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Meio Ambiente

Museu Casa da Xilogravura adquire e recupera tipografias

As antigas máquinas de impressão pertenceram ao Frei Orestes Giradi e ao Jornal dos irmãos Corrêa Cintra

 

Como destaca o professor Antonio Fernando Costella, fundador e diretor da Casa da Xilo, "São peças importantes que atuaram em Campos do Jordão e região por longo tempo. É uma importante página da história da Cidade que está preservada".

 

Conheça um pouco da história:

A tipografia, cujos equipamentos ocupam três salas da Casa da Xilo, viveu longa e nobre história e escapou da destruição por um triz.

 

Schiavo Júnior


 

 

Primeiro, ela foi instalada em Campos do Jordão por iniciativa de Joaquim Corrêa Cintra e funcionou muitos anos sob o comando de José Corrêa Cintra. Mineiros nascidos em Passos, os dois irmãos nela imprimiram em março de 1949 o primeiro número do jornal “A Cidade de Campos do Jordão”. Até 30 de novembro de 1972, quando faleceu, Joaquim manteve-se como editor e principal redator do periódico, enquanto o irmão José incumbia-se, com igual devotamento, da operação dos equipamentos gráficos.

Depois, a oficina (e José Cintra junto com ela), passou para a SEA - Sociedade de Educação e Assistência “Frei Orestes”.

Em 1959, Frei Orestes Girardi, irmão franciscano nascido em Nova Prata-RS, deu início em Campos do Jordão às atividades da SEA, entidade empenhada em múltiplas funções educacionais. Na SEA, além de funcionar como gráfica, imprimindo tanto jornais, quanto impressos comerciais, essa tipografia ampliou sua missão: tornou-se escola. E nessa nobre tarefa sobreviveu ao próprio Frei Orestes, falecido em 1988.

No correr dos anos, os avanços técnicos de impressão, dentre eles o off-set, e o advento da informática, permitindo incrível rapidez de composição por meio do computador, aumentaram a eficiência da gráfica da SEA, mas tornaram obsoleto o seu equipamento tipográfico. Assim, a tipografia, paulatinamente, foi sendo desativada. Os tipos móveis, que haviam perpetuado em forma impressa todos os fatos memoráveis da Cidade durante décadas, acabaram inúteis e inertes em um canto da oficina, com seus cavaletes e caixas de madeira atraindo somente a atenção dos cupins.

 

Schiavo Júnior


Nas paredes do museu, xilogravuras e documentos
retratam os primordios da tipografia.

 

Seu passo seguinte seria igual ao destino de todas as tipografias: a venda a peso, para que fossem derretidos os tipos. O preço seria vil, pois o valor do chumbo caia continuamente. Mesmo assim, um comerciante de sucatas já se propunha a comprá-los e chegara a marcar data para vir a Campos, a fim de negociá-los.

Nessa época, ano de 2004, Antonio F. Costella, diretor da Casa da Xilogravura, andava interessado em material tipográfico pelo fato de a tipografia ter sido a principal filha da xilografia. Sabendo que tais equipamentos estavam com os dias contados, considerava necessário que o Museu ajudasse a preservá-los. Daí, pôs-se em busca de uma tipografia, com o intuito de incorporá-la ao acervo.

 

Um autêntico "Jornal do Poste"

Por sorte, Costella procurou a SEA uma semana antes da data marcada pelo comerciante de sucatas, e a Instituição, dirigida então pela Irmã Lúcia Zanin, vendeu os equipamentos para a Casa da Xilogravura. Trazido todo o material para o Museu, os móveis foram objeto de demorada restauração, na qual substituíram-se as partes danificadas por cupins. Em atenção às atuais normas museológicas, foram mínimas as interferências e respeitadas as marcas causadas pelas vicissitudes da longa utilização. Os tipos, em grande maioria, encontravam-se empastelados, porque, à medida que foram caindo em desuso, não voltaram a ser guardados nos cavaletes, sendo acumulados em um tambor, misturando-se os diferentes corpos e famílias das matrizes. Para selecioná-los e restituílos aos devidos escaninhos nas caixas, o Museu contratou Benedito Lemes da Silva e Wagner Lopes Santos, que eram os dois últimos funcionários da gráfica da SEA com formação profissional de tipógrafo. O trabalho ocupou os finais de semana dos profissionais ao longo de muitos meses, mas, ao cabo da empreitada, a velha tipografia reorganizou- se. Agora, ela se exibe permanentemente ao público jordanense e turista que visita a Casa da Xilogravura, e é admirada com respeito pelos serviços prestados. "Embora tenha um passado de funções apenas utilitárias, historicamente essa tipografia é tão importante como gravuras de Goeldi ou de Segall. E é, até, mais rara!", destaca Costella.

Mais ainda, esta tipografia terá condições de sobreviver, para que as futuras gerações possam, por meio dela, melhor compreender o maravilhoso invento com o qual Gutenberg, no século quinze, fundindo em metal seus tipos móveis, revolucionou e acelerou a História da Humanidade.

Para que o público visitante possa melhor compreender o funcionamento de uma tipografia, há vitrines nas quais exibem-se objetos e explicações técnicas sobre tipos, componedores, tamboladeiras e outros equipamentos empregados na composição tipográfica de impressos. Um exemplar do jornal “Cidade de Campos do Jordão”, de 1950, testemunha fatos da época e arrola os nomes das pessoas que então trabalhavam para esse periódico e para a tipografia. Painéis também informam, inclusive mostrando um diário de classe, como

era ensinada a arte tipográfica durante o tempo em que a tipografia funcionou como escola na SEA.

 

A tipografia, agora e para sempre na Casa da Xilogravura, representa importantíssimo resgate para a perpetuação da História de Campos do Jordão.

Nota: O Museu Casa da Xilogravura, o mais completo do Brasil, possui um acervo rotativo com mais de 2 mil xilogravuras, com origem nos quatro cantos do mundo.

Eis mais um motivo para visitar a Casa da Xilo. Ela fica em Vila Jaguaribe, próximo a Igreja Nossa Senhora da Saúde. O Museu só não abre as terças e quartas. Fone: (12) 3662-1832.

 

 

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