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Os telefones
celulares tornaram-se uma febre de consumo, só nos Estados Unidos se
aproximando dos 90 milhões e aumentando em 30 mil a cada dia. Pudera, é muito
prático, não? Porém, o que ninguém pensa é que ele é um emissor eletromagnético
de energia, ou seja é radiativo, embora a freqüência da radiação seja muito
baixa, na faixa das microondas (muito abaixo da freqüência da luz visível), o
que não o isenta de causar danos às células e ao DNA. Não custa lembrar também
que a indústria de celulares movimenta US$ 200 bi/ano nos Estados Unidos.
Os celulares em
estudo são os portáteis que têm a antena embutida que fica perto do ouvido
durante a conversação telefônica, a pequena distância entre a antena e a
cabeça pode ser responsável por tumores na cabeça.
Um estudo realizado
pelo Centro de Pesquisa Nuclear de Nahal Sorek, Israel, contradizem pesquisa
publicada anteriormente pela Associação de Consumidores Britânicos. Segundo
os pesquisadores israelenses o nível de radiação eletromagnética que passa
pelo cérebro de quem fala por telefone celular é 20 vezes menor quando se usam
aparelhos que dispensam as mãos.
O estudo britânico
anterior afirmava que os sistemas livres das duas mãos atuam como antenas,
canalizando três vezes mais radiação nos cérebros dos usuários. Com isso as
vendas dos aparelhos sem uso das mãos, que consistem em um fone e um microfone,
caíram.
É possível que o
telefone celular produza tumores cerebrais, perda de memória, hemorragia nasal,
náusea, dificuldades psicológicas e outros problemas de saúde. Por isso o
Governo dos Estados Unidos iniciaram um estudo mais detalhado sobre o impacto
dos celulares na saúde dos usuários.
Enquanto isso, na
Inglaterra, pesquisadores do Independent Expert Group on Mobile Phones do Ministério
da Saúde britânico desaconselham o uso de celulares por crianças. Ao contrário
dos adultos, as crianças têm mais riscos por terem um crânio mais fino, cabeça
pequena e o sistema nervoso ainda em desenvolvimento. E também querem que as
companhias divulguem os níveis de radiação de seus aparelhos. Além disso,
estão preocupados com a localização das antenas das companhias de celulares.
Para isso, recomendam que as antenas das centrais sejam instalados longe de
hospitais, escolas e residências.
Uma pesquisa
realizada pela Universidade de Washington em ratos mostraram que a radiação
dos celulares provocam danos às células do cérebro. Um rato não é um ser
humano mas é um ser vivo e muito dos estudos com ratos aplicam-se aos humanos.
E na dúvida...
A Organização
Mundial de Saúde também está interessada na saúde dos usuários de
celulares. A segurança do uso de equipamentos que emitem campos eletromagnéticos
é medido pela taxa de absorção de energia. A taxa máxima internacional para
absorção dos tecidos da cabeça é de 2 watts por quilograma. Para os
celulares que operam na faixa de 915 MHz, em média, a potência de saída na
antena é de 0,25 W o que resulta em uma taxa de absorção de 1,6 watts kg.
Na falta de uma
informação conclusiva, o norte-americano FDA (Food and Drug Administration)
está investindo US$ 1 milhão em pesquisas para esclarecer essas dúvidas.
Enquanto não se sabe se provoca mal à saúde, o FDA recomenda aos usuários de
celular limitar a radiação usando menos o celular, ou seja, só para conversações
curtas, é melhor usar o telefone convencional para conversas mais longas;
usando o celular com uma antena instalada do lado de fora do veículo e usar um
aparelho de mão conectado com o telefone celular que seja transportado na
cintura (o fone com microfone custa em torno de R$ 6,00 a R$ 18,00, vale a
pena).
Entre as recomendações
do FDA às indústrias, está o projeto de antenas que reduzam a absorção
humana da radiação e uma ampla campanha de esclarecimento aos usuários dos
possíveis perigos à saúde (talvez lá funcione). Como as nossas autoridades são
pouco eficientes, é melhor observar o que acontece nos Estados Unidos e Europa.
Nos últimos anos, o
tempo que demora para uma tecnologia sair do papel e entrar em nossas vidas é
muito curto. Infelizmente, a tecnologia traz efeitos colaterais prejudiciais à
nossa saúde. Porém, não se deve esquecer que é graças à tecnologia que se
consegue produtos não contaminados por germes e aparelhos que diagnosticam doenças.
NOTA: Mário
Eugênio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE) e congregado mariano. Seu e-mail para contato: saturno@dea.inpe.br
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