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Sua Saúde: Conheça os perigos que rondam a apnéia do sono Sabe aquela sonolência que aumenta quanto mais você dorme? Acorde! Isso pode ser apnéia obstrutiva do sono! A apnéia obstrutiva do sono é relativamente freqüente – com incidência que varia de 2 a 4% na população adulta –, tem diagnóstico relativamente simples e tratamento eficiente; mas é pouco conhecida por médicos e pacientes. Pessoas convivem anos com os sintomas, a ponto de habituarem-se a eles, e não percebem que estão doentes nem procuram a ajuda de um especialista. Caracteriza-se pelo fechamento repetitivo (parcial ou total) da faringe durante o sono. Deve-se, principalmente, ao relaxamento dos músculos da faringe, impedindo sua abertura. Esta, por sua vez, pode estar mais predisposta ao fechamento, devido a características individuais, como a obesidade, a posição de barriga para cima durante o sono, o efeito do álcool, medicamentos para dormir, fatores genéticos, o sexo masculino, a menopausa nas mulheres, etc. O chamado pico de incidência se dá em homens na meia idade, ou seja, entre 45 e 55 anos. Mas quem acaba procurando pelo médico costumam ser as esposas deles. Na entrevista a seguir, dra. Sônia Togeiro, pneumologista da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), pesquisadora do Instituto do Sono e professora responsável pelo curso de Especialização em Medicina do Sono da UNIFESP dá mais detalhes da doença, suas conseqüências e tratamento.
Qual é a incidência da apnéia obstrutiva do sono? É uma doença com alta prevalência, cujo principal sintoma é a sonolência. Considerando a junção entre sonolência e os resultados da polissonografia, em adultos temos um índice de 4% entre os homens e 2% nas mulheres. Muitos pacientes, porém, não apresentam sintomas. Portanto, a incidência é até maior se considerarmos só o resultado do exame do sono.
Então, há diferentes graus de apnéia? É uma doença com espectro variável, sendo possível ter poucas anormalidades e não ter sintoma nenhum, por exemplo. Determina-se a gravidade em função dos achados da polissonografia e da intensidade da sonolência. Quanto mais freqüentes estes achados e quanto mais intensa a sonolência provocada, mais grave a apnéia.
Quais sintomas devem levar as pessoas a consultar um médico? Sempre que apresentam fatores de risco.
Quais são estes fatores? Primeiramente, ser hipertenso (apnéia é um dos fatores que leva à hipertensão), ser obeso, e ser um 'grande roncador', com ronco muito alto e habitual, ou seja, na maior parte da dos dias da semana e durante a maior parte da noite. Pescoço grosso, queixo pequeno e ou posicionado para trás, amídalas e adenóides volumosas (em crianças) também são fatores que predispõem a doença. Numa fase mais avançada, o paciente pode apresentar sonolência, alteração de memória, sono de má qualidade, que se revela na pessoa que sempre dorme e está sempre querendo dormir ainda mais ou que 'quanto mais dorme, mais quer dormir'. Há outras causa de sonolência, mas, em geral, quando ela está aliada ao ronco, há grandes chances de ser causada pela apnéia.
Qual especialista deve ser consultado? Qualquer médico deveria estar apto a realizar o diagnóstico, que é simples, mas, infelizmente, por ser uma doença melhor identificada há 20 anos, ainda falta informação para alguns profissionais. Os especialistas, como pneumologistas, neurologistas e otorrinolaringologistas estão mais familiarizados com a com a doença.
A doença é pouco conhecida da população. Isso não dificulta a procura de um médico? Muitas vezes, a pessoa ronca por vinte anos de forma habitual e não desconfia que tem a doença. Normalmente, a esposa é que acaba procurando o médico. O paciente tem o sintoma, mas não é muito significativo para ele, por ter curso lento e progressivo então, somos procurados por esposas que já não conseguem dormir com o marido, devido à intensidade do ronco. Em casos que a doença se manifesta de forma mais intensa com sintomas mais expressivos no próprio paciente, aí sim, o mesmo procura o médico.
Então são sintomas atrapalham a vida dos pacientes? Sem dúvida, atrapalham muito a qualidade de vida. Em casos de doença severa, podem ser, inclusive, responsáveis por acidentes de trânsito e de trabalho.
Quais as melhores possibilidades de tratamento atualmente? Depende da gravidade da doença. A primeira etapa é a orientação quanto ao hábito de sono adequado. Não ficar privado de sono é muito importante para não agravar o problema, pois após uma noite em que dormiu pouco, a tendência é dormir mais profundamente na seguinte e, no sono profundo, a apnéia é mais prolongada. Evitar álcool, medicamentos para dormir – hipnóticos – e perder peso também são atitudes aconselháveis. Especialmente perder peso, pois a obesidade é o principal fator de risco. Com estas condutas, é possível melhorar bastante e até resolver o problema, mas, caso isso não aconteça – o que em geral se dá nos casos mais severos – é preciso tratar utilizando-se equipamentos mecânicos. Se a doença for leve, utiliza-se um aparelho ortodôntico para reposicionar a língua, permitindo a entrada de ar e a abertura do canal obstruído. Nos casos moderados e graves se baseia em um equipamento chamado CPAP. Trata-se de uma máscara nasal de uso noturno, acoplada a um aparelho de pressão positiva, que gera e envia fluxo de ar, abrindo a faringe e possibilitando a normalização da respiração. É o que se chama 'pneu-matização da faringe', assim tal pressão positiva gerada pela CPAP impede que a faringe fique colapsada durante o sono. CPAP vem do inglês que significa: continuous positive airway pressure. Traduzindo, corresponde a pressão positiva continua em vias aéreas.
Há possibilidade de cirúrgica? A cirurgia de garganta, em geral, não resolve o problema. Costuma ser efetiva apenas em crianças, cujo problema é o crescimento excessivo das amídalas ou das adenóides. Fonte: Acontece Comunicação e Notícias - Chico Damaso. |
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