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Fernanda Liberal, Construindo gamelas de letras
 

 
‘Uma mulher, uma alma, um olhar confortante, uma essência ímpar, uma amiga cúmplice, mãe inenarrável, guerreira, amante incondicional, menina, gentil rebelde com causas, psicóloga, professora, ousada, delicada, socióloga, poeta... Muitas Fernandas que como seu sobrenome sugere ‘Liberal’, liberdade da alma e suas verdades!!! E tantas foram as ações que fizeram e fazem a diferença, exemplo de vida!’
A felicidade transborda pelo brilho dos seus olhos e acaricia a todos que têm o prazer de poder olhá-los frente à frente. O amor que brota de sua alma parece nos encobrir por um manto quentinho, fácil de nos apaixonarmos e de entender o que aconteceu com seu para sempre companheiro e cúmplice Lemar, com quem teve quatro belos filhos: Fernando, 46; Ricardo, 42; Henrique, 40 e Patrícia, 38, e que hoje lhes presenteiam com três lindas netas.
Eles confessam que se apaixonaram à primeira vista e que mesmo naquela época, em 1958, onde havia formalidades, eles se casaram em apenas três meses. Ano que vem completam Bodas Ouro, caminhando às vezes em passos largos, às vezes curtos e por vezes até parados, mas sempre lado a lado e enamorados.
Quem conhece Fernanda é fácil perceber que ela transformou as dificuldades em aprendizados, mostrando sua sabedoria em um sorriso e uma palavra confortante, transparecendo que eles nem existiram em sua caminhada. Mas a moça que irá completar agora, em 14 de novembro, os seus bem vividos 70 anos, escorpiniana em signo e ascendente também tem seus atos por hora inusitados. Assim foi seu casamento, a vinda para Ubatuba e posteriormente os seus livros...
Morava em São Paulo, sua cidade natal, onde também tinha uma escola maternal e pré-escola. Lá já estava politicamente envolvida por causas sociais que envolviam os direitos da mulher, psicóloga e voluntária de palestras de conscientização. Apostava não no radicalismo, mas sim no jeito sábio que a mulher tem de poder conseguir o que se quer.
Campista e dona de muitas histórias de aventuras e viagens com seu companheiro, resolveram vir a Ubatuba, preciso dizer?... Apaixonaram-se imediatamente, pela ainda pouco explorada praia do Perequê-Açu. Voltaram a São Paulo, se desfizeram de tudo e em poucos dias já estavam aqui com a primeira Pousada do Perequê-Açu. Foi nas areias de Ubatuba que embalaram ao som do mar seus filhos pisando em chinelo de dedo, bicicletas, longe do consumismo da cidade grande e ofertaram um rico estudo a todos, que hoje têm formação acadêmica. O tempo ia se formatando em seu cotidiano e sua fase de mãe, trocadora de fraldas, ensinar a andar da bicicleta, etc. e uma cidade nova. Os amigos foram aparecendo e com eles as histórias também. Provavelmente seu lado psicólogo inspirava as confissões de suas amigas, que deixavam em Fernanda sempre um pouquinho de si. Aqui também lecionou um bom tempo na escola Aurelina nas cadeiras de filosofia e sociologia, e continuou participativa nas comunidades com suas palestras, e especializou-se também em Dinâmica de Grupo com Sensibilização. Com tanta vivência foi colhendo muita vida em sua bagagem, que com o tempo começou a transbordar por suas mãos passando pela caneta e derramando em folhas de papel em forma de poesia... Precisava compartilhar aquelas verdades. Esculpia aquela bagagem formando uma gamela de letras e por isso ela acredita ser uma Artesã do Livro, e assim o é.
Nestas poesias ela fala da mulher em todas suas nuanças, seus ímpetos, dores, amores, aflições, tesão, sensualidade, mãe, desejos, derrotas, conquistas, liberdade, vida, vida!!! Bênção divina! E assim podemos compartilhar em suas obras um brinde de Fernandas, mulheres ocultas, um pouco de nós, porque na matemática da vida nos colidimos com algumas exatas e assim nos identificamos e desabafamos em cada página, ora sorrimos, ora choramos, ou aprendemos e por vezes até ignoramos, pois não nos diz respeito, mas quem sabe diz à vizinha?
Fernanda não teve medos ou receios. Se os teve foram os normais aos humanos e os ignorou, pois seu amor em compartilhar foi maior, e obrigado, nós agradecemos. Sua primeira participação foi em um varal em São Paulo, em 19 86; no mesmo ano participou do primeiro concurso de Poesia da Fundart (ano em que a fundação nascera) e se classificou em 2º lugar com “Guerreiras” e depois não conseguiu parar nunca mais... Nem de concursos e ganhar premiações e nem de publicar livros. Já somam: ‘A primavera começa em mim’; ‘A Eternidade no Dia-a-dia’; ’Os olhos uma Estrada’, ‘O rubor de nossas faces’ e várias participações em coletâneas. Todos presenteados por seus filhos com 500 edições esgotadas. E já está com 12 crônicas e contos quase prontos para irem ao forno, só esperando uma oportunidade. Quando perguntei se queria deixar algo aqui registrado, ela diz que gostaria de agradecer a intensidade e a qualidade de amor e amizade que todos que passaram e permanecem em sua vida lhe proporcionam, que ao longo dos anos traz consigo amizade, desde os seus 12 anos de idade, e diz que os amigos verdadeiros não são poucos, então fica difícil aqui enumerá-los, mas obrigado por existirem e permanecerem. E eu digo, só temos aquilo que merecemos. E é bom saber que neste planeta tresloucado existem pessoas como você que apostam no outro, na coletividade e no voluntariado.
Obrigado, Fernanda!