Temporada de Inverno 2006: prós e contras


Todos os anos é sempre a mesma coisa, chega agosto e faz-se um balanço do que aconteceu nos meses de junho e julho, a "alta temporada". Este ano há uma grita quanto ao volume de faturamento em alguns setores. Dentre eles está uma parte da hotelaria e lojas de malhas.

Para Maria Engrácia De Bellis, presidente da Associação Comercial, a temporada 2006 foi razoável. "Tenho comércio em Capivari há 38 anos e sempre que há Copa ou Eleições, sem exceção, o movimento cai em junho/julho. E este ano temos os dois. Aliado a isso, temos ainda o câmbio favorecendo amplamente viagens para o exterior", disse. Particularmente no meu setor (indústria de malhas e confecções), maio e junho foram iguais em vendas a 2005. Só o mês de julho apontou uma queda da ordem de 10% nas vendas. Mesmo assim, acredito que agosto deverá surpreender a todos, com ótimas vendas", concluiu.

Para o secretário de Turismo, Flávio Ventura, houve uma queda de 15 a 20% a menos de público, motivada essa redução por alguns aspectos conjunturais que apontou: "O dólar baixo em Abril, remeteu a pacotes externos. Viajar à Bariloche, Portillo e Valle Nevado, ficou mais em conta que viajar à Campos. Pacotes de uma semana, oferecidos a 1.000 dólares com meia pensão à estações de inverno se tornaram altamente atrativos. A Copa do Mundo sugou percentuais substantivos das verbas de publicidade de grandes empresas, como se comprovou pelo enxame midiático que se exauriram com a saída antecipada do Brasil, o que impediu a retomada de Campos do Jordão como palco das ações de merchandising e fixação de marca que caracterizaram, sempre, a presença dessas empresas em julho. Mesmo assim, os melhores hotéis e pousadas estiveram cheios como sempre, com estadias semanais."

Flávio destacou também que "o comércio que primou pela qualidade e criatividade não teve do que reclamar". Quantidade sempre foi antípoda de qualidade, e o perfil de Campos do Jordão sempre foi altamente qualificado. Tanto que foram vendidos nessa temporada cerca de 140 veículos, entre automóveis e motocicletas. Ou seja: Quem tinha serviços ou bens qualificados a vender, vendeu bem. Quem não tinha... empacou. Ou seja : Os eventos gastronomicos com chefes internacionais estiveram concorridos. Os bazares beneficentes de produtos qualificados geraram doações de boa monta às instituições", enfatizou o Secretário.

"O mês de agosto está prometendo ser dos melhores em todos os tempos, freqüentado que será pelo turista que não se submete mais a freqüentar Campos do Jordão, pelo que a cidade se transformou nos últimos 10 anos: um imenso palco de merchandising, onde não se estava podendo caminhar 10 metros sem que o turista fosse abordado por promotores de tudo, desde escova de dentes até celulares. Neste 2006 já tivemos pelo menos 2000 promotores e promotoras a menos na cidade e no ano vindouro, pretendemos ter menos ainda.

Alguns eventos como o Festival de Inverno, Torneio de Tênis, o Espaço Veja, o Espaço Mastercard Black, Market Plaza, Design Campos, os eventos denominados Sinfonias Enogastronômicas e Pocket Shows, leilões de cavalos de raça, entre outros, têm o perfil que se deseja estejam presentes em uma temporada de julho em Campos do Jordão.

Portanto, o perfil qualificado do turista de Campos do Jordão está começando a voltar. Voltando, a exigibilidade de qualidade nos meios de hospedagem, no trade gastronômico e no comércio de malhas e chocolate, estará re-instalada e quem se preparar para oferecer qualidade e preços competitivos estará no mercado, mesmo com dólar baixo. A quem não se preparar para essa realidade de "volta ao perfil real de Campos do Jordão", aconselha-se a mudança de ramo. Ou de cidade.

Campos do Jordão tem hotéis e pousadas demais. São 8.912 leitos. Os congressos que conseguimos vender, têm, em sua maioria, não mais que 4.000 participantes, com exceção do Congresso de Cardiologia, que por sinal estamos tendentes a perder. Assim, quem não apuser qualidade e profissionalismo em seu negócio, fatalmente terá problemas de ocupação em seu meio de hospedagem. Há 20 anos a cidade tinha cerca de 200 confecções. Hoje possui uma dezena, se tanto. E todos sabemos que a geração de empregos em produção é mais desejável que geração de empregos em vendas, este extremamente sazonal e aquele quase sempre permanente", finalizou Ventura.

Nota: Outro ponto de reclamação foi a Zona Azul, não pelo que ela representa, mas pela desorganização inicial e o reduzido número de pontos de vendas, mas que foi superado no decorrer de julho e ajudou a disciplinar e dar rotatividade no estacionamento.

Outro dado importante e incontestável foi o abuso no preço das diárias por parte de "alguns" hotéis e pousadas, tema bem conhecido e já tratado com o devido destaque desde o lamentável episódio SOCESP.