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Escândalos

João Feres Jr.


Extra! Extra!
Vejam só o que o nosso presidente declarou recentemente em entrevista à revista Época: “Bill Clinton é uma personalidade fascinante, impressionante. Além de ter boas idéias e de ser carismático, você não pode parar de olhar para aquele homem de dois metros de altura, umas patas inacreditavelmente grandes, um nariz de batata, avermelhado e mãos de gigante. Está na história da política americana”. Sem comentários.

China e US
Enquanto isso, o verdadeiro Bill Clinton, não aquele dos sonhos eróticos de FHC, diz que quer forçar os chineses a abrirem seu mercado porque livre mercado significa liberdade individual. É muita cara de pau. Se os chineses realmente liberalizarem a economia, o que acho muito difícil, o que vão conseguir criar é o maior contingente de desempregados da história da humanidade. Onde falta emprego falta dinheiro, e onde falta dinheiro abunda a miséria. É difícil entender como a miséria e o desemprego contribuem para o aumento da liberdade individual. Mas o cinismo do “gigante de patas inacreditavelmente grandes” não para aí, pois ele apresenta como justificativa moral de sua iniciativa o melhoramento da condição humana dos chineses. Os EUA, segundo seu presidente, estariam forçando a barra da China por razões humanitárias, cumprindo seu papel histórico de promover a liberdade pelo mundo a fora. Quem não é bobo sabe que os gringos estão de fato de olho no gigantesco mercado chinês. Com a liberalização, as oportunidades para os empresários americanos seriam muitas, desde o setor automobilístico até o setor de comunicações e serviços públicos.

Brasil e US
Mais uma vez, o “nariz de batata” não fez outra coisa senão defender os interesses dos empresários de seu país, escondendo-os atrás de palavras douradas. Já FHC, seu profundo admirador, nem para isso serve. Jogou o capitalismo nacional na lata do lixo. Abriu as fronteiras, quebrou as empresas privadas e rifou as públicas. Ao povo, àqueles que não possuem indústrias ou grandes negócios, sobrou só o desemprego. Se é que se pode dizer que o “desemprego sobra”, de fato, é o emprego que falta.

O fim do Malufismo
Agora, com o novo escândalo detonado por Nicéa Pitta, parece que finalmente o Malufismo vai ser sepultado de vez. É impressionante que tenha durado tanto tempo, aterrador mesmo. Maluf vem sido acusado de corrupção pesada desde o tempo em que foi governador de São Paulo, por nomeação dos milicos. Desde então o sujeito vem acumulando denúncias de corrupção em sua carreira política. Apesar delas, se mantém impune. Se fosse aqui nos EUA já estaria na cadeia há muito tempo. Essa é uma diferença gritante entre a direita americana e a brasileira. A direita gringa é muito menos corrupta, mais ideológica e muito mais elitista. A brasileira é podre de corrupta, fisiológica e populista. Como todo mundo paga imposto por aqui, e muito, muito pouca gente se dispõe a apoiar políticos que descaradamente assaltam o patrimônio público. Os gringos podem ser até reacionários mas não são burros. O “rouba mas faz” aqui não existe. No Brasil só a classe média assalariada paga imposto de renda e, não por coincidência, votam mais do centro para a esquerda. O resto, os pobres e os ricos, cacifam os “Malufs” e “ACMs” da vida.

Pobres
Os políticos de direita gringos geralmente defendem plataformas que privilegiam os ricos e os capitalistas em geral em detrimento da classe baixa. Muitas delas são inclusive mal-disfarçadamente racistas. Por sua vez, as classes e setores sociais prejudicados por essas politicas não votam na direita. Por exemplo, os negros de Nova York votam em massa contra Rudolph Giuliani, o prefeito neo-facista da cidade. No Brasil, porém, isso não acontece. Os pobres, aqueles que mais têm a perder com as políticas e a corrupção desenfreada da direita são, paradoxalmente, o curral eleitoral dessa mesma direita. Seria isso burrice ou pura ignorância? Como a burrice, ou inteligência, é um atributo humano cuja distribuição parece não ser afetada pela condição de classe, sexo, idade ou cor, o problema parece ser mesmo a ignorância. Mas a ignorância só pode ser combatida com mais e melhores escolas, melhores salários, mais emprego, melhores serviços públicos, etc, coisas que os políticos de direita (que estão no poder no Brasil há mais de 35 anos) não estão dispostos a fazer. Em suma, estamos presos em um ciclo vicioso em que a ignorância, a corrupção e o subdesenvolvimento se retroalimentam e se reproduzem. Alguém conhece alguma saída que não seja o aeroporto?

João Feres Jr.
Political Science Department
Graduate Center - City University of New York
e-mail: jferes@worldnet.att.net
jferes@gc.cuny.edu