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EU AMO PICARETÓPOLIS!


Picaretópolis nasceu sobre a preguiça Mazaropi (prantânu nasce, mais num prântu não!), tendo à nordeste a lei de Gerson (levar vantagem em tudo) e à noroeste o nó em pingo d’agua (dendoôns e foradoôns).
Lá acontecem coisas estranhas, tais como:
O chaveiro pede que vc leve o miolo da fechadura, para fazer cópia de chave. Enfia a cópia no miolo e não consegue mais tira-la. Tem que desmontar o miolo, e... cobra por isso (além da cópia)!
O antenista vende uma parabólica com instalação inclusa. O cliente compra um acessório que revela-se desnecessário. O antenista recusa-se trocar o acessório por outra mercadoria, alegando que o “o acessório faz parte do principal...”.
No supermercado, ao receber telefonema do PROCON, informando haver queixa de venda de sorvete estragado, o comerciante informa que “...isso é coisa de quem não tem o que fazer! Diz que eu mandei ele ir á m...”.
Por obvio, se você for pagar o biquíni da esposa com desconto do preço à vista, a máquina do cartão de crédito vai estar “quebrada...”.
Nem pense fazer lanche ou almoçar na barraquinha de praia, pois incluirão na conta o uso do toalete. Talvez seja melhor você comer com as mãos sujas...!
Melhor vir com o tanque cheio, pois são grandes a chances do seu carro percorrer 20% menos de quilometragem com o combustível picaretopolense...
Você  vai perguntar como é possível existir no mercado comerciantes que agem dessa forma? Como eles conseguem evitar a falência? Há algumas explicações plausíveis:
Picaretópolis é relativamente pequena. Isso diminui a concorrência.
Ademais, é uma cidade turística. Vale dizer, sempre haverá um comprador desavisado, que tentará prestigiar o comércio local e, por razões bastante óbvias, ficará aborrecido.
O que os ditos maus comerciantes deixam de perceber, é que essa mistura de preguiça e pseudo-esperteza, prejudica à todos, inclusive eles próprios. Senão, vejamos:
Será que um turista habitual, que tenha passado por um dos episódios relatados, continuará programando compras em Picaretópolis? Ou, que tipo de comentário o turista eventual levará para sua cidade de origem? Algo que estimule o movimento comercial? Até os moradores, se tiverem chance de comprar noutra praça, comprarão em Picaretópolis?
Faturamento menor, emprego menor, arrecadação tributária menor. Todos perdem.
Este conto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade, é mera infelicidade.
Assinado: Cidadão Picaretopolense.