Descendente de lituanos, Denise Kowas, de 54 anos, planeja contrair seu sétimo empréstimo no Banco do Povo Paulista nas próximas semanas. Mas no rosto não traz a expressão pesada de quem está para mergulhar em uma dívida. Pelo contrário, tem os olhos vivos e o sorriso aberto de quem não pára de fazer planos para impulsionar ainda mais seu negócio, a Deart, de artigos para formatura.
Em meio a canudos aveludados que vão abrigar histórias de persistência e determinação, e convites com letras que anunciam a parentes e amigos a conclusão de mais um ciclo na vida, a tão esperada formatura, Denise Kowas conta que entrou na atividade a partir do conselho do irmão. Sob a pressão do desemprego, já após os 40 anos de idade, decidiu unir suas habilidades em um trabalho que lhe garantisse prazer e recursos para sustentar a família.
“Como já possuía conhecimento de informática, adorava artesanato e havia trabalhado com administração, resolvi iniciar um negócio. Mas, começar do zero não foi fácil. Principalmente na hora de obter capital para investimento”, recorda.
Sem maquinário apropriado para a impressão e corte de convites e diplomas ou capital de giro para a aquisição do material – papel, veludo, cola, adereços – Denise peregrinou nos bancos. “Como não tinha registro da empresa ou comprovação de renda, já que trabalhava por conta própria, ficava difícil até mesmo abrir um crediário”.
Como sempre mantém a tevê ligada no noticiário, não importa o canal, uma manhã Denise teve a atenção despertada para uma matéria que anunciava o Banco do Povo.
Denise conta que ligou para a Prefeitura, levantou os documentos necessários e ficou surpresa com os critérios para a obtenção do empréstimo. “Basicamente basta não ter restrições ao nome, estar na atividade há seis meses e residir na Cidade há dois anos”.
Não foi à toa que ela se tornou a cliente número um da agência Praia Grande do Banco do Povo Paulista. “Com o primeiro empréstimo comprei uma máquina que me permitiu dobrar o número de clientes já no primeiro ano”. Cinco empréstimos depois, a sala de seu apartamento no bairro Guilhermina ganhou ares e organização de uma sólida microempresa. De um lado, uma bancada para a montagem de estojos, canudos, placas e convites. De outro, computador, impressora, rolos de papel, guilhotina e a tevê, sempre ligada, para acompanhar os telejornais.
Sobre onde será investido o recurso do sétimo empréstimo, Denise revela que já está com o orçamento de uma motocicleta em mãos. Não quer mais depender do serviço de motoboys para a entrega de provas e amostras em escolas. Porém, rapidamente acrescenta que não será agora que pretende pilotar sobre duas horas. “A empresa está crescendo. Meu filho, Danilo (21 anos), vai trabalhar comigo”.