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Celular radioativo

por Mário Eugênio Saturno


Os telefones celulares tornaram-se uma febre de consumo, só nos Estados Unidos se aproximando dos 90 milhões e aumentando em 30 mil a cada dia. Pudera, é muito prático, não? Porém, o que ninguém pensa é que ele é um emissor eletromagnético de energia, ou seja é radiativo, embora a freqüência da radiação seja muito baixa, na faixa das microondas (muito abaixo da freqüência da luz visível), o que não o isenta de causar danos às células e ao DNA. Não custa lembrar também que a indústria de celulares movimenta US$ 200 bi/ano nos Estados Unidos.

Os celulares em estudo são os portáteis que têm a antena embutida que fica perto do ouvido durante a conversação telefônica, a pequena distância entre a antena e a cabeça pode ser responsável por tumores na cabeça.

Um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa Nuclear de Nahal Sorek, Israel, contradizem pesquisa publicada anteriormente pela Associação de Consumidores Britânicos. Segundo os pesquisadores israelenses o nível de radiação eletromagnética que passa pelo cérebro de quem fala por telefone celular é 20 vezes menor quando se usam aparelhos que dispensam as mãos.

O estudo britânico anterior afirmava que os sistemas livres das duas mãos atuam como antenas, canalizando três vezes mais radiação nos cérebros dos usuários. Com isso as vendas dos aparelhos sem uso das mãos, que consistem em um fone e um microfone, caíram.

É possível que o telefone celular produza tumores cerebrais, perda de memória, hemorragia nasal, náusea, dificuldades psicológicas e outros problemas de saúde. Por isso o Governo dos Estados Unidos iniciaram um estudo mais detalhado sobre o impacto dos celulares na saúde dos usuários.

Enquanto isso, na Inglaterra, pesquisadores do Independent Expert Group on Mobile Phones do Ministério da Saúde britânico desaconselham o uso de celulares por crianças. Ao contrário dos adultos, as crianças têm mais riscos por terem um crânio mais fino, cabeça pequena e o sistema nervoso ainda em desenvolvimento. E também querem que as companhias divulguem os níveis de radiação de seus aparelhos. Além disso, estão preocupados com a localização das antenas das companhias de celulares. Para isso, recomendam que as antenas das centrais sejam instalados longe de hospitais, escolas e residências.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Washington em ratos mostraram que a radiação dos celulares provocam danos às células do cérebro. Um rato não é um ser humano mas é um ser vivo e muito dos estudos com ratos aplicam-se aos humanos. E na dúvida...

A Organização Mundial de Saúde também está interessada na saúde dos usuários de celulares. A segurança do uso de equipamentos que emitem campos eletromagnéticos é medido pela taxa de absorção de energia. A taxa máxima internacional para absorção dos tecidos da cabeça é de 2 watts por quilograma. Para os celulares que operam na faixa de 915 MHz, em média, a potência de saída na antena é de 0,25 W o que resulta em uma taxa de absorção de 1,6 watts kg.

Na falta de uma informação conclusiva, o norte-americano FDA (Food and Drug Administration) está investindo US$ 1 milhão em pesquisas para esclarecer essas dúvidas. Enquanto não se sabe se provoca mal à saúde, o FDA recomenda aos usuários de celular limitar a radiação usando menos o celular, ou seja, só para conversações curtas, é melhor usar o telefone convencional para conversas mais longas; usando o celular com uma antena instalada do lado de fora do veículo e usar um aparelho de mão conectado com o telefone celular que seja transportado na cintura (o fone com microfone custa em torno de R$ 6,00 a R$ 18,00, vale a pena).

Entre as recomendações do FDA às indústrias, está o projeto de antenas que reduzam a absorção humana da radiação e uma ampla campanha de esclarecimento aos usuários dos possíveis perigos à saúde (talvez lá funcione). Como as nossas autoridades são pouco eficientes, é melhor observar o que acontece nos Estados Unidos e Europa.

Nos últimos anos, o tempo que demora para uma tecnologia sair do papel e entrar em nossas vidas é muito curto. Infelizmente, a tecnologia traz efeitos colaterais prejudiciais à nossa saúde. Porém, não se deve esquecer que é graças à tecnologia que se consegue produtos não contaminados por germes e aparelhos que diagnosticam doenças.

 

NOTA: Mário Eugênio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. Seu e-mail para contato: saturno@dea.inpe.br