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Newton Cruz, 500 anos e mais!

João Feres Jr.


Nini


Não é que o Nini reapareceu! Estou me referindo ao general Newton Cruz, o famigerado assessor do ex-presidente militar João Baptista Figueiredo. Para quem não lembra, era esse o apelido que ele ganhou nos meios de comunicação da época, por seu comportamento irascível e iracundo. A candura do apelido funciona como comentário irônico da aspereza da pessoa real. Nini não só reapareceu, mas o fez em grande estilo. Está revelando detalhes interessantíssimos da história recente do nosso país. Parece, então, que Paulo Maluf, agindo como uma segunda encarnação do Carlos Lacerda, tramava o assassinato de Tancredo Neves. 


Nini, mais uma vez


A estória é fascinante e escandalosa. É fascinante pensar que um personagem com uma imagem tão negativa na memória nacional (lembram-se do chicotinho de aço?) possa ainda prestar um serviço ao país, denunciando o nefasto Paulo Maluf. É escandaloso constatar que um indivíduo suspeito de tantas falcatruas e crimes, como Maluf, consiga escapar do sistema legal do nosso país. Os milicos merecidamente ficaram com o mico da ditadura que, afinal de contas, era chamada de militar. Os civis que com eles colaboraram, porém, na sua maioria escaparam de fininho e hoje posam de democratas, para o eleitorado amnésico. 


500 anos


O Brasil deu o maior ibope aqui na gringolândia. Todos os jornais publicaram matérias sobre o fiasco das comemorações dos 500 anos em Porto Seguro. Frustrando as expectativas do presidente, o povo parece não ter achado muito motivo para comemorar. Não que os brasileiros tenham se tornado tristes depois dessa longa história de descaminhos; muito pelo contrário, somos ainda um dos povos mais alegres do planeta. O que o presidente não entendeu, contudo, é que não dá para apostar as fichas em ato cívico. A ditadura militar apostou todas as fichas no discurso patriótico: bandeira, desfile, hino, feriados oficiais, etc. Isso fez com que esses sinais mais externos de patriotismo oficial ficassem desgastados. Foram-se os milicos mas aquele gostinho ruim de patriotismo forçado ficou. 


Mais 500 anos


FHC não é responsável pelos males de 500 anos de história. Por outro lado, fez muito pouco para mudar a situação do povo brasileiro nos seus seis anos de mandato. O governo não distribuiu renda, o desemprego aumentou drasticamente em decorrência da política econômica oficial, os programas sociais foram jogados para escanteio em nome do enxugamento da máquina do estado, o presidente continua governando em conluio com a mesma camarilha de políticos corruptos que já eram situação desde a ditadura militar, etc. FHC é muito igual a tudo que o precedeu. Não é à-toa que a festa dos 500 anos não colou.

João Feres Jr.
Political Science Department
Graduate Center - City University of New York
e-mail: jferes@worldnet.att.net
jferes@gc.cuny.edu