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Opinião


“É um real, dotô”


Pela frase, muitos identificam os autores. São os novos donos dos espaços públicos, “tomadores de conta”, que já, pela quantidade, elegem algum defensor de seus direitos “adquiridos”.
Assistimos inertes a ação crescente da degradação do centro da cidade, em especial a nossa tão querida, usada e abusada avenida Iperoig. Fizemos e fazemos tudo o que acontece na cidade na pobre coitada. Eventos, comemorações, shows, desfiles, corridas, parque de diversões, exames de auto-escolas, festas, comércios, feirinhas da 25 de março, circos, cantorias chilenas e peruanas para venda de CDs, expomos nossa grande capacidade de fornecimento de “lanches X-Tudo”, fazemos discursos políticos... Para não alongar: ela é, na verdade, o Palco da cidade. 
Agregados a este cenário, vêm os catadores de latinhas “varrendo” as mesas dos restaurantes e, mais na madrugada, rasgando o saco de lixo. E vêm também os “tomadores de conta” dos automóveis: “É um real, dotô”. Quem se arrisca a não pagar? 
Ela, apesar de seu intenso movimento, abandonada, sem reclamar, mostra-se cada vez mais velha, suja, dominada pelas gangues dos bairros que usam seu espaço para expressar, literalmente, suas rivalidades: brigas, discussões, gritos, berros e, mais recentemente, tiroteios. Muito difícil não “sobrar” para algum filho de turista, que acaba sendo surrado por 30 ou 40 deles. Só não vê quem dorme muito cedo, é cego ou não quer ver. 
Este assunto de reurbanização do centro e recomposição ambiental dos seus espaços está tão repetitivo que já merecia a devida atenção das autoridades. O assunto é de prefeitura, promotoria, infância e juventude, polícia civil e militar, pais irresponsáveis, dos comerciantes, hoteleiros, locadores temporários e todos que vivem da exaurida economia da cidade. 
Antes de “provermos” a cidade com o intuito de atrair mais turistas, que tal dar uma arrumadinha na sala de visitas? Deixar como está? Varrer para debaixo do tapete? Nossa!!! Que vergonha! Que tal, então, os que dormem cedo, fazerem um esforço e irem dar uma voltinha por lá? Os cegos, que pelo menos escutem o que está acontecendo. Os que não querem ver, que tenham pelo menos um pouco de coragem. 
Os responsáveis, (todos nós) que tal tomarmos uma atitude positiva pela cidade em que vivemos com nossas famílias? Que tal, heim?!

Ronaldo Dias