Mercado nacional de bebidas ganha
versão preta de cachaça, a velha branquinha


A mais brasileira das bebidas acaba de ganhar uma versão inusitada que promete revolucionar o mercado. Os apreciadores da tradicional “branquinha” agora podem degustar uma autêntica cachaça preta, lançada há pouco mais de um mês. A criação é do empresário Sidnei de Souza, de Porto Feliz (SP), que há 6 anos está na produção de cachaças artesanais e envelhecidas.

A idéia surgiu depois que um cliente de Natal (RN) pediu uma cachaça mais escura. O máximo de coloração, até então, vinha das bebidas acondicionadas em tonéis de carvalho. Alguns experimentos depois, chegou-se à fórmula definitiva. Batizada como Cana Crioula,


Foto: Flávio Torres/Fotomídia

o nome faz referência à primeira espécie de cana produzida no Brasil.

A bebida preta tem como base duas cachaças armazenadas em tonéis de carvalho e de jatobá, por cerca de 6 meses. Sidnei explica que a mistura delas produz uma bebida de coloração escura, quase marrom. A cor final, preta e sem transparência, é dada pela adição de extrato neutro de caramelo de milho. Depois desse processo, o líquido é filtrado e engarrafado.

O resultado é uma bebida totalmente diferente, não só na cor, mas também no sabor, sobretudo pela absorção da fragrância das madeiras. Artesanal, a Cana Crioula é fermentada naturalmente e destilada em alambique de cobre.

 

Novos conceitos

Através da inovação, o empresário quer quebrar conceitos tradicionais no universo das bebidas. Sabores e cores alternativos são explorados para atrair consumidores exigentes e cada vez mais ávidos por novidade. “A Cana Crioula é comprada por apreciadores, para presente, e até por colecionadores”, conta Sidnei. Segundo ele, em menos de um mês após o lançamento, a pretinha brasileira foi parar na Alemanha e na Coréia, levada por turistas estrangeiros, maravilhados com a bebida escura.

“Até então se pedia uma branquinha ou uma amarelinha nos bares. Hoje você também pode pedir uma pretinha”, explica. “Se podemos escolher entre um chocolate preto ou branco, porque não termos uma cachaça com a mesma diferenciação? Até café branco já existe nos Estados Unidos”, analisa.

A caninha preta pode ser degustada em drinques especiais ou exóticos, que mantém o sabor tradicional e exploram a nova apresentação. Pura, deve ser servida em temperatura ambiente ou supergelada, condição que a transforma em uma bebida licorosa e de sabor macio, destacando o sabor das madeiras.

Uma garrafa de 700 ml de Cana Crioula custa R$ 20,00. A comercialização é eletrônica. Pode ser feita através do site http://www.canacrioula.com.br . ou pelo telefone: (15) 3262-9717.

 

Cachaça e história

O empresário portofelicense detém outras marcas de cachaça, como Monções, Velha Estação e Convenção de Itu. Toda sua linha de bebida tem denominações que remontam à história da região. Uma verdadeira homenagem às origens paulistas, lembradas nas embalagens e nos rótulos.

A cachaça envelhecida Velha Estação, por exemplo, eleita a 3ª melhor do Estado na Fepagri (Feira Produtos, Serviços e Tecnologia para o Pequeno e Médio Produtor Rural) de Araraquara, resgata da importância da estação ferroviária para a cidade de Porto Feliz, marco histórico do ciclo econômico da cana-de-açúcar. "A cachaça é um produto nobre é merece essa fusão. Uma cachaça sem história é um produto sem identidade", analisa.

O empresário mantém ainda outras marcas, como a Monções, que relembra as expedições fluviais que partiam de Porto Feliz rumo ao interior do Brasil, e a Convenção de Itu, que homenageia o marco do movimento republicano.

O empresário tem planos para expandir os negócios e daqui a alguns meses planeja montar todo o setor de engarrafamento em um barracão próprio. Hoje ele mantém uma produção limitada das cachaças artesanais, o que favorece a exclusividade da linha.