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Aposentados
e golpistas Por
Milton Dallari* Uma
almofada térmica que “prevenia” infartos, AVCs, além de combater a
insônia, o nervosismo e a depressão virou caso de polícia no Rio Grande
do Sul. O apetrecho “milagroso” era vendido aos aposentados com a
promessa de que o valor seria abatido em prestações no contracheque do
INSS. O problema é que na hora de fechar o negócio eles não
desconfiavam de que ao fornecer seus documentos estavam na verdade
oferecendo dados valiosíssimos que seriam utilizados para empréstimos em
bancos. Mais de 100 pessoas procuraram o Procon gaúcho para reclamar do
golpe. O
caso acima é apenas um entre muitos exemplos de falsários que se
apresentam aos aposentados com ofertas imperdíveis para melhorar a saúde
e as finanças domésticas. Quem nunca ouviu falar do golpe do bilhete
premiado? Meses atrás, uma senhora foi abordada por um homem com sotaque
do Interior, que procurava uma lotérica em um bairro da Zona Sul de São
Paulo para trocar um jogo da Loteria Federal. Enquanto
ela explicava o caminho, apareceu um homem de terno e gravata sugerindo
que o outro cidadão vendesse o bilhete. Por um instante, ela sentiu-se
atraída pela proposta de dividir aquele prêmio. A ambição e a ganância
falaram mais alto nesse momento, sobretudo porque sua filha estava prestes
a se casar e ela enxergou no negócio uma oportunidade de ajudar com a
entrada de um apartamento. O
sujeito bem vestido tirou alguns dólares do bolso e disse a ela que
precisavam completar o valor para dar ao simplório homem que estava na
frente deles. Ela disse que não tinha dinheiro em casa. Insistiram, então,
para que ela fosse ao banco. Só nesse momento é que a ficha caiu. Ela se
despediu da dupla e prometeu nunca mais dar atenção a estranhos na rua.
O pior é que ainda teve de agüentar a chiadeira dos filhos reclamando de
sua inocência diante do ocorrido. Mas
nem todos têm a mesma sorte dessa senhora, que escapou por pouco de ver
suas economias na mão dos larápios. Infelizmente, algumas pessoas só
percebem que foram lesadas quando não há mais condição de recuperar o
que foi perdido. Em alguns casos, dão tudo o que tem em troca de nada.
Ficam de mãos vazias e cabeça cheia. Os idosos e aposentados são os que
mais sofrem na mão dos golpistas. Talvez porque acreditem que nessa fase
da vida ninguém terá coragem de passá-los para trás. Ou mesmo porque são
do tempo em que se preferia confiar nas pessoas antes que elas provassem o
contrário. De
um jeito, ou de outro, tenha sempre em mente que almofadas
“milagrosas” e bilhetes “premiados” não caem do céu. Antes de
assumir qualquer risco, consulte os amigos e os filhos para não se
arrepender no futuro. Não dê atenção a estranhos que falam em nome de
companhias ou institutos públicos como o INSS. Tenha
certeza que se alguém quiser realmente lhe oferecer algo de valor, se
utilizará de outros meios para isso, como um anúncio no rádio ou na
televisão. O conto do vigário de tempos passados é reinventado
diariamente porque tem que gente que ainda cai na conversa de bandidos com
cara de mocinhos. Abra o olho. * Milton Dallari é consultor empresarial, engenheiro, advogado e presidente da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp. O e-mail para contato é o mdallari@decisaoconsultores.com.br.
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