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Zizinho Retorna a Prefeitura Há cinco meses atrás, o prefeito Zizinho Vigneron foi afastado pelo Ministério Público devido à denúncia de fraude no Livro Eleitoral. Numa surpreendente reviravolta, devido à mudança de testemunho da peça chave de todo o processo, o prefeito afastado voltou ao poder muito antes que o esperado, para sua própria surpresa.
Na tentativa de conhecer um pouco melhor a opinião de Zizinho sobre todo o acontecido, e para sanar dúvidas sobre certas questões, o Jornal A Semana esteve com Zizinho, em uma entrevista longa, porém esclarecedora.
A Semana:
Como você está se sentindo voltando para a prefeitura após quatro meses?
Zizinho:
Veja bem, a pergunta merece duas respostas: primeiro o meu lado de homem público, de você ter, através da Justiça, restituído, o cargo que a própria Justiça retirou. O reconhecimento da verdade e a consciência tranqüila são muito importantes.
E a segunda resposta: uma satisfação pessoal, que é você poder estar de volta para contribuir com a cidade onde nasceu, viveu, para que seja a melhor cidade do mundo, que ela seja boa para todos os moradores. E espero que, nesses sete meses que restaram para gerenciar a Prefeitura, possamos conseguir resgatar esse sonho que eu sempre tive, que é o sonho de uma cidade ideal à nossa população.
AS:
Você teve uma visão diferente da prefeitura durante o afastamento?
Zizinho:
Sem dúvida! Você reflete muito, analisa, faz uma avaliação dos seus acertos e erros. Mas você volta recarregado, decidido em fazer as mudanças. O meu projeto para 2000 é diferente do de 99. Eu já tinha na minha visão uma realidade diferente, porque nós encontramos uma prefeitura numa situação financeira deplorável, onde a saúde era precária, e fomos nós que conseguimos sanar o máximo possível a questão financeira, conseguimos avançar muito na questão da saúde. Nós deixamos o terceiro lugar do Litoral Norte e passamos para o primeiro lugar na questão Saúde.
Em 2000, a prioridade é a questão econômica do município e, logicamente, a nossa principal atividade econômica, o turismo. E é aí que concentraremos nossos esforços, e também em todas as economias da cidade, como agricultura, pesca, construção civil, indústria informal. Neste ponto eu acho que não errei. Eu investi no Social, recuperei a Saúde e agora neste ano 2000, é justamente a questão da economia nossa prioridade. E não é coisa para um ano. É para 2000 e para o próximo prefeito, porque dá mesma forma que eu gastei três anos para recuperar a Saúde, precisa mais três para recuperar a questão da Economia.
AS:
Como fica o seu Secretariado?
Zizinho:
Há algumas questões que precisam ser esclarecidas, por exemplo: Chefe de Gabinete é um que não volta, por uma razão eleitoral. Meu chefe de gabinete era o Sato, e ele é pré-canditado a vereador. Portanto, não pode exercer cargos públicos. E cada secretário tem sua vida particular, nem todos podem voltar a exercer seu cargo.
AS:
Quais suas críticas quanto ao ex-prefeito interino Andrade?
Zizinho:
Uma crítica que eu faço é que ele foi mal assessorado. No meu entendimento, há também a questão da Fundart, isso foi um erro político. No restante, ele tentou fazer um movimento de transição, não um governo profundo. Isso não é uma crítica ao prefeito interino Andrade Henrique. Se fosse eu, também não faria um governo profundo, porque você não sabe o dia de amanhã. Hoje eu recomendo para o prefeito do ano 2001, seja quem for, criar uma outra fundação para cuidar da questão do menor. A exemplo da Fundart no tocante à Cultura. A Fundart é muito mais ágil, agrega melhor a comunidade devido aos seus cursos em função do trabalho com o menor, que é um problema que cada vez aumenta, e Ubatuba não é exceção. Ela também tem este problema.
AS:
E a questão da Fundart?
Zizinho:
Quem disse que a Fundart tem um custo maior que uma Secretaria de Cultura está enganado. A Fundart gasta muito menos que as Secretarias pois, em seu orçamento, já estão incluídas todas as suas despesas. E isso obriga o seu Presidente a ser um bom administrador, pois ele tem de lidar com a contabilidade da Fundação para administrar seus recursos de maneira que ela produza e pague suas contas. Fundações têm um custo inferior, visto que seu Conselho, por exemplo, todo ele trabalha voluntariamente, seus grupos Setoriais, que são responsabilidade dos Conselheiros, também não são remunerados. Então você tem trabalho gratuito que, se fosse pago, seria um preço altíssimo, visto que são pessoas de alto nível. A Fundart tem uma quantia limitada para gastar e, se esse dinheiro não for bem aplicado, a Fundação não vinga, e ela vem cumprindo suas funções com esmero.
A única coisa complicada para um prefeito, quanto à Fundart, é a questão de sua autonomia. Mas este é um mal do qual eu não sofro. Não adianta querer fazer da fundação um cabide de emprego que não vão conseguir. Aliás, a Fundação foi cabide de empregos mas, se ela foi mal, e isso eu assumo publicamente, a culpa foi da Promotoria Pública, pois cabe a ela fiscalizar a Fundart.
AS:
Como ficam as obras iniciadas pelo prefeito interino Andrade?
Zizinho:
Muitas obras não têm origem no governo Andrade. Algumas esperavam a resolução de algumas situações para iniciarem, e essa resolução se deu no governo interino dele, como o caso da Delegacia, onde esperávamos um parecer da Secretaria de Segurança Pública, que veio só na gestão interina do Andrade. Outras são simplesmente a continuidade de obras que começaram antes mesmo da minha gestão.
AS:
Qual a sua mensagem à população?
Zizinho:
Primeiro eu queria agradecer a todos que me apoiaram. E que nós não tenhamos absolutamente nenhum rancor das pessoas que não querem construir uma Ubatuba melhor, pois são elas pobres de espírito, que ficam duas horas por dia, mas
gastando sua energia para o negativo, são inteligentes mas a energia é para o negativo. Eu pediria que essas pessoas se concentrassem em algo positivo, que é o engrandecimento de Ubatuba. E que eu sei que, nestes meus últimos meses de
governo, o meu trabalho será triplicado, mas que nós conseguiremos retomar o processo de crescimento. As impressões do ex-prefeito Andrade Henrique dos Santos você terá, em detalhes, em nossa próxima edição.
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