Mourão garante investimentos
maciços em esporte e cultura
“Conseguimos cumprir todas as metas, tanto do ponto de vista financeiro, como estrutural”. Assim foi sintetizado o ano de 2006, no balanço feito pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), em entrevista concedida no último dia 4, em seu gabinete. Durante quase uma hora e meia, o chefe do Executivo traçou metas para 2007 e garantiu que este será o ano do esporte. Está em andamento a conclusão de diversos equipamentos esportivos, que serão utilizados na realização da 71ª edição dos Jogos Abertos do Interior (JAI), evento que deve atrair mais de 15 mil pessoas a Praia Grande. A cultura será foco principal da Administração em 2008, com a concretização do Palácio das Artes.
Entre as grandes conquistas do Município em 2006, está a parceria com a Unesp, que será instalada na Cidade até o final do ano, com previsão de funcionamento para o começo de 2008. Outro grande importante feito foi a elaboração do Plano Diretor, que traçará as metas para o próximo decênio. Os investimentos para 2007 chegam a R$ 120 milhões.
Soraia Kalil
Gazeta do Litoral – Como o se-nhor avalia o ano de 2006?
Alberto Mourão – Foi um ano muito bom. Tanto do ponto de vista estrutural, como financeiro, conseguimos cumprir todas metas impostas. Na parte de infra-estrutura, nós conseguimos dar continuidade às obras, como terminar a Via Expressa Sul, dar continuidade às obras do Jardim do Trevo, fazendo o Canal Pau Brasil, conti-nuando as obras do antigo Melvi. Pavimentamos todas as ruas da Vila Sônia e do Quietude. Acabamos com as enchentes no bairro Gui-lhermina, com a duplicação do canal São Paulo e a interferência nas ruas próximas. As enchentes ali eram enormes. Liquidamos aquele problema. No Glória, fizemos um canal ligando o loteamento, próximo ao Lixão, que acabou com as enchentes das marginais até o cemitério. Outro ponto importante foi o início das obras de pavimentação no Jardim do Trevo. Ainda com relação à infra-estrutura, concluímos a urbanização da avenida Presidente Costa e Silva, que também representou a revitalização do centro comercial. Mas não pára por aí.
Gazeta – Como o senhor avalia o desenvolvimento na área da Educação?
Mourão – Na área da educação, não há dúvida que houve um avanço enorme, não só nos objetivos da área de ensino infantil e fundamental, mas no fechamento do acordo com a Unesp, que agora é uma rea-lidade. Já estamos tratando da licitação das obras, que começam agora no começo de 2007 e os cursos devem ser abertos no começo de 2008.
Gazeta – Acredita que de todas as conquistas de Praia Grande em 2006, esta foi a principal?
Mourão – Se a gente for falar que no País tudo é infra-estrutura e educação faz parte do contexto da infra-estrutura e é a base da sociedade. Podemos dizer que foi uma das conquistas mais importantes. Como nós temos um projeto completo de creche, ensino infantil e fundamental bem estruturado na Cidade, o ensino superior é uma complementação de todo esse processo. Isso é muito importante. Hoje Praia Grande tem curso superior público e privado, com o apoio da Prefeitura. Em 2006, concluímos também a negociação com a Unifesp, que iremos anunciar em janeiro. Em termos de cursos superiores estamos plantando as sementes. No caso da Unesp, mesmo que tenham inicialmente dois ou três cursos, é um importante passo. Agora não precisamos lutar para vir, ela já está aqui. Para expandir é muito mais fácil do que para trazer. Na educação houve um tremendo avanço.
Gazeta – Suplantadas as questões educacionais, como ficam os projetos na área de Saúde?
Mourão – Na área da Saúde nós, pelo menos, caminhamos e chegamos ao final da negociação com a universidade também (Unifesp). Já temos o orçamento, a definição de custos, já temos um pré-contato com eles. Estamos esperando agora porque achamos melhor dar uma postergada, porque estamos negociando com o governo estadual para transformar o hospital municipal em regional. Passaria de 150 leitos para 300. Seria uma referência no Litoral Sul, como é o Guilherme Álvaro na região. Eu estou preparando a documentação para entregar ao governador José Serra (PSDB). Estou dando um tempo para ele assumir, se localizar na máquina e até o fim de janeiro estou conversando com ele sobre isso.
