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    Especial
    Entidade comemora 60
    anos de fundação no Brasil

    Carmem Sanches

    Evitar o primeiro gole. Esse é o lema do grupo Alcoólicos Anônimos, que na próxima quarta-feira, dia 5, completa 60 anos do início de suas atividades no Brasil. Tudo começou em 1945, com a vinda do norte-americano Bob Valentine, que passava pelo Rio de Janeiro e precisava conversar com outro alcoólatra para manter sua sobriedade, conquistada há dois anos nos Estados Unidos, onde a entidade existe há 72 anos.

    Bob encontra-se com Lynn Goodale, também americano, que após uma conversa consegue manter-se sóbrio. De volta a sua terra natal, Bob dá o endereço de Lynn para a Fundação Alcoólica, responsável direta pela divulgação da entidade no mundo, e ele torna-se o contato da instituição no Brasil. Para manter sua sobriedade, Lynn então passa a trocar correspondência com a Fundação.

    No ano seguinte, a Fundação recebe uma carta de Herbert L, um publicitário norte-ameri-cano que estava no Rio e soli-citava contato de membros do AA naquele estado. Sem encon-tra-los, decide montar oficial-mente um grupo de AA no Brasil, isso em 1947.

    Empenhado, Herbert e outros brasileiros que já tinham consegui-do manterem-se sóbrios come-çam a trabalhar na divulgação do grupo. O publicitário escreve uma carta para o jornal O Globo, que publica em forma de artigo na primeira página da edição de 16 de outubro de 1949. O artigo já trata o alcoolismo como doença, fala do primeiro passo (que é evitar o primeiro gole) e menciona algo sobre o anonimato dos participantes da instituição. A repercussão foi tanta, que Herbert começou a receber cartas de pessoas procurando ajuda.

    A maior dificuldade dos pio-neiros do AA no Brasil foi o idioma, já que muitos fundadores eram americanos. A explicação para o entendimento durante as reuniões foi do uso da linguagem do coração, que existe quando um alcoólico fala com outro. Outro problema encontrado por eles foi o entendimento dos livros que vinham dos Estados Unidos. Para resolver isso, os membros tradu-ziam algumas partes para lerem durante as reuniões.

    Atualmente, o AA possui 6 mil grupos no Brasil, com aproxi-madamente 90 mil membros. Estima-se que existam cerca de 5 milhões de membros em todos Mundo. No Estado de São Paulo, funcionam 529 grupos, sendo 44 só na Baixada Santista. Já em Praia Grande, estão instalados três, no Boqueirão, no Ocian e no Caiçara. Informações sobre dias e horários das reuniões podem ser obtidas no telefone 3235-5301 ou através do e-mail aapraiagrande@gmail.com.

    AL-ANON – Depois de conseguir ficar sem beber, retomar a rotina familiar, profissional e social é o próximo desafio. A colaboração das famílias nessa hora é muito importante. Para acabar com as mágoas e os ressentimentos entre os familiares e o alcoólatra, um grupo caminha paralelo ao AA, é o Al-Anon, que ensina como é o processo de recuperação e baseia suas atividades em diretrizes adaptadas dos 12 passos do AA e também na troca de experiências dos freqüentadores. Na região, existem 11 grupos Al-Anon, que se reúnem uma vez na semana.

    01/09/07
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    Franklin Hell & Gustavo Anastasio© 2006 • Editora Gazeta de Praia Grande • Direitos Autorais Reservados