Convocações para reconhecimento
dos pais são recebidas com surpresa
Em Praia Grande, mais de 1 mil pessoas receberam a convocação para comparecer ao fórum e indicar o suposto pai da criança para que a investigação prosseguisse. A funcionária pública, Cláudia Regina de Oliveira Machado foi uma delas. Ela se surpreendeu ao receber em casa, a notificação para o reconhecimento de paternidade do sobrinho, Marcos Vinícius de Oliveira, de 15 anos.
Cláudia não compareu ao mutirão do Dia Estadual da Paternidade Responsável, pois não tem como indicar o possível pai do adolescente. Ela cria o sobrinho desde a morte irmã, a mãe biológica, que aconteceu em 2002. “Eu não posso indicar o possível pai, pois o Marcos não é meu filho. Sei que minha irmã viveu com um homem durante algum tempo, mas não posso informar se ele é o pai da criança, mesmo porque ele nega. Por isso não há como prosseguir com as investigações”, explica.
A juíza Ana Luiza Villa Nova explica que este é um dos casos em que não há como intervir.
“Agimos de acordo com as informações dispostas pelas famílias. Se não há a mínima informação, não temos como buscar o responsável”, ressalta.
Mesmo sem ser beneficiada, Cláudia acredita que a iniciativa é boa. “É importante ajudar as pessoas a encontra-rem os pais. É bom para pessoas que muitas vezes não tem como pagar um exame de DNA”, explica.
A funcionária pública que cria o adolescente gostaria que o jovem tivesse o nome do pai no registro. “Felizmente ele não se importa e não se sente mal por não ter o pai. Sou a família dele e ele a minha.” (C. D.)