Gazeta – Foi por isso que o projeto do Consórcio de Saúde do Litoral Sul ficou congelado durante os últimos meses?
Mourão – O projeto não ficou congelado. Como o prefeito de Peruíbe (José Roberto Preto – PTB) saiu fora e não se viabilizou com o governo federal, decidimos ir por outra vertente. Praia Grande é a única cidade com um hospital num prédio para abrigar 350 leitos e é a ponta da região, sendo que mais da metade da população da região sul está na Cidade e pode aten-der um pouco a demanda de São Vicente. Esta é a melhor localização, não temos dúvida.
Gazeta – A não implantação do consórcio pode trazer algum problema na temporada de verão?
Mourão – Problema tem, mas são os problemas que sempre tiveram, acrescidos um pouco pelo aumento da população. Na verdade, os hospitais particulares acabam absorvendo essa demanda, já que hoje grande parte das pessoas têm plano de saúde.
Gazeta – Em 2006, o Estado viveu um dos piores momentos de violência, com os ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital. Na sua visão, como Praia Grande se portou?
Mourão – Na área de segu-rança, a gente pode salientar que com todo aquele problema nossa cidade passou tranqüila. Quase não houve incidente. A gente passou por um teste. E o vídeo-monitoramento afasta um pouco o crime organizado da Cidade.
Gazeta – E quanto ao convênio para o armamento da Guarda Municipal?
Mourão –Conseguimos finali-zar o processo de armamento da Guarda, que era uma coisa que vinha se desenrolando há três anos. Isso não é simples, não é só comprar revólver e jo-gar na mão dos guardas, a res-ponsabilidade civil e criminal quem assume é o prefeito. Com o convênio teremos todo respaldo, o que acontecer não vai sobrar para mim, nem para o co-ronel da Guarda, nem para ninguém.
Gazeta – O que a vinda do heliponto re-presentou para a Cidade?
Mourão – Outro avanço enorme não só para a Cidade, mas para a região, foi a vinda do heliponto que tem um helicóptero Águia da Polícia Militar e os resultados são fantásticos. Nós demos sorte, porque o heliponto iria para o Guarujá, mas conseguimos trazer para cá.
Gazeta – Desde 2005 houve um salto tremendo no esporte com a realização dos Jogos Regio-nais. Para a 71ª edição dos Jo-gos Abertos novos equipamentos serão entregues. Como está o andamento das obras?
Mourão – Novos ginásios serão entregues neste ano. Ainda tem o kartódromo e a pista de motocross, onde foi realizado até um campeonato brasileiro. Serão entregues os poliesportivos do Tude Bastos, do Caiçara, Boqueirão e Mirim. Este último abrigará em dias de jogo até 4.000 pessoas. Em outros eventos, como shows, dá para chegar a 7.000 pessoas. É nele que deve acontecer a abertura dos Jogos A-bertos. Ele deve ficar pronto até o início de abril.
Gazeta – Ainda há a piscina e as pistas de skate?
Mourão – Falta a segunda fase da piscina, que é cobertura e aquecimento, que é tão cara quanto a primeira fase. Terão ainda quatro pistas de skate, uma para cada modalidade, street, half pipe e outras. Será instalada uma no Ocian, no Espaço Alvorada, que será in-door, semi-fechada, coberta, essa vai ser usada para competições. Ainda terá uma no Samambaia e outra no Boqueirão, ao lado do Espaço de Eventos Paris. Também implantaremos uma escolinha de surf na região do Caiçara.
Gazeta – E quanto às obras de saneamento básico e iluminação?
Mourão – Tem a rede de esgoto do Caieiras, que estamos fechando o acordo com a Sabesp; e iluminação em todas as ruas e extensão de rede no que falta, onde não tem lâmpada ainda. Será mais de R$ 1 milhão de investimentos em ruas e mais R$ 2 milhões na praia, para aumentar a luminosidade e me-lhorar o funcionamento das câmeras.
