcar como meio sustentável para que a Capitania prosperasse.

Nessa mesma ocasião, os índios tupinambás (aliados aos franceses) que dominavam a região de Ubatuba, não queriam a presença dos colonizadores portugueses, uma vez que Martin Afonso já veio a mando da Coroa Portuguesa. Por outro lado, os portugueses contavam com o auxílio dos índios tupiniquins, fixados na região de Bertioga à Itanhaém. As duas tribos eram inimigas mortais.

Os tupinambás tinham a arte da embarcação. Eles conseguiam passar pelo Canal de Bertioga, com suas canoas (cada uma com até oito índios), empregando uma velocidade extraordinária, sem nunca tirar o remo da água, em silêncio total, sem que os inimigos percebessem a sua presença. Dessa forma conseguiam chegar até a vila de Santos, ateavam fogo e retornavam para Bertioga sorrateiramente, sem serem notados. Eles só atacavam de madrugada, pois tinham a certeza que as águas do Canal de Bertioga eram tranqüilas, não havendo o risco de virar as canoas.

João Ramalho

Ao ser informado da chegada do Martin Afonso, João Ramalho, que morava no Planalto, veio para Bertioga receber o Governador-Geral da Costa. João Ramalho, um português considerado chefe indígena, era casado com a índia Bartira, filha do cacique Tibiriçá. Na ocasião, os tupinambás rebelados, inimigos mortais dos portugueses, mantinham na pequena vila de Bertioga grupos de ataque, que traziam intranqüilidade aos moradores do local. Entretanto, a presença de um chefe indígena (João Ramalho) fazia com que a convivência fosse pacífica e sem choque armado.

Em razão de freqüentes ataques dos índios tupinambás, que capturavam e devoravam seus reféns, pois eram canibais. Nasceu nessa época,  a consciência da pequena estacada de madeira (uma casa forte, que deu origem mais tarde, ao Forte São João), caracterizando a posse do lugar e dando-lhe ao mesmo tempo um aspecto de terra habitada e defendida. Mas, como era de se esperar, as tribos tupinambás, começaram a sentir a presença do intruso europeu e sua audácia dominadora. Por isso, essas tribos lançaram um ataque maciço em 1537, na pequena vila, resultando na morte de cerca de 200 homens nas imediações dessa fortificação provisória. Os remanescentes que estavam dentro dessa fortificação eram os irmãos Braga, filhos de Diogo Braga e, João Ramalho, que após o ataque dos silvícolas, resolveram construir uma fortificação que impedisse esse tipo de invasão pelos indígenas.

A partir de então, nasce a construção em pedra do Forte São Thiago (hoje São João), concluída em 1547. Quatro anos depois (1551) surgiu outra fortaleza, erguida ao lado oposto do São Tiago, na entrada da barra, denominada São Felipe. Esses fortes tinham importância extrema para a sobrevivência da Colônia Portuguesa no Brasil, pois eram dotados de um sistema de defesa estratégicamente perfeito.

Pacificação

Em 1563, chega à Capitania a noticia de que estaria sendo formada uma Confederação de Tamoios. Vinte mil guerreiros das tribos Aimberê, Cunhambebe, Pindobussú e Coaquira, se reuniram para exterminar a Barra de Bertioga e também Goiaó e Paranapiacaba. Os índios eram antropófagos. Os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, e o civil Miguel Adorno partiram rumo a Ubatuba, com uma proposta de paz. Anchieta liderava a missão, que naquele ano saiu para o primeiro Tratado de Paz das Américas - Tratado de Iperoíg. Após um mês, o padre Manoel da Nóbrega, e José Adorno voltaram à Bertioga, juntamente com alguns tamoios. José de Anchieta ficara como refém, garantindo o cumprimento do Armistício de Iperoíg.

No ano seguinte, 1564, no mês de março, Mem de Sá, chega a Santos e São Vicente para aliciar reforços destinados à fundação da cidade do Rio de Janeiro. Em 1965, partem de Bertioga, no dia 27 de janeiro, após missa campal junto ao Forte São Thiago, celebrada pelo padre Manoel da Nóbrega, os expedicionários de Santos, São Vicente e São Paulo, que fundariam a futura capital do Brasil: a cidade do Rio de Janeiro.

Entre os anos de 1600 e 1700, foi criada em Bertioga, a Armação da Baleias, motivada pelo advento da iluminação pública e particular a óleo de cetáceo, no Brasil.

A Armação contava com sucursais em São Sebastião (Litoral Norte) e na praia do Góis, em Santos. Com isso, Bertioga torna-se um centro industrial. Por dois séculos Bertioga foi de fato a luz de duas capitanias, até a entrada do gás carbônico, que só foi utilizado na iluminação pública de Santos depois da guerra com o Paraguai, entre 1870 e 1872.

Usina de Itatinga

A partir de 1910, a Companhia Docas do Estado de São Paulo, que administra o Porto de Santos, constrói a Usina Hidrelétrica de Itatinga, junto ao rio Itatins, para fornecer energia destinada ao cais de Santos. Apesar da Usina, Bertioga viveu na escuridão até 1966, quando passou a contar com os serviços de eletricidade implantados durante a administração do então prefeito de Santos, Silva Fernandes Lopes.

Dois anos depois, qm 1968, é instituído o abairramento de Bertioga, ainda pertencente a Santos. Em 1969 é criado o Distrito de Bertioga.

Reforma da Fortaleza

Em 1764 acontece a reforma total da fortaleza e da capela anexa a sua estrutura. Em louvor a São João Batista, o Forte passou à denominação de São João. Nessa época, um regimento com fardamento ao estilo europeu serviu na fortificação, impedindo a passagem de invasores pelo canal de Bertioga.

