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Relembrando 51 anos da
rebelião da Ilha Anchieta

No último sábado, dia 21, a Comissão Pró-resgate Histórico da Ilha Anchieta, formada por integrantes do 5º BPM/I, sediado em Taubaté/SP, e de associações de classe da PM, realizaram mais um emocionante encontro de sobreviventes da rebelião de 20 de junho de 1952 e de “Filhos da Ilha” como são carinhosamente chamados seus descendentes. O evento aconteceu na paradisíaca Ilha Anchieta, durante todo o dia, com a presença de autoridades civis, militares e religiosas, pesquisadores e convidados.
Frei Gastone, pároco da igreja matriz Exaltação à Santa Cruz, celebrou uma missa, no pátio interno do antigo presídio, em memória dos que tombaram no “motim sangrento da ilha”, como definiram os jornais da época. Durante a cerimônia, foi feita a chamada dos dez falecidos civis e militares e o Cd. PM Paulo, corneteiro do Regimento da Cavalaria Nove de Julho, executou o “Toque do Silêncio”, que a todos emocionou.
Logo após, todos caminharam pela trilha que leva até a Vila Militar e pararam no túmulo erigido em memória dos soldados mortos em combate, na altura do alojamento militar, para prestar-lhes uma singela homenagem, onde foram depositados ramalhetes de vistosas flores e o corneteiro executou o “Toque da Vitória”. “Porque tenho certeza que todos descansam na paz do Senhor, não importando o que tenham sido ou feito”, confortou Frei Gastone.
A primeira homenagem deste porte foi realizada em 1998, quando muitos que foram crianças na ilha se reencontraram, assim como desta vez, e alguns se conheceram na mesa redonda, realizada no final do evento.

O dia anterior
Segundo o Ten. PM Ref Samuel Messias de Oliveira, pesquisador incansável da dramática rebelião, no dia seguinte aos fatos, os dez cadáveres foram levados para Ubatuba e enterrados no Cemitério Santa Cruz, no centro da cidade, mas ninguém das famílias assistiu ao enterro. “Estava tudo muito tumultuado, muito difícil, e muitas das famílias foram imediatamente removidas para Taubaté e não voltaram mais. Muitos procuraram mas, como não tinha lápide, nada encontraram”, argumenta Samuel.
Ele explicou que nem a Polícia Militar tinha registro, somente a administração do cemitério, que funciona em outro local. Recentemente, Samuel localizou tais registros e, no dia anterior à homenagem, Frei Gastone celebrou uma missa no cemitério na intenção de suas almas.
* Um pouco da história da Ilha
Segundo dados históricos, o primeiro dono da Ilha Anchieta (então Ilha dos Porcos) foi o cacique Cunhambebe, o mais poderoso dos chefes dos Tamoio. A partir de 1.800, abrigou um destacamento do exército português e, em 1850, uma base da Marinha inglesa para combater o tráfico de escravos negros. Em 1885, foi criada a Freguesia do Senhor Bom Jesus da Ilha dos Porcos e, em 1908, foi inaugurada a Colônia Correcional do Porto das Palmas, destinada a recolher os homens considerados vadios, transformada em presídio político, em 1930.
Em 1934, passou a chamar-se Ilha Anchieta e, em 20 de junho de 1952, foi palco da mais sangrenta rebelião de presos, culminando com mortes desnecessárias, que trazem muita tristeza aos corações dos sobreviventes do triste episódio que abalou o mundo. De 1952/55, sediou um forum para julgar os prisioneiros capturados; em 1997, foi criado o Parque Estadual da Ilha Anchieta (PEIA), com a finalidade de preservar as instalações históricas para pesquisas culturais.
(* Copilado do livro “Ilha Anchieta - Rebelião, Fatos e Lendas”, de Tenente Samuel Messias de Oliveira)