Além de "Chiquita Bacana", outra peça da obra de João de Barro que obteve relevo em contexto internacional foi "Touradas em Madri", gravada nos Estados Unidos por Xavier Cugat, Dinah Shore, Carmen Miranda e pelas Andrew Sisters. A marcha proporcionou ao compositor uma de suas maiores emoções, ao ser cantada por grande parte do público que lotou o Maracanã no jogo do Brasil contra a Espanha, durante a Copa do Mundo, em 1950.

Para Braguinha, a década de 50 trouxe um novo intérprete de sua obra: Jorge Goulart. O cantor popularizou duas versões que João de Barro escreveu para canções de Charles Chaplin: "Luzes da Ribalta" ("Limelight"), com Antônio Almeida, em 1953, e "Sorri" ("Smile"), em 1955. Mas o maior hit bragueano lançado por Goulart saiu dois anos depois: o samba-canção "Laura", composto com Alcir Pires Vermelho. Também de 1957 datou o lançamento de mais uma composição antológica de João de Barro: "Vai com Jeito" (com Antônio Almeida), por Emilinha Borba, outra importante intérprete do compositor à época.

Nos anos 60, Braguinha continuou produzindo no gênero, mas a música carnavalesca já entrara então em fase de declínio. Em 1968, um espetáculo – "Yes, Nós Temos Braguinha" – comemorou seus quarenta anos de vida artística.

À época, duas criações suas – "Yes, Nós Temos Bananas", por Caetano, e a versão "As Três Caravelas", por Gil e Caetano – foram gravadas pelos líderes do Tropicalismo. Caetano iria mais longe, no início da década seguinte: comporia e gravaria uma música de carnaval – "A Filha da Chiquita Bacana" – que fazia uma alusão direta ao seu velho clássico carnavalesco, "Chiquita Bacana".

Também nos anos 70, duas regravações de peças suas se transformaram em grandes hits. "Cantores do Rádio" saiu em 1972 nas vozes de Chico Buarque, Nara Leão e Maria Bethânia, tendo sido incluída na trilha de "Quando o Carnaval Chegar", filme de Cacá Diegues (cinco anos depois a música foi mais uma vez relançada pelo grupo As Frenéticas). E "Balancê" estourou em 1979 interpretada por Gal Costa, com quem se popularizou muito mais do que com Carmen Miranda, autora de seu registro original, feito para o Carnaval de 1937.

Nos anos 80, João de Barro e sua obra se tornaram objeto de grandes homenagens. Em 1983, a montagem do show "Viva Braguinha", com a sua participação, foi levada a várias capitais do país. No ano seguinte, na inauguração do Sambódromo, ele foi tema da Estação Primeira de Mangueira, chegando a participar do desfile da escola de samba, que terminou vencedora do Carnaval do Rio. Em 1985, foi-lhe entregue o Prêmio Shell para Música Brasileira, por sua obra. E em 1987, saiu publicada sua biografia, "Yes, Nós Temos Braguinha", do pesquisador Jairo Severiano.

Entre as releituras de criações suas levadas a cabo nas últimas décadas, duas se sobressaem: a que Gal Costa fez para "Fon-Fon", dele e Alberto Ribeiro, no final dos anos 80, e a de Djavan para "Sorri", sua versão para "Smile", de Chaplin, nos 90. Em 1994, o guitarrista e cantor Edgar Scandurra fez um show só com músicas de João de Barro no MIS de São Paulo, dentro da série "Sempre-Novas".