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Mesotelioma: um câncer
raro e polêmico
Apesar da maior abordagem na literatura científica, o único fator de risco conhecido é o asbesto
Os malefícios da exposição excessiva ao asbesto, também chamado de amianto, são conhecidos desde a Revolução Industrial, quando, diariamente, operários trabalhavam mais de 10 horas inalando o ar contaminado. O asbesto é um grupo de minerais fibrosos de silicato de magnésio, composto de finas fibras, utilizado como isolante térmico em vários produtos comerciais, como alguns têxteis, juntas de vedação, placas onduladas para telhados; placas planas para divisórias, revestimento de interiores ou exteriores; caixas d’água; canos para água em baixa pressão; canos ou tubos para alta-pressão e pastilhas de freio de automóveis. Se inalado, dispersa-se pelos pulmões, ali permanecendo quase que indefinidamente.
O contato com esta substância pode causar conseqüências graves como asbestose, câncer de pulmão, placas pleurais, espessamento pleural difuso e o mesotelioma. Este último se trata de um tumor maligno que acomete a pleura, a membrana que envolve os pulmões, e também o peritônio na cavidade abdominal.
Anualmente, são diagnosticados cerca de 5 mil casos no mundo inteiro. Apesar do aumento de registros nas últimas duas décadas, este tipo de câncer é considerado raro com ocorrência mais freqüente no sexo masculino, principalmente a partir dos 40 anos de idade.
Em função do crescimento da taxa de incidência, a doença passou a receber atenção especial na literatura médica nos últimos anos. O dr. Ricardo Beyruti, especialista da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, médico assistente da Disciplina de Cirurgia Torácica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/USP, adverte: “A única certeza em relação aos fatores de risco é a exposição periódica e longa ao asbesto que, teoricamente, causa a doença após 20 anos de contato. Porém, em dois terços dos casos atuais, não há evidencia de exposição ao composto”.
Outro ponto polêmico é a constatação de casos esporádicos em faixas etárias inferiores ao período estimado pela medicina para o aparecimento da doença. Como exemplo, dr. Beyruti cita uma recente cirurgia realizada em uma criança de 13 anos.
Entre as dificuldades médicas enfrentadas, destaca-se a demora no diagnóstico: “Por ser uma doença com sintomas comuns a outras afecções, tais como tosse, dor torácica e falta de ar, os médicos dificilmente pensam na hipótese de mesotelioma. O problema pode se agravar pelo retardo no diagnóstico, caso o paciente receba tratamento equivocado, como, por exemplo, o de tuberculose”.
A taxa de mortalidade ainda é alta, porém a melhora no diagnóstico precoce, avanços no tratamento cirúrgico e a disponibilidade de novas drogas podem aumentar a qualidade de vida daqueles que apresentam esta doença e trazem nova perspectiva para seu tratamento.
Coluna Mais Saúde
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