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    Especial
    Mourão analisa cenário político
    regional: expectativas são positivas

    Dois dias antes das eleições nacionais, o coordenador do PSDB na Baixada Santista, prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, faz uma análise da situação política da região e avalia que pode ser formada uma bancada estadual metropolitana. Para isso, Mourão diz que é preciso a população se conscientizar da importância de eleger um representante da Cidade que esteja em sintonia com a Administração Municipal. Dessa forma, a Baixada Santista ganharia força política para poder reivindicar uma distribuição igualitária de serviços públicos em todo Estado

    Carmem Sanches


    Lapetina

    Mourão acredita que a Baixada Santista pode se fortalecer politicamente no Estado

    Gazeta do Litoral - Como coordenador regional do PSDB, qual é a expectativa quanto à eleição dos candidatos da Baixada Santista?
    Alberto Mourão - Temos quatro bons candidatos a deputado estadual do PSDB. Então, talvez, essa seja a primeira vez que temos chances de fazer até três deputados estaduais. Isso reforçaria a bancada. Com os votos vindos de fora, propiciaria condições de aumentar a votação deles e os credenciaria para entrar na linha de corte.

    GL – E quanto aos candidatos a deputado federal?
    Mourão -
    Quantos aos federais, temos um candidato que tem uma visibilidade não só na Baixada, mas em todo Estado, e temos dois locais que tiveram que se empenhar mais para conquistar votos fora. Acho que temos chance de fazer um.

    GL - Quais os benefícios disso para o PSDB?
    Mourão - Tem a questão de ter voto para o partido, porque nunca tivemos boa votação para o Legislativo na Baixada Santista e isso acaba influenciando na composição do Diretório Estadual.

    GL - No último levantamento do IPAT, Cássio Navarro aparece com 1,8% das intenções de voto, saltando do décimo para o sexto lugar. Como você vê essa guinada do candidato?
    Mourão – Toda campanha é assim, na reta final é que as pessoas vão conhecer os can-didatos. Um candidato novo como o Cássio, por exemplo, tem que se esforçar mais, tem que andar mais, bater mais de uma vez na porta das pessoas. No PSDB são precisos mais de 70 mil votos para ser deputado estadual e a Praia Grande teria condições de eleger um se existisse a consciência coletiva, mas isso é muito difícil, porque as pessoas acabam votando em candidatos de fora. Se não elegemos um deputado, não fortalecemos a Cidade na discussão regional. Quando se tem um deputado, ele vai tentar manter um equilíbrio na distribuição de serviços públicos em toda região. Hoje temos candidato a deputado não para assumir uma vaga na Assembléia, mas para se candidatar a prefeito. Quando se fala em candidato da Cidade, tem que ser alguém com a idéia de ser mesmo deputado. Nesse caso o Cássio quer mesmo ser deputado, até porque ele não pode ser prefeito, porque vai se casar com a minha filha em novembro, então está impedido legalmente de ser candidato a prefeito.

    GL - Os candidatos da Baixada Santista estão bem cotados. Se eleitos, podemos dizer que a região conseguiu sua independência quanto à representatividade, até agora nas mãos de Santos?
    Mourão – Podemos dizer que conseguiu um equilíbrio. Se tivermos um deputado em São Vicente, um em Guarujá, um em Praia Grande e um em Santos, elegeremos uma bancada boa na Baixada e ao mesmo tempo manteremos o equilíbrio das forças políticas. Seria uma bancada metropolitana.

    GL – Qual sua opinião sobre o debate dos presidenciáveis?
    Mourão – Em um país que tem reeleição, é natural a pessoa que está no poder disputar a reeleição e o debate vai se concentrar no que foi ou não realizado do que foi prometido. Com a falta do Lula, a sociedade não teve chance de ouvir essa explicação.

    GL - Pesquisas apontam uma possível vitória de Lula já no primeiro turno. Acredita nas pesquisas? Acha que Alckmin conseguirá seguir para o segundo turno?
    Mourão – A pesquisa é uma radiografia do momento, uma pessoa pode aparecer na frente e depois estar atrás. Com os episódios da última semana, com o dossiê, criou-se um mal estar principalmente no segmento mais esclarecido, que é mais crítico, que pode não decidir a eleição, mas pode levar para o segundo turno. Basta as pessoas quererem o debate no segundo turno, porque o Lula não poderá faltar ao debate. Tenho fé que vai haver segundo turno.

