Falando em Arte...

por Manoel Carlos Conti


A Casa Paulista

A persistência cultural do interior paulista manteve praticamente toda a arquitetura que chegou, principalmente com os "engenheiros" de açúcar da zona ituana. Depois da saturação das minas, no final do século XVIII, grande parte da população mineira instalou-se nas fronteiras paulistas.

O estilo compacto das casas paulistas, firmemente assentada no chão aplainado, foi substitutido por um estilo gracioso de casa em terrenos inclinados. De um lado, as casas pareciam térreas e do lado oposto, sobrados com dois andares.

São poucas as casas antigas, a partir da segunda metade do século XIX, que fogem a esse esquema. Uma casa que tem esse tipo de arquitetura é a casa onde funcio-na o Museu da História e do Som de Campos do Jordão, na Av. Brigadeiro Jordão.

Um aspecto característico dessas casas era que a entrada principal geralmente ficava na parte mais alta. Uma outra característica era que colado ao hall de entrada ficava a sala e dela se entrava diretamente nos quartos ou escritório. Apenas a cozinha se distanciava da sala por um corredor.

Tais sedes não eram construções isoladas na paisagem. Geralmente faziam parte de um grande complexo, quase sempre agrícola que compreendia um vasto terreno para secagem do café recém-colhido ou para secagem de telhas ou ainda, para estocar produtos comercializados pelo dono da casa.

Diferente do proprietário rural de outras regiões, o paulista, além das suas atribuições no campo, quase sempre tinha outros negócios nas cidades e ali instalava suas propriedades de moradia. Todavia, para desfrutar do conforto de uma "casa de campo", quase sempre construía sua casa da cidade nos mesmos padrões da que possuia no interior, adicionando o luxo das ferragens, caixilharia à moda européia e ostentosos jardins com fontes e riachos.

"Eu queria uma casa, bem no meio da floresta, que não tivesse

nem porta, nem janela, nem paredes eu queria..."

Chefe Qerena (Tribo dos Indios Sioux)