A partir de 1945, após a segunda Guerra Mundial, a fortificação foi abandonada (foi retirado dali todo o sistema de armamento, ficando ao descaso por quase quinze anos). Em 1958 foi reformada e restaurada pelo extinto SPHAN (Serviço de Patrimônio Histórico, Artístico Nacional), nascendo o Museu João Ramalho em 1962, hoje sob a guarda do Instituto Histórico e Geográfico Guarujá-Bertioga, sob presidência de Lúcia Falkemberg.

A Emancipação de Bertioga

Bertioga viveu momentos muito importantes na sua trajetória, desde o tempo de outrora. Os envolvidos no movimento separatista, que lutaram para que Bertioga se desligasse do município de Santos, enfrentaram muitas barreiras até chegar à vitória, quando o Distrito confirmou a sua autonomia no dia 19 de maio de 1991.

A chamada emancipação político-administrativa de Bertioga foi acesa em 1958, com Epifânio Batista (Faninho), Aldo Ennos de Moraes, Laureano Dias, entre outros, que brigavam para derrubar o Decreto 14.334 de 30 de novembro de 1944, do então governador do Estado Adhemar de Barros, que anexou Bertioga e todo o Litoral Norte ao município de Santos.

Na ocasião (1958), aconteceu o primeiro plebiscito, para saber o que realmente desejava a população: ver Bertioga emancipada, ou continuar ligado à Santos. A maioria dos bertioguenses optou pelo não. 219 repudiaram o desmembramento contra 56 votos pelo sim. Mas a luta não terminou.

O movimento só foi retomado em 1982, tendo à frente o comerciante José Flávio Romero, o corretor de imóveis Pacheco Ferreira de Sá e Paulo Reis. Unidos por um mesmo objetivo, eles encabeçaram um abaixo-assinado com 100 assinaturas a favor da criação do município. Na ocasião, Santos era área de segurança nacional, por isso foi negada a consulta popular.

Insistentes e acreditando nessa luta, em 1985 foi criado o Movimento Pró-Emancipação de e Autonomia de Bertioga, presidida por Licurgo Mazzoni, além de Jerônimo Lobato, Antônio Duarte e Antônio Gentílio Purita (vice-presidentes), Pérsio Dias Pinto (1º tesoureiro), Abelardo de Araújo Barros (2º tesoureiro), Eunice Olsen Lobato (1ª secretária, Irene Vaz Pinto Lira (2ª secretária) além de um conselho deliberativo composto por José Nunes Viveiros, Carlos Sérgio dos Santos, Maria Izabel Rodrigues da Silva, entre outros. A Comissão era coordenada por Rubens Puccetti.

No ano de 1989, a discussão em torno da emancipação ganhou destaque. Na época o município de Santos brigou politicamente para manter o seu território. A então prefeita Telma de Souza apontava a especulação imobiliária como um dos fatores prejudiciais ao futuro de Bertioga.

Apesar das inúmeras dificuldades, foi marcado o plebiscito para 05 de novembro de 1990, mas a prefeita Telma de Souza conseguiu uma liminar vetando a realização do pleito naquela data. Novos movimentos foram realizados até que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcasse a data do plebiscito para 19 de maio de 1991, que culminou na emancipação político-administrativa de Bertioga, que foi consolidada efetivamente a partir de janeiro de 1993, com a definição de seu primeiro prefeito e de sua primeira Câmara de Vereadores.

O Plebiscito

Em 19 de maio de 1991, a população de Bertioga realizou o seu sonho tão esperado. Foi um dos momentos históricos mais importantes para o então distrito que pleiteava, pelo menos há 33 anos a sua liberdade. Foram 3.925 votos no total, registrando-se ainda 27 nulos e 21 em branco. Naquele dia, Bertioga ficou em estado de graça. A alegria foi geral.

O sonho passou à realidade

A primeira eleição

Em 5 de outubro de 1992, a população de Bertioga vai às urnas escolher o primeiro prefeito do futuro município e os vereadores que iriam compor a primeira Câmara Municipal. Naquele dia, Bertioga acordou cedo para votar. As ruas viraram um verdadeiro formigueiro humano. Há muito tempo não se via tanta alegria.

Após o final da eleição, o Ginásio de Esportes do Sesc/Bertioga foi pequeno para o público que chegou para acompanhar a apuração. A batalha que começara há meses, terminaria ali, com apenas um vencedor. Luiz.

Pessoas que fizeram a história

Hans Staden - Artilheiro alemão que teve papel importante nos primeiros tempos de Bertioga. Foi o primeiro artilheiro no Forte São Felipe. Depois disso, “os ditos indígenas da providência divina e da sua constante vigilância, não conseguiram mais entrar no Canal de Bertioga”. Esse fato, por outro lado, dimensiona, sem sombra de dúvida, o valor profissional e os atributos morais que todos reconheciam no grande artilheiro.

- Irmãos Braga - eram cinco ao todo - além de muito corajosos, falavam fluentemente a língua indígena. Foram muito importantes na luta em defesa de Bertioga, enquanto Capitania de São Vicente.

- João Ramalho, Jorge Ferreira, Thomé de Souza, Padre Anchieta, Padre Manoel da Nóbrega, Vicente de Carvalho, Sebastião Arantes, foram alguns dos homens que lutaram por Bertioga.

  EDITORIAL
Bertioga e Jornal da Baixada: 15 anos...
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1992
Orlandini: o primeiro prefeito eleito da cidade
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1997
Rachid administra Bertioga de 1997 a 2000
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2001

Lairton é eleito
prefeito de Bertioga
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2005
Lairton é o primeiro prefeito a ser reeleito
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TURISMO
O Forte mais
antigo do Brasil
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MAIS...
Curiosidades
sobre Bertioga
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