|
Opinião
A Itália & as “cidades-lentas”
Sem ser avesso aos avanços da tecnologia, como por exemplo a internet, os membros do cittaslow se propõem a progredir sem perder suas raízes culturais. Entre os pontos básicos dessa política de resistência registre-se o apreço que é dado às questões do meio ambiente, aos hábitos alimentares tradicionais e à preservação da arquitetura das cidades. Eis alguns dos “mandamentos” do cittaslow:
• Manter políticas ambientais para preservar e desenvolver as características da região.
• Encorajar a produção e o uso de alimentos produzidos por técnicas naturais, preservando e desenvolvendo produtos típicos (da região).
• Proteger as produções baseadas na cultura e na tradição, que contribuam para a identificação da região.
Especial ênfase é dado, como foi mencionado, à culinária tradicional dessas cidades: - “Nossa cozinha e nosso vinhos são bons e famosos, então, porque vamos dar preferência ao McDonald’s”, diz um dos líderes do cittaslow.
Sem querer estabelecer comparações, Ubatuba em alguns pontos (poucos, infelizmente) já pode ser considerada uma cidade pretendente ao seleto grupo. Por exemplo, a proibição de construções acima de determinado padrão de pé-direito é o que já nos diferencia de cidades próximas, cuja orla mais lembra uma saturada avenida Paulista do que uma praia.
Assim poderemos começar/intensificar ações concretas como, por exemplo, de apoio à população Guarani que aqui vive; de obediência restrita às leis de proteção ambiental; de respeito ao passado histórico, incluindo aqui a proteção do dilapidado patrimônio arquitetônico da cidade. São alguns pontos que, convenientemente trabalhados, farão com que, aos poucos, possamos ser incluídos nesse moderno clube das “cidades-lentas”, com o significado que os italianos aqui mencionados dão ao termo.
Quem for vivo, verá.
João Luiz Cardoso
E-mail: ofisboitata@uol.com.br
|