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Saúde: Acne e Dieta por Nelson Guimarães Proença*
No consultório do dermatologista, a pergunta: - “E quando você abusa um pouco do chocolate, suas espinhas aumentam?” Faço esta pergunta a todos os jovens que me consultam para tratar sua acne. Pergunto sobre outros alimentos, como amendoim e doces e, também, se costuma comer em lanchonetes. Em suma, interesso-me em saber sobre hábitos alimentares que podem influir - e muito - sobre o aparecimento das espinhas. Sempre acreditei nessa influência. Muitos pacientes - e mais ainda suas mães - confirmam a minha expectativa: “Pioram sim, doutor, e por isto cuido muito de minha dieta”. Outros respondem: - “Sei que pioram, mas não consigo evitar de comer chocolate”. Há pacientes que negam terminantemente qualquer influência alimentar sobre sua acne e dizem que podem comer de tudo, sem que nada aumente suas espinhas. Estes, ou estão praticando o auto-engano, ou realmente é verdade que podem comer, sem problemas, tanto chocolate quanto quiserem. Até a metade do Século XX os dermatologistas eram unânimes em afirmar que para o tratamento da acne era necessária uma dieta apropriada. Esta dieta reduzia a ingestão de hidratos de carbono (açúcares) e de lipídios (alimentos gordurosos). Na segunda metade deste Século, contudo, passou a prevalecer a opinião dos dermatologistas norte-americanos, os quais insistiam na total inutilidade de se respeitar tal dieta, pois isto em nada melhoraria a acne. Sob tal influência, ficou muito reduzido o número de dermatologistas que continuaram a prescrever dieta, mas eu estava entre eles. Muitas vezes, em reuniões de especialistas, em Simpósios e Seminários, fui perguntado por que insistia em prescrever dieta para pacientes de acne. Minha resposta era que não tinha bases científicas para tanto, mas que me apoiava na prática clínica. Esta me indicava que a dieta era útil. Justificando minha posição, eu dava o seguinte exemplo. Muitos adolescentes brasileiros participam, hoje, de programas internacionais de intercambio. São acolhidos por famílias americanas e permanecem nos Estados Unidos por três, seis ou mais meses. Saem do Brasil com sua acne muito bem controlada, mas quando retornam estão piorados. O que faz a diferença entre a ida e a volta é a mudança dos hábitos alimentares. Nos Estados Unidos há o “fast food”, sendo a dieta rica em gorduras e hidratos de carbono. A propósito, recorde-se que um dos problemas importantes de Saúde Pública, nos Estados Unidos, é o da obesidade da juventude norte-americana. Mas há novidades, relacionadas com o tema. Uma das mais importantes revistas internacionais de Dermatologia, o “Journal of American Academy of Dermatology”, acaba de publicar, em um de seus últimos números, pesquisa bem planejada e conduzida, cujo objetivo era exatamente o de verificar se uma dieta pobre em hidratos de carbono beneficiaria a acne. Foram estudados 43 jovens voluntários, com idades entre 15 e 25 anos. Após as 12 semanas que durou o estudo ocorreu: 1 - importante melhora da acne; 2 - redução significativa do peso corpóreo; 3 - redução dos níveis da insulina produzida após as refeições; 4 - redução da ação dos andrógenos sobre as estruturas da pele relacionadas com a acne. É claro que a restrição de hidratos de carbono leva a um maior consumo das gorduras ingeridas, o que também traz benefício ao paciente. O grupo de pesquisadores concluiu que o tipo de dieta influi, sim, sobre o curso da acne. E sugeriu que esta linha de estudo continue a ser aprofundada. Aleluia, Aleluia ! Já não me sinto mais tão solitário na posição que sempre defendi. Estou mais fortalecido para insistir com meus jovens pacientes com acne para que não deixem de fazer um pouco dieta, evitando as gorduras e os açucares. NOTA: Dr. Nelson Guimarães Proença é Professor Emérito de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. |
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