Gazeta – Haverá o Carnaval Metropolitano em 2007?
Mourão – Não há condições técnicas, nem financeiras para viabilizar o carnaval para 2007. Acho que eles (escolas e blocos) não conseguiram se viabilizar, porque carnaval não se resume em arquibancada, som e luz, tem muito mais do que isso. Da outra vez fomos pegos de surpresa e acabamos tendo que arcar com o carnaval. Mas temos um projeto de cultura para 2007, onde vamos gastar R$ 3 mi-lhões com o Palácio das Artes, então eu não vou pegar R$ 1 milhão e gastar no carnaval nesse primeiro momento. A título de sugestão, estaremos sentando com o pessoal para conversar sobre o planejamento do carnaval de 2008, que faz parte do projeto do ano cultural.
Gazeta – Qual a previsão de entrega do Palácio das Artes?
Mourão – Até o final deste ano haverá a inauguração do teatro. Vamos dar um pontapé na questão cultural. Então te-remos um local para apresentações na área da música, teatro, salão para eventos transitórios com quase 2 mil metros, escola de arte, enfim uma estrutura adequada para iniciar a cultura. Mas não queremos fazer um trabalho só na área profissional, vamos trazer alguns espetáculos, exposições e principalmente fazer o contato da sociedade menos privilegiada com a cultura .
Gazeta – E para a Educação, quais serão os investimentos?
Mourão –Vamos construir um colégio no Esmeralda, a Escola de Educação Fundamental Paulo Ribeiro; Escola de Educação Fundamental Roberto Mário Santini, no Guilhermina; Escola de Educação Fundamental Sebastião Tavares de Oliveira, no Quietude; Escola de Educação Infantil Professora Esmeralda, também no Quietude; Escola de Educação Infantil em substituição ao Nascimento Júnior, no Boqueirão; Escola de Educação Infantil Caiçara; Escola de Educação Infantil Guilhermina, que vai substituir o República de Portugal; Escola de Educação Infantil Leopoldo Estásio Vanderlinde, no Mirim; Escola de E-ducação Especial Antônio Tavares, na Vila Sônia; Escola de Formação Profissional Vila Verde, no Esmeralda; Escola de Período Integral Hilda Guedes, no Samambaia; Escola de Período Integral Cesário Reis Lima, no Tude Bastos.
Gazeta – Quais são as demais obras?
Mourão – O mercado de peixe do Boqueirão será reformado e o da Ocian será um projeto turístico, no formato de um barco, que deve ser licitado já neste mês. No Ocian terá um Espaço Vivência, como se fosse o Conviver, mas será um salão para as pessoas fazerem ginástica pela manhã, durante o dia, terá jo-gos de mesa e a noite pode rolar um baile. Tudo isso voltado à terceira idade. No Boqueirão, onde hoje é o posto dos Bombeiros também será nos mesmos moldes, mas terá uma academia acoplada para a terceira idade e para os jovens.
Gazeta – E o Portinho?
Mourão – O Portinho entra na segunda fase de revitalização, que terá duas quadras de tênis, duas de futebol de salão e um campo society. A primeira fase foi a troca de todos os quiosques. Além das quadras, é preciso alambrar toda parte da pista de motocross, fazer irrigação nela, um portal de entrada, pavimentar toda aquela rua com piso entrecravado verme-lho e fazer uma nova sede para a Escola de Educação Ambiental. O Navega São Paulo terá uma sede definitiva de frente para o mar e onde estão os dois prédios, da Escola e do Navega São Paulo, será um estacionamento para 200 carros, para não entrar mais carro na área destinada ao lazer. Ao lado, terá uma pista de aeromodelismo.
Gazeta – E na entrada do Sítio do Campo, o que será feito além do kartódromo?
Mourão – Ali na entrada do Tude Bastos será o Parque Leopoldo Estásio Vanderlinde, onde falta terminar a pista de atletismo e o kartódromo, fazer playgrounds, pista de co-oper e duas pistas de aeromodelismo, uma rotatória com guia e outra com controle remoto, que tem que de 150 a 200 metros de pista. O sambódromo continua ali.