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Secretário de Saúde quer censurar o jornal A Semana

O Conselho Municipal de Saúde (Comus) realiza suas reuniões ordinárias todas as segundas segundas-feiras de cada mês.
No último dia 8, a reunião foi presidida pelo conselheiro Quincas Cruz Neto, devido à ausência do presidente Nelson Eduardo Barros Camargo, que estava viajando.
A presidente da Sociedade Amigos do Lázaro (SAL), Maria Luiza Caschera Leme, cobrou posicionamento quanto à denúncia que a SAL protocolou junto à prefeitura (dia 13) e ao Comus (dia 15) denunciando possível abuso de poder do presidente do conselho.
O secretário de Saúde, Clingel Frota, salientou que o conselho tem que estar acima de toda e qualquer questão pessoal. “Ou nos impomos como membros do conselho ou não somos nada”, falou, enfático. E mandou que se colocasse nos jornais sua decisão. “Assumo o compromisso de que esse fato não voltará a acontecer. Vou pessoalmente pedir desculpas para a comunidade e instaurar sindicância no posto de atendimento para apurar responsabilidades dos funcionários”, garantiu.
Depois de muita discussão, ficou acordado que assuntos de relevância sobre conduta de quaisquer dos conselheiros terão prazo para solução: 48 horas para encaminhamentos e 15 dias para esclarecimentos. Além disso, Frota mandou um recado direto à imprensa presente. “Quando for imputado o nome do prefeito procure a mim, que sou a voz do prefeito na secretaria”, ordenou.
A apreciação da folha de pagamento dos funcionários da Secretaria de Saúde foi adiada em razão de divergências sobre o método de fiscalização dos vencimentos de cada servidor. O acesso ou não à folha será decidido pela assessoria jurídica de executivo municipal.
Também foram aprovados os membros da Comissão Coordenadora do Conselho Gestor da Santa Casa, composta para readequá-lo jurídica e legalmente. O Comus suspendeu as atividades do Conselho Gestor por 90 dias, já se passou um mês e nada foi resolvido, mas Frota salientou que ele merece um tratamento digno, tudo com muito bom senso.
O secretário explanou sobre as dificuldades de sua pasta, ressaltando as estratégias de saúde pública planejadas e discorreu sobre ampliação e construção de unidades de saúde em espaços definidos, por meio de convênios com cooperativas médicas. “A parceria já começa a partir da semana que vem, em caráter experimental, por três meses na região sul”, anunciou.
Segundo ele, dispensado de licitação, o contrato com a cooperativa é através da Santa Casa, iniciando-se uma nova relação jurídica saudável com o hospital.
Secretário é contestado na tribuna popular
Na tribuna popular da sessão de terça-feira, dia 9, a vice-presidente do Instituto de Defesa da Cidadania (IDC), Maria Aparecida Cunha, questionou os posicionamentos do Comus e do secretário de Saúde, quanto à denúncia contra o presidente do conselho. “O secretário não tem que pedir desculpas. Tem é que afastar o presidente do Comus, que não tem capacidade nenhuma para estar à frente de um conselho tão importante! Exigir e fazer valer seus direitos como presidente do Comus! Isso não existe!”, contestou.
Para ela, se abrir esse precedente, presidente de quaisquer entidades podem exigir tratamento diferenciado em qualquer lugar, principalmente público.
Maria Aparecida, conhecida como dª. Cida, lembrou que existe, sim, uma lei que dispõe que o paciente não pode esperar mais que 30 minutos para ser atendido. Porém, é muito difícil cumpri-la, pois os médicos do SUS geralmente estão sobrecarregados; quem quer atendimento rápido deve procurar um médico particular.
Dª. Cida deixou bem clara a sua preocupação quanto ao destino da enfermeira denunciante, em razão da sindicância que o secretário vai instaurar. “Depois de tanta reclamação, de matéria no jornal, que o deixou indignado, ele está preocupado em punir a enfermeira. Ele tinha que punir o presidente do Comus!”, alertou.
Para ela, está havendo uma inversão de valores na cidade (o certo é errado e o errado é certo), onde pessoas que denunciam o que é errado são punidas, como seu caso de afastamento como voluntária da Defesa Civil e de Eva dos Santos, voluntária da Santa Casa, sem direito sequer de serem ouvidas. “O conselho Gestor da Santa Casa acabou porque denunciou o que estava errado e a funcionária do gabinete do presidente desta Casa de Leis, também. A punição está sendo ao contrário e temos que acabar com isso!”, denunciou.
Ela protestou enfaticamente e pediu ajuda da Casa de Lei para apoiar a enfermeira, que é muito querida no bairro, e que o presidente do Comus deixe o cargo, pois, segundo ela, é um incompetente.