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Fibromialgia: doença ainda desconhecida provoca dores generalizadas, sem causa aparente
“Meu sonho de consumo é passar 24h sem dor”. Essa frase foi dita durante uma consulta médica. Por sorte, a paciente estava prestes a ter seu problema diagnosticado: era fibromialgia. Trata-se de uma síndrome dolorosa afeta diretamente a qualidade de vida e atinge cerca de 2% a 5% da população, especialmente mulheres, com idades entre 30 e 60 anos. É caracterizada por dor intensa e generalizada pelo corpo, sensação de cansaço, enxaqueca, alterações de humor, formigamentos em braços e pernas e sensação de um sono que não restaura as energias.
“São sintomas muito vagos”, explica a médica reumatologista dra. Evelin Goldenberg, professora da Disciplina de Clínica Médica da UNIFESP e autora do livro O Coração Sente, O Corpo Dói. Isso explica o fato de muitos doentes, mesmo após passar por diversos especialistas e exames, não terem detectadas a causa do problema.
Esta também é uma das razões para a doença estar ligada à depressão e ao estresse. “Tanto a depressão pode levar à fibromialgia como o inverso. As duas podem coexistir paralelamente”, esclarece a especialista que, em sua atividade profissional, baseia-se numa visão holística do paciente, tratando-o por inteiro, e não apenas com foco nos sintomas físicos.
O problema chega a interferir na atividade sexual feminina. É sabido que as portadoras de fibromialgia apresentam diminuição da função sexual e maior dificuldade para atingir o orgasmo.
“Isso pode acontecer por conta das dores pelo corpo, da sensação de fadiga e até dos distúrbios do sono provocados pela doença”, explica a dra. Evelin.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
Por ter tantos sintomas inespecíficos, a fibromialgia é de diagnóstico muito difícil. “Diversos pacientes chegam ao consultório com uma sacola repleta de exames feitos e nenhum diagnóstico. Em outros casos, já estão com úlcera de tanto tomar antiinflamatório e a dor não passa. Tudo isso, sem contar o descrédito da família”, afirma dra Evelin.
É imprescindível uma longa conversa com o paciente para se diagnosticar a fibromialgia, pois não existe um exame específico que revele o problema. Quanto mais cedo for detectada, maiores as chances de recuperação e de o paciente voltar a se sentir bem e conseguir retomar sua rotina.
Além do tratamento medicamentoso, psicoterapia ou técnicas de relaxamento, podem contribuir para o bem-estar do paciente, desde que sob orientação de médico especialista. Outra alternativa bastante eficaz é a acupuntura. Estudos revelam que o método reduz a dor e melhora a depressão. Os resultados costumam aparecer já nas primeiras sessões.
Coluna Mais Saúde
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