    GL - Caso haja segundo turno, a situação do candidato tucano pode melhorar?
    Mourão – Com certeza pode melhorar a situação do Alckmin, até porque ele demonstra um melhor grau de conhecimento em todas as áreas, ele tem uma visão geral de País.

    GL - Se Lula for eleito para presidente, como acha que ficará o cenário político do País?
    Mourão – O cenário será de equilíbrio de forças. Teremos dois grandes estados com grandes líderes nacionais, que é o José Serra em São Paulo e o Aécio Neves em Minas Gerais. Eles não serão opositores, serão críticos das políticas públicas nacionais, o que gera equilíbrio. Outro ponto é que o Lula terá as dificuldades de quem se elegerá com uma bancada pequena, então terá que fazer uma boa composição. Terá que arrumar parceiros de forma diferente e o ideal é que viesse um partido por inteiro e não um partido rachado, que acaba fazendo acordos, que nem sempre são bons. Tem partidos que pegam os ministérios para virarem grandes balcões de negócios. No parla-mentarismo o po-lítico é obrigado a se compor para se eleger primeiro ministro. Então os debates entre os partidos acontecem, você compõem com dois ou três partidos e escolhe o primeiro ministro.

    GL – O senhor é a favor do parlamentarismo?
    Mourão – Eu sou simpático ao parlamentarismo, acho que é uma forma de evitar esses percalços, porque numa crise como essa que aconteceu, o primeiro ministro teria caído.

    GL - Desde 2005, o País vive uma das piores crises e escândalos de corrupção jamais vistos. Embora o centro de todas as mazelas tenha sido o governo federal, na sua opinião, por que o prestígio de Lula se mantém tão elevado? Os programas sociais seriam um arrimo do governo?
    Mourão – Ele aumentou o volume do Bolsa Família, que era o Bolsa Escola, e infelizmente as pessoas acabaram esquecendo que esse programa já existia. Eram atendidas 4 a 5 milhões de famílias e ele aumentou para 12 milhões. Esses 8 milhões a mais acabaram influenciados por esse programa. Antes as pessoas que recebiam tinham obrigações. Hoje a pessoa continua recebendo R$ 90,00, mas não tem obrigações. O que se criou foi um marketing, aumentou o volume de bolsas, trocou o nome para criar uma estampa pessoal. Isso são políticas públicas equivocadas. Normalmente as pessoas que recebem estão precisando de ajuda porque não conseguem se encaixar no mercado de trabalho, são pessoas que estão abaixo da linha da miséria, são analfabetas ou não têm condições de analisar como será o futuro. Se vão ficar 20 anos dependendo desses R$ 90,00. Será que essa preocupação é real ou só de estampa?

    GL – O senhor é contra esses programas?
    Mourão - Isso não quer dizer que eu não ache que deva ter. Temos na Cidade o Programa de Apoio ao Desempregado (PAD), no qual eu podia fazer frentes de trabalho, deixar as pessoas varrendo ruas e não obrigá-las a ir para a escola. Eu estaria fazendo alguma coisa? Estaria fazendo programa político, mas não estaria resolvendo nada no futuro da sociedade. Se tivéssemos um segundo turno essa idéia poderia ser bem esclarecida, bem debatida. O foco seria só os dois para discutir.

    GL – Qual seria a mensagem sua para os eleitores de Praia Grande e de toda região?
    Mourão – Que eles fortaleçam os candidatos da região e priorizem o candidato da sua cidade, principalmente os que estão afinados com os governos locais. Não adianta eleger um candidato que esteja guerreando com o prefeito, porque eles vão continuar guerreando e quem perde é a sociedade.
    30/09/06
     
     
    Franklin Hell & Gustavo Anastasio© 2006 • Editora Gazeta de Praia Grande • Direitos Autorais Reservados