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“ISSO ELES NÃO NOS ROUBAM”



Países da Europa Comunitária fazem investimentos em países africanos visando a diminuição da miséria, controlar as migrações em massa e promover o desenvolvimento dos países. As áreas escolhidas, preferencialmente, são educação e saúde. Imperando a corrupção, nos governos locais, os investimentos são realizados diretamente pelos investidores ou através de Organizações Não Governamentais – ONGs – de caráter internacional e de provada honestidade.
Assistia, pela TV, reportagem sobre investimentos em educação em país sub-sahariano. Na inauguração de enorme centro educacional construído e administrado pelo país investidor, estavam presentes as autoridades locais, o Sr. Embaixador e o Sr. Ministro do Interior do país investidor e numeroso público. Após os discursos das autoridades locais e antes de passar a palavra para o Sr. Ministro surge, do meio do povo, um senhor alto, elegante, forte, decidido e pega o microfone. Todos se entreolham. Sem dar tempo a reações fala com clareza e decisão:
“Senhor Ministro: Aqui nos roubam tudo. O que vocês fazem por nós eles não nos podem roubar. A educação que é ministrada, aos jovens do meu povo, aos meus irmãos, não conseguem roubar. É nossa. Fica conosco. Agradeça seu governo, por essa dádiva, em nome de meu povo”.
Foi só. Nutrida e demorada salva de palmas com vivas aos governantes do país investidor estourou na platéia. O Ministro, diplomaticamente, sorriu e agradeceu. Os representantes do governo local amarelaram frente aquela verdade gritada, no meio do povo.
A cena impressionou. O grito: “Aqui nos roubam tudo” ressoou em todas as consciências.
Observando os desvios e má administração das verbas da educação, esse grito, poderia ser encampado pela maioria dos professores e trabalhadores da educação em grande parte do território brasileiro. Aqui também roubam tudo. Como conseqüência não há material pedagógico, bibliotecas nas escolas, laboratórios, salas ambiente, alimentação de qualidade, professores bem formados, satisfatoriamente remunerados, tendo boas condições de trabalho, sendo bem tratados e com oportunidades de se aperfeiçoar em serviço.
Como aqui roubam ou desviam tudo da educação, estes dias, tivemos o desprazer de ler, ouvir e ver, na imprensa, que, entre 34 países desenvolvidos e em desenvolvimento pesquisados, o Brasil, era o que menos investia em educação e o gasto aluno/ano era inferior à metade do penúltimo colocado, na pesquisa. Do que pode concluir-se que o PAC da Educação é um processo acelerado e capcioso com verbas da educação. Colhidos os resultados negativos, a culpa é sempre do professor que não ensina e do aluno que não aprende.
Somando a roubalheira aos exemplos recebidos dos Executivos e Legislativos, espalhados por todo o Brasil, é difícil ter esperança.
Corsino Aliste Mezquita